A Redação
Goiânia – A indústria de alimentos em Goiás deve crescer até 5% em 2026, de acordo com balanço anual divulgado pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia). Um dos fatores do crescimento é o alto nível de integração: o setor absorve 59,7% de toda a produção agropecuária do Estado. Para especialistas, o resultado é claro: grande parte da riqueza gerada pelo agronegócio goiano incorpora valor dentro das fronteiras da unidade federativa para outros locais no Brasil e no mundo.
O crescimento sólido, que resiste às instabilidades, parece estar ancorado em fatores como sua larga presença na economia goiana. Segundo dados da Pesquisa Industrial Anual (PIA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a indústria de alimentos gera 54,9% da receita líquida de todo o parque fabril estadual.
Para o economista Cláudio Henrique de Oliveira, membro do Conselho Regional de Economia de Goiás (Corecon GO), a força do setor permite o exercício da ousadia, mesmo em tempos de instabilidade. “Quando um setor responde por 54,9% da receita líquida industrial e é o maior gerador de valor de transformação de Goiás, a questão não é mais sobreviver, é evoluir dentro do segmento”, salienta.
Segundo o economista Marcus Teodoro, evoluir significa, entre outras estratégias, identificar especificidades na demanda. O produto final, no caso, se relaciona diretamente com a capacidade de a economia goiana gerar insumos baratos a partir do agronegócio e com isso gerar valor agregado. “Quando um mercado é muito previsível, você tem que buscar características como sazonalidade, preferência de produto e inovação. O importante é não estacionar. Há pessoas para quem os cenários de instabilidade se tornam inclusive possibilidades de ampliar participação de mercado”, salienta.
Confiança
Quem segue essa cartilha dá mostras de confiança na força da cadeia de valor alimentícia. Felipe Mabel, proprietário da indústria de sorvetes Soul Gelato, estima um crescimento de atividades de seu negócio da ordem de 20% a 30% em 2026. A estratégia é a expansão da clientela ancorada na forte sazonalidade que caracteriza seu nicho de atuação.
“Estamos prevendo esse crescimento a partir de fatores como o final do período chuvoso em abril e o aumento do calor, sobretudo a partir de julho. Somado com outros fatores como a Copa do Mundo e a persistência de ondas de calor com as mudanças climáticas, nossa compreensão é de que temos espaço para expandir a nossa base de clientes, e é nisso que vamos investir”, relata o empresário.
A confiança se reflete, inclusive, no tipo de investimento. Felipe Mabel pretende investir na expansão da frota de caminhões de sua indústria, mesmo em vista do cenário de preocupações que pesa sobre insumos como o óleo diesel. “Além disso, temos previsão de investir na melhoria do nosso maquinário. Tudo para atender essa expansão de demanda, que certamente virá”, projeta.
De acordo com Mabel, atuar em um cenário econômico marcado por incertezas requer estruturar uma estratégia de negócios a partir do conhecimento do mercado. “Mesmo que exista uma incerteza, ela se torna mínima quando você sabe onde está atuando. E nós aqui na Soul Gelato estamos nos preparando para um crescimento que sabemos que virá”, frisa.
