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Goyania

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24.10.2023 - 11:40:18

Goiânia – ainâioG – Ainoã: duas pessoas são mencionadas na Bíblia com este nome – filha de Aimaaz e a esposa de Saul (Sm 14:50) e uma jezreelita, primeira esposa de Davi (Sm 25:43, 1 Sm 27:3). Ela era a mãe de Amnon (2 Sm 3:2). Ainoã provavelmente significa “meu irmão é bom”.
 
A palavra Goiânia se origina também de Goyanna, do tupi-guarani, que significa “terra de muitas águas”. Ainda, defende-se que o nome para batizar a cidade teria vindo da adaptação ortográfica e possivelmente fonética do título do livro Goyania, a primeira publicação literária cuja temática gira em torno de Goiás. Trata-se de um poema épico do escritor Manuel Lopes de Carvalho Ramos, publicado em 1896.
 
Instituído, em 1933, um concurso público para escolha do nome que deveria ser dado à nova Capital do Estado de Goiás, o professor Alfredo de Castro foi buscar no poema de Manuel Lopes de Carvalho Ramos o nome de "Goiânia — nova Goiás, prolongamento da histórica Vila Boa, monumento grandioso que simbolizará a glória da origem de todos os goianos". Quando do lançamento da pedra fundamental de Goiânia, um exemplar do poema épico de Manuel Lopes de Carvalho Ramos foi colocado na urna histórica.
 
Carvalho Ramos retrata a projeção do autor do que teria sido a batalha entre Bartholomeu Bueno e os índios das terras de Goyaz, mas no prólogo de sua opus definiu os primeiros sentimentos dos pioneiros de cá: Cantar a natureza, sentir o belo, amar a virtude, animar o progresso, contradizer a incredulidade, combater o materialismo e stygmatisar a superstição — eis o fim.
 
O sentimento de Carvalho Ramos entoou forte na cultura do goianiense. Afinal, amamos o Meia Ponte, o Palmito, o Areião e o Botafogo. Vivemos na nossa memória, que precisa a cada ano de alimento, das imagens do Araguaia, do Paranaíba e da Serra Dourada. Rememoramos o desbravador Bartolomeu Bueno, filho de Anhanguera, e lutamos, constantemente, para homenagear a terra das Diretas Já. Firmamos a nossa fé na estrada para Trindade, na Sagrada Família, nos braços da Nossa Senhora de Assunção e no poderio das Assembleias, das Federações e dos terreiros. Sabemos bem ouvir tais guias na construção de dois centros robustos da ciência, pelos títulos que nos foi reservado na medicina e no ensino.
 
 Tudo isso pode-se ser lido ao transitar pela imagem de Nossa Senhora formada no Centro de Goiânia pelas avenidas Paranaíba, Tocantins, Goiás e Araguaia. Sendo a Praça Cívica a “cabeça do seu manto”. Ao ponto central, a estátua de Bartolomeu Bueno da Silva, filho de Anhanguera, ou o Diabo Velho que colocou fogo na água. Ou seria Tupã? O enviado de Deus que tinha o mesmo poder e era assim chamado pelos Tupinambás. Acima da estátua, corre a Avenida Goiás com o relógio a marcar o tempo daqueles que apreciavam no coreto o pioneirismo de Pedro, sem deixar a preguiça abarcar. Afinal, Iris ainda tinha que terminar a Capital, a marcando como berço da Democracia como a conhecemos, atual.
 
Cidade que detém um parque a cada córrego para crer no futuro ao preservar o Meio Ambiente. Desfruta do título de Capital do Interior do País com sua imensa Praça Universitária e seu porto seguro – clínico médico. Assim, é nítido que quem trabalha ativamente no auge dos seus anos de saúde confia à cidade seus filhos para serem educados e, seus pais ao tratamento.
 
Nasci na beira do córrego Areião, mas não sou tão velho como a expressão, apesar da maternidade ser longeva. Filho da mãe Simone, que é filha de indiano com um povo bem branco. Fui carregado dos braços do meu pai Adair, nascido aqui quando a cidade não tinha 20 anos, para os braços de Iris Rezende na Praça do Trabalhador nas eleições de 90. Corri com Maguito na Avenida 85, no comitê das eleições de 94. Perdi o tampão do dedão ao jogar bola na 22. Chorei no Jóquei Clube a morte de Senna em um domingo de 94. Corri com a Esquadrão no 5 a 3. Vi meus familiares tremerem pelo Césio-137 e senti na pele o enfrentar e as perdas da covid. Adentrei nas primeiras turmas de Zootecnia na Católica. Conclui o bacharelado de Direito na PUC de prédio novo da Fued Sebba. Li, por anos, o Opção do Tio Herbet retratando o possível nas terras dos Buenos, dos Coimbras e dos Louzas. Feito de paçoca, pequi e com o pé rachado, novo para Césio e Covid, a cidade sempre nos faz lembrar da distância entre a dor e a felicidade, demonstrando que nada continua lindo, que a garoa passa, que a sequidão encara chuva e que a esperança não pode se findar.
 
A bela Goiânia me fez chorar muito a partida de Maguito, afinal, eu vi e participei da Aparecida criada pelo Vilela e, sei que com Ele, teríamos o que comemorar ainda mais aos 90 anos de todos nós – indianos, bela-vistenses, jataienses, judeus, polacos, africanos, árabes, asiáticos, portugueses, comerciantes, mascates, fazendeiros, médicos e toda sorte de raças, cores, profissões, credos e amores que formamos o que pulsa na aorta do Brasil!
 
Rezo para que a esperança e o trabalho do povo mais belo do planeta façam saltar em estilhaços as enormes rochas conhecidas e, crie em seu seio líderes capazes de encarar demônios desconhecidos que nos aguardam, que embargam o nosso progresso aspirado agora ardentemente por uma população sequiosa de luz, ansiosa para explorar as riquezas do majestoso torrão goiano. Afinal, Tupã e Nossa Senhora nos protegem e nos guiam. Parabéns, Goiânia! 
    
Kowalsky do Carmo Costa Ribeiro, advogado, Procurador-Geral da Câmara Municipal de Goiânia

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por Kowalsky Do Carmo Costa Ribeiro

*José Abrão é jornalista, mestre em Performances Culturais pela Faculdade de Ciências Sociais da UFG e doutorando em Comunicação pela Faculdade de Informação e Comunicação da UFG

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