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‘Grande meta da secretaria é pagar o piso nacional’

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31.07.2011 - 15:11:30

A Redação

Melhorar a produtividade e enxugar o orçamento. Desafio de qualquer gestor, a proposta de Thiago Peixoto para a Secretaria da Educação do Estado de Goiás é ousada, mas passa por caminhos tortuosos. Entre eles, os mais complicados são trazer de volta às salas de aula mais de 10 mil professores em desvio de função e aumentar o salário dos docentes da rede em  R$72,69. Parece pouco, mas é o que falta aos professores goianos para alcançar o piso nacional, estipulado hoje em R$1.597,18. Atualmente, o salário pago pela Secretaria em Goiás está em vigésimo segundo lugar no ranking comparativo entre os valores pagos nos 26 estados federativos e no Distrito Federal.

Em entrevista ao AR, o Secretário explica que ainda não há previsão para o aumento na remuneração dos professores, mas que essa é uma das principais metas de sua gestão. Enquanto isso, a principal aposta de Peixoto para a melhoria na qualidade do ensino e assiduidade dos docentes é o programa Reconhecer, que bonifica os professores pelo bom desempenho. Inspirado em projetos de outros estados e países, o programa gera críticas e pôlemica por ainda não ter a eficiência comprovada no rendimento dos alunos. Ele promete para setembro uma reforma educacional que será "o marco" de sua gestão.

Nesta segunda-feira (1/8), Thiago fará a abertura do segundo semestre letivo da rede estadual de ensino. Em cerimônia no Colégio Estadual Polivalente Professor Goiany Prates, Thiago  também irá apresentar perspectivas para a Educação em Goiás neste segundo semestre, além de detalhar projetos e mudanças já implementadas – e que ainda estão por vir – por esta gestão. Na entrevista abaixo, ele discorre sobre estes projetos.

 
 

Confira os principais trechos da entrevista:

AR – O programa Reconhecer prevê bônus de até R$1.500 para os professores da rede. Há projetos similares em São Paulo e em outros estados e eles têm recebido algumas críticas sobre a eficiência. Por que o senhor acredita que esse programa de recompensa vai funcionar em Goiás?

Thiago Peixoto – Como em qualquer sistema, nós temos os bons e os maus profissionais. Acho injusto que um bom profissional tenha o mesmo tratamento daquele que não entrega resultados. O Reconhecer tem esse intuito, valorizar os que fazem diferença em sala de aula. O projeto de São Paulo, em específico, tem dado muito certo. Foi criticado no início pelos sindicatos e pelos professores mas, hoje, depois de grande reformulação, há apelo dos professores para que o programa continue. A polêmica toda surgiu do projeto de Nova York, pois foi divulgado um estudo recente mostrando que lá o programa não atingiu os resultados esperados.  Eu conheci o projeto in loco e ficou muito claro que ele não era o foco da reforma educacional em NY, era apenas um dos itens. Fui até as escolas, conversei com professores e vi que esse não era o foco. Outra coisa também é o valor da remuneração sobre o salário que não gerava estímulo. Em Goiás e em outros estados o bônus representa uma melhoria relevante na remuneração o que estimula mais o processo.  A gente está tendo grande aceitação dos professores, pelo grande retorno dos professores à sala de aula exatamente por conta do Reconhecer.

O Sr. já tem o número de quantos professores retornaram para a sala de aula?

De um total de 29 mil, nós tínhamos 14 mil professores fora de sala. Quase 50%. Hoje, são 10 mil e, no segundo semestre, serão ainda menos. Estamos fechando essa contabilidade. Com a substituição dos temporários pelos efetivos, nós vamos ter condições para que a Secretaria apresente um plano mais adequado de remuneração para os professores.  O problema é que estar na sala de aula era bem menos vantajoso do que em qualquer outro cargo administrativo e era preciso contratar temporários para ficar no lugar dos professores.  Nós estamos corrigindo essa distorção, exigindo e incentivando o retorno à sala de aula.

A principal reivindicação dos professores é o aumento da remuneração. O novo plano de cargos que vai ser possibilitado pelo corte nos contratos temporários já tem data para ser apresentado?

A grande meta e compromisso do governo Marconi Perillo é pagar o piso nacional. Mas ele geraria um impacto de R$500 milhões na folha do estado. Se eu pagasse o piso a partir de hoje, ele representaria 110% no meu orçamento total. Eu não poderia ter gastos com merenda, com transporte, nada. Com a redução que estamos promovendo, eu terei uma margem para discutir com o sindicato o possível pagamento do piso o mais rápido possível. Outra atitude que estamos tomando é uma conversa intensa com o Ministério da Educação em Brasília para que o MEC colabore com o pagamento do piso em Goiás. É uma discussão entre todos os estados e o Ministério, já que na lei do piso consta essa possível contribuição do Governo Federal.

Na gestão passada foi declarado que houve um convênio com a Agetop e a liberação de R$100 milhões para reforma das escolas. O Governador Marconi Perillo afirmou que não houve esse investimento. Vocês conseguiram apurar isso?

Foram R$100 milhões contabilizados em investimentos na Educação mas que não foram utilizados para esse gasto específico, que era a reforma nas escolas. Era um convênio entre a secretária e a Agetop aonde foi transferido o recurso para a Agetop mas utilizado em outras coisas. Nós não conseguimos identificar onde foi gasto esse recurso. É um processo que está correndo. Mas houve um desvio de R$100 milhões.

O Sr. assumiu  a secretaria com um discurso ousado, de fazer uma revolução, mas tem um orçamento apertado. O que já foi possível ser feito até agora?

No início de setembro apresentaremos um plano de reforma educacional que vai promover grandes mudanças no nosso sistema educacional. É uma reforma que vai abranger todas as áreas da secretaria, tanto do ponto de vista de gestão quanto do ponto de vista pedagógico e que acredito que será um marco desta gestão. Mas, enquanto isso não acontece, algumas ações que farão parte dessa reforma já estão acontecendo. Uma delas é a posse que estamos fazendo dos diretores das escolas, entendendo que eles são os líderes necessários e fundamentais para promover as mudanças que a educação precisa em Goiás. Nós mudamos todo o processo de escolha desses diretores, apostando na maior qualificação desses gestores. Antes era uma eleição feita pela comunidade escolar, sem critérios. Agora, quem quis se candidatar teve que fazer um curso de 40h, com teste, para participar do processo de escolha. Depois de passar na prova, o candidato teve que apresentar um projeto de gestão e pedagógico para a escola. Aí sim houve um processo de escolha. Os diretores empossados agora no dia 1 de agosto serão obrigados a passar por um curso de pós-graduação em gestão escolar que a secretaria oferecerá. Queremos qualificiar o máximo possível esse gestor. Mesmo com todas as dificuldades financeiras, também conseguimos dar um aumento de 45% para esses diretores. Isso também incentivou o processo seletivo.

A Secretaria promoveu duas avaliações dos alunos e está indo para a terceira etapa do processo em agosto. No que os dados coletados ajudarão a gestão?

Algo simples, até um pouco óbvio, mas que não era realizado. Nós precisávamos saber onde estávamos para saber para onde ir. E, para isso, teríamos que ter essa avaliação pedagógica. Todos os estados a fazem de forma anual. Nós vamos fazer uma no estado ao fim do ano, mas nós resolvemos fazer bimestralmente, para medir se as mudanças estão dando resultado ou não. E aí entramos em um detalhamento para saber em quais pontos os alunos avançaram e quais os pontos de carência, para que possamos dar um retorno necessário aos estudantes. Isso tem colaborado muito, inclusive na formação dos professores. Com as duas avaliações que já foram feitas, nós conseguimos levantar quais as principais dificuldades dos nossos alunos em cada região do estado. E aí nós temos um grupo de qualificação de professores que vai em cada região com os dados avaliados, senta com o professor, explica quais as principais dificuldades dos alunos.

E como tem sido o diálogo com os servidores sobre todas essas mudanças que o Sr. comentou? Porque tudo isso afeta a rotina das pessoas.

Você pega alguém que tem uma vida fora da sala de aula. Ela fica contrariada. Aí você multiplica isso por 14 mil. No ponto de vista coletivo, tem todo sentido fazer isso. Mas no universo da pessoa, isso incomoda. É interessante que as pessoas querem ver uma revolução, desde que não mexam com a vida delas. Quando você começa a promover essas mudanças, você gera resistência, gera atritos. Mas esse é o processo natural de qualquer revolução. Existem posições contrárias, divergências, mas também existe uma determinação muito forte para que paremos de conviver com os índices educacionais alarmantes que temos em Goiás. Em que 95% dos alunos que terminam o ensino médio não têm conhecimento básico de matemática. Quase 70% não têm conhecimento básico de português.

Hoje uma das regiões mais problemáticas do Estado é o Entorno do Distrito Federal. A Secretaria tem dado atenção especial a esses municípios?

Existe um projeto específico voltado a regiões problemáticas como o Entorno, que é voltado às escolas vulneráveis. É onde temos o maior número dessas escolas. Estamos com um projeto muito ousado, com parceria com o MEC. Há um mês atrás tivemos uma reunião com o Ministro Fernando Haddad e o Governador Marconi Perillo e o Governador propôs que fizéssemos um projeto único, unindo Estado e Governo Federal para cuidar da região. Então estamos trabalhando esse projeto para que, em breve, possamos fazer uma grande mudança nessa área.

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