A Redação
Goiânia – Integrantes do governo de Goiás e da Organização de Estados Americanos (OEA) se reuniram na sexta-feira (31/10), em Washington (EUA), para discutir os procedimentos adotados para esclarecer o desaparecimento de 36 pessoas entre os anos de 2000 e 2011.
No encontro, que teve a participação do secretário de Estado de Relações Internacionais, Isanulfo Cordeiro, e do superintendente de Inteligência da Secretaria de Estado de Segurança Pública, Marcelo Aires Medeiros, os desaparecimentos foram um a um discutidos e apresentados, ficando acertada a vinda de missão da Comissão Internacional de Direitos Humanos ao Estado (CIDH) para dar continuidade ao esclarecimento dos casos.
O representante da SSP-GO citou a prisão do suposto serial killer Tiago Henrique Gomes da Rocha e as operações para prender policiais civis e militares acusados de práticas de crimes e corrupção como exemplos de ações desenvolvidas no Estado. Medeiros ressaltou a queda nos índices de desaparecimentos e de mortes envolvendo policiais das corporações goianas.
Também esclareceram que, além das medidas adotadas pelo Estado, os casos estão sob a competência do Poder Judiciário. "Apresentamos toda a documentação que detalha a atuação do governo estadual para esclarecer os casos. São 22 relatórios, com 2 mil páginas, que narram os esforços do Estado de Goiás para investigar e punir agentes públicos envolvidos em crimes", disse o superintendente de inteligência da SSP.
Foram abordadas medidas adotadas para esclarecer os desaparecimentos e coibir o surgimento de novos casos. Entre eles estão a Criação da Comissão de Direitos Humanos, o reforço da atuação das corregedorias das Polícias Civil e Militar, a criação da Ouvidoria da Segurança Pública e a criação de unidade específica para investigação de casos de desaparecimentos considerados forçados.
Marcelo Medeiros e Isanulfo Cordeiro mencionaram ainda a realização de operações policiais para prender agentes públicos acusados de crimes e a construção, em fase final, do Centro Integrado de Inteligência e Controle (CIIC).
A reunião na OEA teve a participação do embaixador do Brasil na entidade, ministro Breno de Souza Dias da Costa, e de Luciana Perez, chefe da Assessoria Internacional da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. A delegação dos chamados denunciantes, que levaram o caso para a OEA, foi formada pelo defensores públicos federais Adriano Cristian Carneiro e Bruno Arruda, pelo deputado estadual Mauro Rubem (PT) e pelo advogado da Associação Cerrado Allan Hahnemman Ferreira.