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Luís Alberto Pereira, presidente do Sistema OCB-GO (Foto: divulgação)

Guerra no Oriente Médio pressiona custos e leva cooperativas do agro a rever estratégias

Conflito gerou alta nos preços dos combustíveis e fertilizantes

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08.05.2026 - 17:53:12

A Redação

Goiânia – O agronegócio goiano tem adotado medidas para aumentar a eficiência, a inovação e o planejamento estratégico antecipado, a fim de minimizar o forte impacto da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. O conflito no Oriente Médio gerou alta nos preços dos combustíveis, especialmente o diesel, e dos fertilizantes, insumos fundamentais na cadeia produtiva.

O presidente do Sistema OCB/GO, Luís Alberto Pereira, afirma que a margem de remuneração das cooperativas é preocupante e exige a rápida adoção de medidas mitigadoras. O dirigente cita como exemplo a busca pelo aumento da produtividade, investimentos em tecnologia e em gestão, para reduzir custos nos processos de produção, quando possível.

“Também é importante formar parcerias com fornecedores, com clientes e com os colaboradores, de modo a enfrentar essa crise com menor custo para a sustentabilidade das cooperativas. O momento é desafiador, mas o setor cooperativista tem experiência em enfrentar crises como essa, vencê-las e sair cada vez mais forte.”

Welton Vieira de Menezes (Foto: divulgação)

Diesel mais caro
Welton Vieira de Menezes, diretor comercial da Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano (Comigo), explica que a elevação dos custos foi sentida principalmente no preço do diesel. O litro do combustível, que era adquirido por R$ 5,80 a R$ 6,00 antes do conflito, hoje, custa de R$ 7,00 a R$ 7,20.

“Essa é uma preocupação grande, porque eleva os custos de produção em todos os segmentos da cooperativa. Foram afetados o processamento de soja, fábricas de rações e matérias-primas como ureia, fosfato, além de embalagens, ração e insumos do processamento de soja”, diz.

Welton ressalta que, apesar do elevado custo de algumas matérias-primas, a Comigo precisa comprá-las em grande quantidade e formar estoques de segurança, para que não haja o risco de faltar. Essa precaução se justifica por não ser possível prever quanto tempo vai durar a guerra.

Cássio Teodoro, presidente da Cooperativa Mista Agropecuária do Vale do Araguaia (Comiva), acredita que os efeitos da instabilidade internacional tendem a se prolongar no médio prazo. Para o dirigente, mesmo quando os insumos recuam após as crises, o patamar dos custos costuma permanecer alto.

Cássio Teodoro (Foto: divulgação)

 

Efeito cascata
Em geral, a alta dos combustíveis e dos fertilizantes aumentou os custos operacionais das cooperativas do agro em toda a cadeia. De acordo com Sérgio Penido, presidente da Cooperativa Mista dos Produtores de Leite de Morrinhos (Complem), o reflexo imediato é a necessidade de capital de giro, a alta do frete e o risco nas operações de crédito. “Para alguns produtores, a conta já não traz liquidez suficiente para cumprir seus compromissos”, constata.

Sérgio Penido, (Foto: divulgação)

Para minimizar a situação, as cooperativas do agro goiano têm focado em investimento em tecnologia e inovação, além de adotar gestão e planejamento  antecipados. A Comiva planejou previamente sua compra de insumos, buscando janelas de melhor preço e fortalecendo parcerias e programas de fidelização para ganhar escala de negociação e diluir custos fixos.

A cooperativa investiu em tecnologias como pulverização por drones e manejos mais eficientes para consumir menos produtos e combustíveis por hectare. “Muitos produtores estão otimizando doses de fertilizantes com base em análise de solo mais detalhada, agricultura de precisão e recomendações técnicas mais específicas para cada talhão”, diz Cássio Teodoro.

Medidas logísticas também estão sendo adotadas, como ajuste de rotas e utilização roteirizada da frota, além de gestão de custos internos para que os cooperados sintam o menor impacto possível na ponta.

A Complem adotou, principalmente, negociações e reduções de custos, despesas, investimentos e crescimento, para minimizar a necessidade de capital de giro e os riscos. Sérgio Penido conta que a cooperativa fez a revisão do orçamento. “Usamos ferramentas financeiras para mitigar riscos, mas, se não houver produção, essas ferramentas trarão apenas mais custos”, frisa o presidente.
A Comiva também adotou mecanismos de proteção contra a volatilidade dos preços, como a troca de insumos por produção futura, que ajuda a travar parte da relação de troca entre grão e insumo.

Outra estratégia é o uso de mercados futuros e opções para proteção de preços de commodities agrícolas, além da diversificação do portfólio de produtos e serviços da cooperativa, o que dilui riscos setoriais e contribui para a estabilidade das sobras aos cooperados.

Absorção de custos
Os custos elevados forçam reajustes, mas as cooperativas estão trabalhando ao máximo para absorver o impacto. Itens de forte exposição internacional, como fertilizantes, inevitavelmente exigem repasses. Porém, em serviços, logística e estrutura administrativa, as cooperativas têm trabalhado para absorver parte dos custos, por meio de eficiência operacional, tecnologia e ganho de escala.

No entanto, existe uma preocupação geral com a queda de produtividade. A longo prazo, é possível que o repasse para a ponta seja maior. “Estamos trabalhando junto a fornecedores e prestadores de serviços para atenuar a alta, porém, está ficando insustentável”, enfatiza Sérgio Penido.

Cadeia do transporte
O impacto também foi sentido no setor de serviços, principalmente na área de transportes. O aumento do óleo diesel foi o mais perceptível, mas também há alta no preço dos pneus e lubrificantes. “O petróleo em alta acaba pressionando toda a cadeia do transporte”, afirma Robson Biancardi, diretor-presidente da Cooperativa de Transporte Cooproves.

Robson Biancardi (Foto: divulgação)

A Cooproves tem absorvido o custo e adota operações em que ela mesma compra o óleo e o repassa para o cooperado, a fim de reter o máximo possível a alta do custo. As medidas tomadas pelo governo federal, para baixar o preço do óleo diesel, ajudaram bastante, segundo o dirigente, mas têm prazo limitado.

“Não conseguiremos permanecer assim por muito tempo; a esperança é alguma solução urgente. Se não, teremos que conversar com os clientes e tentar negociar parte desses valores para diminuir um pouco a perda”, explica Robson.

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por Taíssa Gomes

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