A Redação
Goiânia – Deflagrada no fim de fevereiro, a greve dos técnicos-administrativos em educação das universidades federais já atinge mais de 50 instituições em todo o país, segundo balanços recentes de entidades da categoria. O movimento tem adesão majoritária na rede federal e compromete o funcionamento de serviços essenciais, ampliando a pressão sobre o governo por avanços nas negociações.
De acordo com levantamento recente da Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra), ao menos 50 das 69 universidades federais registram paralisações totais ou parciais. O movimento também alcança mais de 50 universidades e institutos federais, segundo diferentes balanços divulgados nos últimos dias.
A adesão é nacional, com maior concentração no Sudeste, seguido por Nordeste e Sul. Em algumas instituições, a greve já dura cerca de dois meses, enquanto outras aderiram mais recentemente, ampliando o alcance do movimento.
Reivindicações
A paralisação foi deflagrada no fim de fevereiro, organizada pela FASUBRA, e tem como principal eixo o cumprimento integral do acordo firmado com o governo federal ao final da greve de 2024.
Entre as principais reivindicações da categoria estão:
- implementação completa do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC);
- redução da jornada de trabalho de 40 para 30 horas semanais;
- regulamentação de benefícios e condições específicas, como plantões em hospitais universitários;
- melhorias para aposentados e valorização da carreira.
Os servidores também cobram avanços em pontos previstos no Termo de Acordo nº 11/2024, assinado após a última grande greve nacional da educação federal.
Impacto
A greve afeta principalmente as atividades administrativas e de suporte das instituições. Serviços como bibliotecas, laboratórios, matrículas e emissão de documentos apresentam atrasos ou funcionamento reduzido.
Em alguns casos, universidades adotaram medidas emergenciais, como recesso acadêmico temporário, diante das dificuldades operacionais causadas pela paralisação.
Os técnicos-administrativos atuam em áreas estratégicas — desde hospitais universitários até setores de atendimento ao público —, o que amplia os efeitos da greve sobre estudantes e a comunidade acadêmica.
Negociação
O governo federal afirma que parte das demandas já foi atendida. Segundo o Ministério da Gestão e Inovação, medidas como reajustes salariais, reestruturação de carreira e previsão de regulamentação do RSC foram incorporadas à legislação recente e estão em fase de implementação.
Ainda assim, entidades sindicais sustentam que pontos centrais do acordo seguem sem execução prática, o que motivou a continuidade da greve e a intensificação das mobilizações, incluindo atos nacionais e pressão política em Brasília.