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(Foto: Semad)

Incêndio atinge 8 mil hectares na região de Terra Ronca e mobiliza força-tarefa em Goiás

Bombeiros militares e brigadistas florestais estão mobilizados no combate às chamas

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12.08.2026 - 16:21:28

A Redação

Goiânia – Um incêndio florestal que atinge a região da Área de Proteção Ambiental (APA) da Serra Geral de Goiás e o entorno do Parque Estadual de Terra Ronca (Peter), nos municípios de São Domingos e Guarani de Goiás, já consumiu cerca de 8 mil hectares de vegetação. Os primeiros focos foram identificados na segunda-feira (10/8).

Nesta quarta-feira (12/8), cerca de 40 profissionais especializados, entre bombeiros militares e brigadistas florestais, estão mobilizados no combate às chamas. A operação reúne equipes da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), do Corpo de Bombeiros Militar de Goiás (CBMGO) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

As equipes atuam no combate direto e indireto ao fogo, além de realizar monitoramento, reconhecimento das áreas atingidas, elaboração de estratégias de contenção e proteção de pontos ambientalmente sensíveis.

Segundo a Semad, o Governo de Goiás disponibiliza os recursos logísticos, operacionais e materiais necessários para a operação, incluindo equipamentos, viaturas, alimentação, comunicação e demais estruturas de apoio às equipes que estão na linha de frente.

O Parque Estadual de Terra Ronca possui aproximadamente 57 mil hectares e abriga um dos principais patrimônios espeleológicos do país. A unidade de conservação também protege áreas consideradas importantes para a fauna, a flora, os recursos hídricos e outros ecossistemas do Cerrado.

Focos podem ter origem na Bahia
Levantamentos preliminares apontam que alguns dos focos de incêndio tiveram origem na Bahia e avançaram em direção ao território goiano. A situação levou o governo estadual e o Ibama a programarem uma operação de fiscalização na região.

Nos dias 13 e 14 de agosto, será realizada a Operação Abafa Terra Ronca, com ações concentradas na APA da Serra Geral de Goiás, no Parque Estadual de Terra Ronca e em áreas do entorno. A iniciativa busca identificar possíveis origens dos incêndios, combater práticas ilegais relacionadas ao uso do fogo e responsabilizar eventuais autores de crimes ambientais.

As equipes realizarão fiscalização e patrulhamento terrestre, com apoio de imagens de satélite. O trabalho será direcionado principalmente para áreas com focos ativos, recorrência de incêndios ou indícios de uso irregular do fogo. A operação poderá ser ampliada ou novamente mobilizada conforme a evolução dos incêndios.

Condições climáticas
A Semad alerta que as condições climáticas enfrentadas por Goiás neste ano exigem atenção máxima. Segundo a pasta, a influência de um “super El Niño”, associada ao período de estiagem, contribui para temperaturas elevadas, baixa umidade do ar, redução das chuvas e aumento da quantidade de vegetação seca.

Esse cenário favorece o surgimento e a rápida propagação de incêndios florestais, dificultando o trabalho das equipes e aumentando os riscos para unidades de conservação, propriedades rurais, comunidades, recursos hídricos e a biodiversidade.

O CBMGO já atendeu quase 5 mil ocorrências de incêndios florestais em Goiás em 2026. Dados do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Lasa/UFRJ) apontam que mais de 100 mil hectares já foram atingidos pelo fogo no Estado somente neste ano.

Uso do fogo proibido
Desde 24 de julho, está em vigor o Decreto Estadual nº 10.962, que declarou situação de emergência ambiental em Goiás devido ao período de estiagem e ao elevado risco de ocorrência e propagação de incêndios florestais. A medida proíbe o uso do fogo para limpeza de solo.

A Semad reforça que provocar incêndio em mata ou floresta é crime ambiental. Conforme o artigo 41 da Lei Federal nº 9.605/1998, a prática pode resultar em pena de reclusão de dois a quatro anos e multa, além de sanções administrativas e responsabilização civil pela reparação dos danos ambientais.

Mesmo quando o incêndio ocorre de forma culposa, sem intenção, há previsão de responsabilização penal, com detenção de seis meses a um ano e multa.

O Governo de Goiás informou que manterá equipes mobilizadas e intensificará as ações de combate, prevenção, monitoramento, fiscalização e investigação das causas dos incêndios. A prioridade, segundo a Semad, é proteger o Cerrado, as comunidades e os profissionais envolvidos no enfrentamento das chamas.

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por Bruno Hermano

*Jornalista, formado pela UFG. Editor do jornal A Redação.

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