Samuel Straioto
Goiânia – Os seis candidatos ao governo de Goiás nas eleições de 2026 apresentam propostas diferentes para enfrentar as dificuldades de acesso à moradia e melhorar as condições habitacionais no Estado. Os planos incluem desde a ampliação de programas de habitação, regularização fundiária e melhoria de imóveis até medidas como aluguel social temporário, recuperação de imóveis abandonados e propostas de reforma urbana.
Levantamento feito pela reportagem do jornal A Redação, a partir da análise dos planos de governo apresentados pelos candidatos Daniel Vilela (MDB), Danilo Pinheiro (PCO), Luciana Amorim (UP), Luis Cesar Bueno (PT), Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL), mostra que a habitação aparece associada a diferentes estratégias de desenvolvimento social, planejamento urbano e geração de oportunidades.
Os documentos também apresentam níveis diferentes de detalhamento. Enquanto alguns candidatos estabelecem programas específicos para moradia e regularização fundiária, outros inserem o tema em propostas mais amplas de desenvolvimento regional, reforma urbana ou proteção social.
Daniel Vilela (MDB)

O plano de governo de Daniel Vilela apresenta a habitação dentro do eixo de Desenvolvimento Humano e Bem-Estar, com uma proposta denominada “Moradia Digna e Segurança para as Famílias”. O diagnóstico feito pela campanha do emedebista é de que o déficit habitacional ainda afeta famílias que enfrentam dificuldades para acessar a casa própria ou vivem em condições inadequadas.
A proposta é ampliar os programas estaduais de habitação e de regularização fundiária, fortalecendo iniciativas de construção de moradias, melhoria habitacional e acesso à casa própria. O plano estabelece que a política deverá priorizar famílias em situação de vulnerabilidade e municípios com maior necessidade habitacional.
Outro eixo é a segurança jurídica da posse. A proposta prevê ampliar a regularização fundiária para famílias que já vivem em áreas ainda pendentes de regularização, com o objetivo de garantir maior segurança sobre os imóveis.
O plano também apresenta a habitação como instrumento associado ao desenvolvimento social e econômico. A proposta é que a ampliação do acesso à moradia contribua para a segurança patrimonial, a qualidade de vida e a possibilidade de planejamento das famílias.
Na apresentação da política social do governo, o documento cita ainda iniciativas já existentes, como o Aluguel Social e as Casas a Custo Zero, ao lado de programas como Goiás Social, Crédito Social e Mães de Goiás. No entanto, no capítulo específico de habitação, a formulação central é a ampliação dos programas estaduais de habitação, regularização, construção e melhoria das moradias.
Danilo Pinheiro (PCO)
O programa apresentado pelo Partido da Causa Operária trata a questão da moradia a partir do combate à especulação imobiliária. O documento, porém, apresenta propostas de caráter nacional, sem estabelecer metas ou mecanismos específicos para a política habitacional do governo de Goiás.
Entre as medidas defendidas está a expropriação de imóveis vagos pertencentes a especuladores do mercado imobiliário. O partido também propõe a proibição de despejos e desocupações.
Outra medida é a elaboração de um plano nacional de construção de milhões de moradias populares, com a finalidade declarada de garantir habitação digna e, simultaneamente, gerar empregos. O programa prevê que a execução ocorra sob controle dos trabalhadores.
A habitação também aparece relacionada a outras propostas do PCO. O documento defende a destinação de recursos provenientes da exploração de riquezas naturais para áreas como saúde, educação, construção de moradias populares e obras de infraestrutura.
Assim, diferentemente dos demais documentos que apresentam programas estaduais mais diretamente relacionados à realidade administrativa de Goiás, o programa do PCO enquadra a política habitacional dentro de uma plataforma nacional de transformação econômica e social.
Luciana Amorim (UP)

A proposta de Luciana Amorim, da Unidade Popular, coloca a reforma urbana entre os principais eixos da política para as cidades. O programa associa habitação a planejamento territorial, infraestrutura e atendimento às populações que vivem em áreas periféricas e assentamentos precarizados.
O documento propõe investimentos massivos nas periferias urbanas e em assentamentos precarizados, articulando planejamento urbano, política habitacional e mobilidade. A ideia apresentada é aproximar as moradias das oportunidades de trabalho e educação.
Entre as medidas específicas está a recuperação de imóveis vazios para destinação à moradia e a equipamentos comunitários. O plano também defende a destinação de imóveis abandonados para enfrentar o déficit habitacional.
A candidatura propõe ainda a construção de um programa massivo de habitação popular, além da garantia de moradia digna, saneamento e coleta de lixo para todas as famílias goianas.
Outra proposta é a interrupção imediata das remoções de famílias que não têm onde morar. O programa também prevê um plano estadual de acompanhamento das pessoas em situação de rua e medidas voltadas à população que vive sem moradia adequada.
A política habitacional aparece, portanto, vinculada a uma concepção mais ampla de reforma urbana, com intervenções em infraestrutura, mobilidade, saneamento e ocupação do território.
Luis Cesar Bueno (PT)

No plano de Luis Cesar Bueno, a habitação aparece incorporada ao modelo de desenvolvimento regional baseado em oito zonas econômicas.
Para o petista, um dos problemas do desenvolvimento regional é a expansão urbana sem integração entre emprego, moradia, transporte e serviços. A proposta é planejar esses elementos conjuntamente para reduzir deslocamentos e preparar as cidades para o crescimento econômico.
Em diferentes zonas econômicas, o plano associa a expansão de atividades produtivas à necessidade de infraestrutura habitacional. Na região Central e de Anápolis, por exemplo, a proposta menciona habitação e transporte para trabalhadores. No Entorno do Distrito Federal, o planejamento inclui emprego local, transporte e saneamento. No Norte Goiano, o documento cita moradia e serviços compatíveis com os ciclos de investimento.
No corredor da FICO, a proposta prevê planejamento antecipado de moradia, saúde, educação e saneamento para preparar as cidades para os efeitos da expansão econômica. Nas regiões Sul e Sudeste, o plano também menciona mobilidade e habitação nos polos de crescimento.
A proposta denominada “Mobilidade Econômica” prevê que emprego, transporte, habitação e distribuição de mercadorias sejam planejados conjuntamente.
O plano também apresenta uma carteira de recursos relacionada ao Novo PAC, incluindo valores previstos para urbanização de periferias e ações de mobilidade, regularização e contenção de encostas. O documento ressalta, contudo, que esses valores representam uma carteira prevista e não equivalem necessariamente ao desembolso integral.
Marconi Perillo (PSDB)

Marconi Perillo propõe a retomada e atualização do Cheque Moradia, programa associado às suas administrações anteriores em Goiás.
A proposta prevê ampliar as possibilidades de acesso à casa própria, reforma e melhoria das moradias. O plano estabelece que a política habitacional deverá ser articulada a saneamento, infraestrutura urbana e regularização, evitando que a política se limite à construção ou entrega de unidades habitacionais.
O candidato também propõe combinar recursos e parcerias entre governo estadual, municípios, União e setor privado para ampliar a capacidade de atendimento da política habitacional e alcançar famílias em diferentes regiões do Estado.
Outro compromisso é ampliar a regularização fundiária, recuperando a experiência do programa Casa Legal – Sua Escritura na Mão. A proposta é avançar na titulação dos imóveis e garantir segurança jurídica às famílias que vivem em áreas ainda não regularizadas.
O plano amplia ainda o alcance territorial da política habitacional para comunidades rurais e tradicionais, incluindo assentamentos, comunidades quilombolas e o povo Calunga. Para esses grupos, o documento prevê considerar necessidades relacionadas a moradia, regularização, água, saneamento, energia e infraestrutura, além de respeitar os modos de vida e a identidade cultural dessas comunidades.
A proposta apresentada no documento define, dessa forma, moradia digna como uma política que envolve não apenas a unidade habitacional, mas também infraestrutura, segurança jurídica e integração à cidade.
Wilder Morais (PL)

Wilder Morais insere a política habitacional no programa “Família, Moradia, Creche e Cuidado”, uma das sete prioridades apresentadas no plano de governo.
A proposta combina diferentes frentes: casa própria, aluguel social temporário, regularização fundiária, melhoria de moradias e urbanização. O plano estabelece que esses mecanismos deverão funcionar com critérios públicos de atendimento.
Uma das características do programa é a previsão de divulgação de fila, critérios, valores, prazos de transição e caminho de saída para os benefícios. A proposta de aluguel social, portanto, é apresentada como uma medida temporária, associada a uma estratégia de superação da situação de vulnerabilidade.
O documento também propõe integrar moradia a outras políticas públicas. A habitação deverá ser tratada conjuntamente com creche, água, transporte, escola, saúde e oportunidades de renda.
A proposta prevê ainda a atuação conjunta com municípios e a integração da política habitacional ao planejamento regional. Entre as medidas está a união de ações de regularização, moradia, transporte, saneamento e segurança nos territórios urbanos que apresentam crescimento mais acelerado.
Nos primeiros 100 dias de governo, o plano estabelece a realização de uma auditoria das filas e dos cadastros habitacionais, a definição dos municípios prioritários e a publicação de uma carteira de ações de moradia, regularização e melhoria habitacional.
Resumo das propostas para Habitação e Moradia
|
Candidato |
Partido |
Principais propostas |
|---|---|---|
|
Daniel Vilela |
MDB |
Ampliar programas estaduais de habitação e regularização fundiária, com construção e melhoria de moradias, acesso à casa própria e prioridade para famílias vulneráveis e municípios com maior necessidade. |
|
Danilo |
PCO |
Expropriação de imóveis vagos de especuladores, proibição de despejos e desocupações e plano nacional de construção de milhões de moradias populares sob controle dos trabalhadores. |
|
Luciana Amorim |
UP |
Reforma urbana, investimentos nas periferias e assentamentos precarizados, recuperação de imóveis vazios e abandonados, habitação popular e interrupção de remoções de famílias sem moradia. |
|
Luis Cesar Bueno |
PT |
Integrar habitação ao planejamento das zonas econômicas, aproximando moradia, emprego, transporte e serviços e antecipando infraestrutura habitacional em áreas de expansão econômica. |
|
Marconi Perillo |
PSDB |
Retomar e atualizar o Cheque Moradia, ampliar acesso à casa própria, reforma e melhoria habitacional e recuperar o Casa Legal para ampliar a regularização fundiária. |
|
Wilder Morais |
PL |
Unir casa própria, aluguel social temporário, regularização, melhoria habitacional e urbanização, com critérios públicos e integração da moradia a creche, transporte, saneamento, saúde e trabalho. |
Fonte: levantamento da reportagem de A Redação, com base nos planos de governo dos candidatos ao governo de Goiás para as eleições de 2026.
