José Cácio Júnior
A demora do senador Demóstenes Torres (DEM) em decidir se disputará ou não a eleição para a prefeitura de Goiânia, no ano que vem, gera mal estar na base do governador Marconi Perillo (PSDB). A oportunidade de ser candidato à presidência da República pelo Democratas em 2014 é um dos motivos que prorroga a decisão do senador goiano.
Embora toda decisão política possa sofrer uma reviravolta, a demora de Demóstenes atrapalha a própria base, que não sabe se estimula o surgimento de outros nomes ou se monta um projeto coeso para o próximo ano. Um exemplo recente é o do deputado estadual Túlio Isac (PSDB), que pegou carona nos 6,2% da pesquisa de intenção de voto Ecope/Diário da Manhã, divulgada na segunda-feira (18/7).
Sem analisar se Túlio tem chances ou não de ser prefeito — para ficar apenas em um dos balões de ensaio que surgem no período eleitoral—, o tucano fez questão de se colocar à disposição de Marconi para a eleição em Goiânia. Túlio Isac fez barulho e ganhou espaço na mídia.
Marconi trabalhará de todas as formas para tirar a dupla PT-PMDB do poder na Capital, pois quebraria um pilar financeiro e político dos dois principais partidos de oposição ao governo do Estado. Para isso, precisa apoiar uma candidatura bem estruturada.
Além de estar totalmente munido de dados para enfrentar uma disputa que será muito acirrada, Demóstenes passa a impressão de que só sairá candidato se for conclamado por toda a base. O grupo ligado a Marconi saiu desunido nas últimas três eleições na Capital — talvez o maior problema — e a formação de uma candidatura redonda e bem planejada é um dos principais objetivos da coalizão estadual.
Muito se fala que a decisão de ser prefeito cabe somente a Demóstenes. Mas esta escolha será tomada por várias cabeças. Em primeiro lugar, o próprio DEM tem discutido com o senador a possibilidade de o goiano ser o nome do partido na disputa para a presidência da República em 2014. Outro ponto incomoda o democrata: se for eleito prefeito de Goiânia, perde o espaço conquistado no cenário político nacional; e uma derrota seria um desastre para quem tem pretensões de viajar o Brasil todo pedindo voto.
Caiado
Em segundo lugar, ainda não se sabe a influência do deputado federal Ronaldo Caiado e do vice-governador José Eliton, ambos do DEM, na escolha de Demóstenes. O processo precisa ser bem costurado, pois Marconi terá mais uma carta na manga para discutir com a legenda a composição da chapa em 2014.
Sem sombras de dúvidas, o tucano pretende negociar com o Democratas a escolha do vice ou da vaga ao Senado, com o argumento de ter entregue Goiânia, o maior colégio eleitoral do Estado, nas mãos da sigla. Marconi sabe que o seu principal adversário é o DEM, não o PT e PMDB, como muito se imagina.
Qualquer aresta na aliança, por menor que seja, pode ser mais um fator para dificultar a já desgastada relação política entre Marconi e Caiado. O espaço dado a Eliton no governo é uma das formas encontradas para demonstrar a Caiado que as divergências ficaram no passado.
Após sua reeleição em 2002, Marconi desidratou o então PFL, convidando mais de 20 prefeitos a se filiarem ao PSDB. Desde então, Caiado rompeu com o tucano e só voltou atrás ano passado, ao aceitar a aliança que venceria a eleição.
O deputado federal, por sua vez, sempre desconversa quando é questionado sobre as ações da gestão estadual e da manutenção da aliança, demonstrando que o ressentimento contra o tucano ainda existe. No fundo, Caiado sabe que o desempenho eleitoral do DEM depende, em parte, da coligação com Marconi.