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Israel diz que não foi consultado sobre formação do Conselho Executivo de Gaza (foto: reprodução X)
Combantes em Gaza (Foto: reprodução)

Hamas diz ter chegado a acordo para se desarmar

Implementação pode levar até um ano

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31.07.2026 - 10:57:50

São Paulo – O Hamas chegou a um acordo para se desarmar, disseram autoridades à Associated Press (AP) nesta sexta-feira (31/7), em um movimento que pode ajudar a encerrar a guerra na Faixa de Gaza, mas que ainda depende de concessões de Israel e enfrenta desafios para ser implementado.

Segundo um integrante do Hamas e uma autoridade regional envolvidos nas negociações, o grupo aceitou um roteiro para o desarmamento desde que Israel encerre as hostilidades e retire suas tropas do território palestino. Israel ainda não comentou oficialmente o acordo, anunciado horas antes pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O entendimento ocorre nove meses após a assinatura de um cessar-fogo mediado pelos EUA. O plano de 20 pontos prevê que o Hamas entregue suas armas e destrua sua rede de túneis, ao mesmo tempo em que as forças israelenses deixariam Gaza. O acordo também contempla a instalação de um governo tecnocrático palestino, o envio de uma Força Internacional de Estabilização (ISF, na sigla em inglês) e a reconstrução do enclave.

As negociações sobre a implementação dessa fase estavam praticamente paralisadas, tendo o desarmamento do Hamas como um dos principais pontos de impasse. Caso seja concretizado, o processo representará uma mudança histórica para o grupo, cuja carta fundadora defende a resistência armada contra Israel e cuja estrutura militar é considerada parte central de sua identidade.

“O acordo será implementado em fases cuidadosamente estruturadas”, escreveu Trump nas redes sociais. Segundo ele, à medida que o desarmamento avançar, as tropas israelenses deixarão Gaza e a ISF atuará ao lado de uma nova força policial palestina para garantir a segurança do território.

Uma cópia do acordo obtida e verificada pela AP estabelece que as armas da polícia de Gaza serão transferidas ao Comitê Nacional para a Administração de Gaza, órgão tecnocrático palestino apoiado pelos EUA, quando ele assumir suas funções no enclave. O início desse processo, porém, depende da execução de outras etapas previstas no entendimento.

Também está prevista a desativação e o armazenamento de armamentos pesados, instalações militares e túneis do Hamas, etapa que começará após a chegada do comitê palestino e da ISF e será vinculada à retirada gradual das forças israelenses das áreas atualmente sob seu controle.

Na quinta-feira, uma autoridade israelense afirmou que Israel não deixará as regiões que ocupa em Gaza – cerca de 60% do território – antes que o Hamas seja desarmado e a Faixa seja desmilitarizada. A declaração foi feita sob condição de anonimato.

Segundo uma fonte com conhecimento das negociações, Israel participou de todas as etapas do processo, embora não seja signatário do acordo, firmado entre o Hamas e os países que atuam como mediadores e garantidores do cessar-fogo: Estados Unidos, Turquia, Egito e Catar.

Autoridades americanas e do chamado Conselho da Paz, órgão criado por Trump para supervisionar o cessar-fogo, afirmaram que a polícia de Gaza entregará suas armas inicialmente, mas que isso não inclui a maior parte dos combatentes do Hamas nem seu arsenal pesado. A entrega desse armamento e a desativação da infraestrutura militar ocorreriam posteriormente, em um processo estimado entre 200 e 350 dias. Esse cronograma, contudo, não aparece na versão do acordo obtida pela AP.

As fontes ligadas ao Hamas afirmaram que o grupo e outras facções concordaram em recolher e armazenar as armas pesadas sob supervisão do comitê tecnocrático palestino, sem entregá-las a Israel ou a outras partes não palestinas.

Uma autoridade americana disse que Israel, que sempre demonstrou ceticismo sobre a disposição do Hamas em abrir mão de seu arsenal e do controle de Gaza, foi consultado durante toda a negociação. Segundo ela, o governo israelense não assumirá compromissos além dos previstos no plano original de cessar-fogo.

Integrantes do comitê tecnocrático palestino afirmaram à AP que esperam entrar em Gaza em até dois meses, mas reconhecem que Israel poderá criar obstáculos. O grupo também alertou que a reconstrução das instituições públicas e da infraestrutura do território será um desafio de grandes proporções.

A guerra começou após o ataque liderado pelo Hamas contra o sul de Israel em 7 de outubro de 2023, que matou cerca de 1,2 mil pessoas e resultou no sequestro de 251 reféns. Em resposta, a ofensiva israelense matou mais de 73 mil palestinos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, que não diferencia civis de combatentes em seus balanços. Atualmente, grande parte da população permanece deslocada em acampamentos improvisados e bairros amplamente destruídos. Fonte: Associated Press.

*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. (Agência Estado)

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por Agência Estado

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