A Redação
Goiânia – O Hospital Estadual Alberto Rassi (HGG) realizou na última semana o primeiro transplante de fígado em Goiás. O paciente é Marcelo Mazão, 54 anos, e o procedimento durou cerca de oito horas, tempo considerado rápido, pela complexidade da cirurgia.
A apresentação do transplantado e o lançamento do novo serviço foram realizados ontem (26) no auditório do HGG, com a presença da equipe de transplantes, diretoria do hospital, do gerente da Central Estadual de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos de Goiás, Fernando Augusto Castro e do secretário de Saúde Leonardo Vilela.
De acordo com o chefe do Serviço Estadual de Transplantes Hepáticos do HGG, Claudemiro Quireze Júnior, a equipe começou a ser estruturada há mais de um ano, e é composta por quatro cirurgiões, uma hepatologista e anestesistas. “Nesse período, o Hospital trabalhou para atender às exigências legais para atender o serviço de transplante, além de fazer a aquisição de materiais. É um grande orgulho e a sensação de um sonho realizado. Esse preparo do HGG não foi rápido, e é considerada uma mudança de paradigma”, explicou.
Hospital SUS
Para o secretário de Estado da Saúde, Leonardo Vilela, trata-se de um marco para a medicina, não só do HGG, mas de todo o Estado. “Não canso de dizer que este aqui é um hospital SUS, gratuito, principalmente para as pessoas que mais necessitam”, disse Leonardo. “E o grande paradigma que nós quebramos foi oferecer um excelente serviço com profissionais de saúde extremamente qualificados, que estão entre os melhores de Goiás”, acrescentou.
Leonardo reforçou que o HGG se tornou referência em transplantes em 2017, quando lançou o Serviço Estadual de Transplantes Renais. “Hoje somos o maior transplantador de rim do Centro-Oeste Brasileiro. Dos 200 hospitais que transplantam rim, estamos entre os 10 que mais realizam (o procedimento). Nos sentimos muito orgulhosos e queremos aplaudir esse trabalho e toda equipe que participou”, ressaltou.
Nova vida
O paciente Marcelo continua internado na unidade para tratamento com imunossupressores (medicamentos), e deve receber alta na sexta-feira, 27 de julho. Muito emocionado, ele explicou que o seu estado de saúde era muito grave e que o transplante está dando a oportunidade de uma nova vida.
“Estou me sentindo muito feliz, me sentindo outra pessoa. Tenho certeza que minha vida já estava por um triz. Eu nunca perguntei aos médicos quanto tempo tinha de vida, mas pelas conversas dava para sentir que eu não chegaria nos 55 anos, que faço em novembro”, revelou, em entrevista à imprensa.
“Eu não sentia nada, a única coisa que eu tive foram os olhos amarelos. Meu problema era cirrose e câncer. Fiz exames e foi detectado que o problema era só no fígado, acrescentou. E fez questão de deixar um recado para a sociedade, em favor da doação de órgãos. “Eu quero reforçar a importância das pessoas serem doadoras, ainda mais, para a família respeitar essa vontade”, afirmou.