Jales Naves
Especial para A Redação
Goiânia – Criado em 7.10.1932, na antiga Vila Boa, para preservar a história, a memória e a cultura goiana, o Instituto Histórico e Geográfico de Goiás vai lembrar os seus 94 anos de existência na quarta-feira, às 9h, em sua sede. Dois eventos já estão programados para essa manhã: a abertura da exposição individual de Di Magalhães, ‘Goiânia em aquarela e nanquim’, em homenagem ao patrimônio art déco de Goiânia, como parte do projeto “Café com Arte na Casa Rosada”, em parceria com a Associação Goiana de Artes Visuais; e o lançamento do livro “Travessias e outros poemas”, 31º livro do escritor Geraldo Coelho Vaz.
O IHGG nasceu no Palácio da Instrução, na cidade de Goiás, e se mudou em 1938 para a nova capital, com a inauguração, em 1939, da Casa Rosada de Goiânia, o primeiro imóvel construído no setor Sul, ficando na rua 82 com a rua 85.
Como guardião da memória, como destaca seu presidente, Jales Guedes Coelho Mendonça, o IHGG realiza importante trabalho de proteção de documentos raros, livros, jornais antigos e registros cartográficos; promove colóquios, palestras e edições de revistas acadêmicas que estimulam a pesquisa histórica regional; disponibiliza ferramentas como a Hemeroteca Digital, facilitando o acesso público a periódicos históricos de dezenas de municípios goianos; e sua histórica Casa Rosada funciona como centro de exposições, biblioteca e museu aberto à comunidade.
Exposição
O traço minucioso do nanquim e a nostalgia do bico de pena se unem para celebrar as formas geométricas, linhas retas e a imponência que moldaram a capital federal do art déco. Em dezenas de ilustrações que mesclam rigor documental e sensibilidade lírica, Di Magalhães convida o público a um mergulho detalhado pelas fachadas, monumentos e casarios que narram a história da consolidação urbana e arquitetônica de Goiânia a partir da década de 1930.

Nascido na histórica cidade de Goiás e bacharel em Artes Visuais pela Universidade Federal de Goiás, Di Magalhães consolidou uma carreira de prestígio nacional e internacional. Reconhecido por sua maestria em murais, gravuras e pinturas, ele transforma o nanquim em uma poderosa ferramenta de salvaguarda cultural. Suas obras não apenas registram a beleza monumental do acervo tombado: funcionam também como um manifesto visual contra o esquecimento e em prol da preservação da memória goiana.
A escolha do local para a exposição carrega um simbolismo único. O casarão da Casa Rosada serve como o cenário perfeito para uma exposição que respira a identidade e as origens do estado.

Poesia
A poesia e a memória habitam com intensidade os estigmas da produção literária de Geraldo Coelho Vaz, como assinalou o poeta Ubirajara Galli na apresentação da obra. Publicou seu primeiro livro, “Vultos Catalanos”, em 1959, de conteúdo memorial, lançado durante as comemorações do centenário da cidade de Catalão, onde residia com seus familiares. Em 1963 fez sua estreia poética, com o livro “Poemas da Ascensão”, editado em Goiânia pela Gráfica da Escola Técnica Federal de Goiás, atual Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás.
Passados 63 anos, “de farta e qualitativa maternidade literária, e dedicada atividade de gestor cultural”, presidindo as mais tradicionais entidades goianas, dá vida ao novo livro, “Travessias e outros poemas”, 67 deles inéditos “e outra meia dúzia publicados, há décadas”, como sublinhou.
“Entre a metalinguagem expressa de forma mais acentuada nos poemas “Palavras”, “Um pequeno poeta”, “Salvemos a poesia”, “Palavras voam no tempo” e “A fala” à construção de seu eu existencial, materializa versos com a argamassa de uma linguagem lúdica, lírica, de presença estética e compreensão das nuances do ato de viver”, escreveu Galli.
Essas construções – como assinalou – “transpiram uma aura de pura paz, tanto nas idealizações plenamente vividas, quanto nos atos inconclusos dos quereres que todos nós portamos, acomodados nos bornais dos dias das nossas almas, carentes de respostas, para harmonizarmos da melhor forma possível a dualidade dessa convivência”.
Os derradeiros poemas que finalizaram a obra poética foram publicados em livros, revistas e no dorso de um projeto da União Brasileira de Escritores, Seção de Goiás – iniciativa da gestão dele, presidindo a entidade – “são dóceis esculturas do seu ontem genealógico, relembrando seu avô, sua mãe, sua amada cidade de Catalão e sua primeira participação em uma antologia poética, publicada com seus colegas de formatura em Direito pela Universidade Católica de Goiás, atual PUC Goiás, a maior turma de que se tem notícia de graduação superior em Goiás, com tantos poetas e de destacadas trajetórias literárias”.
Ao concluir o prefácio, afirmou que os passos bem-edificados nas sólidas pegadas de “Travessias e outros poemas” reafirmam que a caminhada poética de Geraldo Coelho Vaz continua sendo uma excelente companhia.
