A Redação
Goiânia –
O quarteto goiano de música experimental Vida Seca lançou no início de fevereiro o terceiro álbum de sua carreira. O novo trabalho recebeu o nome de Upan, um referência, segundo o grupo, a um personagem híbrido que representa uma cultura musical global, que pode ser ouvida nas faixas do álbum. O personagem ilustra a capa do álbum, em desenho do artista Danilo Itty.
No total, são dez faixas no novo álbum, que parte da ideia da fusão de variadas musicalidades do mundo. Os três primeiros singles do disco foram disponibilizados ainda em 2020: Tudo Câimbra, em julho, Flautas Victory, em setembro, e Cubana, em novembro. O grupo também produziu dois videoclipes para seu canal oficial no YouTube, um para Tudo Câimbra e outro para a faixa Banzo, sem lançamento no formato single.
Antes de Upan, o Vida Seca se tornou conhecido pelos álbuns Som de Sucata, de 2009, e Rua 57, Nº 60, de 2015, além de um DVD que levou o nome da banda, lançado em 2012. Em 2014 uma edição alternativa de Som de Sucata foi lançada no mercado europeu e japonês pelo selo Novo Mundo.
Desta vez, o álbum Upan foi lançado pelo selo Cena Cerrado Brasil, produtora de Uberlândia (MG), que atua no meio independente desde 2014 e anuncia que tem o objetivo de criar uma rede cultural fora do eixo das capitais.
Vida Seca
O Vida Seca desenvolve há 15 anos um trabalho de pesquisa musical e criação de instrumentos a partir de materiais descartados e alternativos. Este trabalho resultou em um acervo instrumental de sonoridade particular, com o qual criou um repertório de música autoral influenciada por musicalidades experimentais e populares.
O grupo surgiu quando os amigos Igor Zargov, Pablo Petrucelli, Ricardo Roqueto e Thiago Verano juntaram-se para apresentar um repertório que desenvolviam junto ao Bloco do Lixo (2002-2004). Em 2006, Pablo deixou o grupo e foi substituído por Danilo Rosolem. O novo quarteto passou a usar somente instrumentos musicais construídos com matérias primas descartadas. Estava definida, então, a identidade do Vida Seca, que passou a construir instrumentos de percussão, sopros e cordas cada vez mais elaborados, ao mesmo tempo em que desenvolveu oficinas musicais e ambientais em várias comunidades, escolas e empresas.
Eles já realizaram duas turnês em Portugal, em 2009 e 2010, onde visitou várias cidades, com destaque para a participação no Cine Eco – Festival de Cinema Ambiental da cidade de Seia, do intercâmbio com o grupo de percussão tradicional portuguesa Tocá Rufar, no Seixal, região de Lisboa, da participação no festival Caldas Late Night, na cidade de Caldas da Rainha, e das apresentações em várias casas da cidade do Porto, como o Teatro Passos Manoel e a Casa Viva.
Com o projeto de intervenção urbana POR ACASO – tardes de improviso, que criaram junto aos parceiros do ¿porqua? grupo que dança, viajaram para a Argentina e o Uruguai no ano de 2016, passando pelas cidades de Buenos Aires e Montevidéu. Com o mesmo projeto estiveram nas cidades de Porto Alegre (2016), Brasília (2015) e Rio Janeiro (2014), além de intervenções em Goiânia e no interior de Goiás entre os anos de 2012 e 2019, com destaque para participações no Festival de Culturas Tradicionais da Chapada do Veadeiros, realizado na vila de São Jorge, em Alto Paraíso, em 2017, e da participação no Festival de Circo de Taquaruçu, no Tocantins, no mesmo ano.