A Redação
Goiânia – Investimentos em pessoal, tecnologia e infraestrutura marcaram a agenda da segurança pública em Goiás durante o mês de maio. Entre as principais ações estão o anúncio de um pacote de R$ 1,2 bilhão para servidores da área, a entrega de uma nova unidade prisional, a expansão do programa IA Contra o Crime e a realização de operações integradas de combate à criminalidade.
Os investimentos ocorrem em um contexto de redução dos índices de violência no estado. De acordo com o Atlas da Violência 2026, divulgado na última terça-feira (26/5), Goiás registrou queda de 58,4% na taxa de homicídios na última década, o segundo maior recuo do país. Segundo o levantamento, entre 2019 e 2024 os crimes contra a vida diminuíram 43% no estado, enquanto dados do Observatório da Segurança Pública apontam redução contínua dos principais indicadores criminais nos últimos sete anos.
Ao comentar os resultados, o governador Daniel Vilela destacou os investimentos realizados nas forças de segurança, a adoção de novas tecnologias e a integração entre as corporações. “O Governo de Goiás seguirá garantindo que o estado seja terra de gente de bem, onde bandido não se cria e não se criará”, afirmou. “Goiás seguirá entre os estados mais seguros do país”, acrescentou.
No dia 20 de maio, o governo anunciou um pacote de valorização dos profissionais da segurança pública, com impacto estimado em R$ 1,2 bilhão até 2027. Entre as medidas estão a criação de auxílio-alimentação de R$ 1 mil para mais de 24 mil servidores, reajustes salariais, reestruturações de carreira, ampliação de gratificações, linha de crédito habitacional e outros benefícios. O projeto de lei ainda será analisado pela Assembleia Legislativa de Goiás.
Na área de infraestrutura, foi entregue em Formosa, no dia 19 de maio, a nova Unidade de Polícia Penal, construída com investimento de R$ 49 milhões. A unidade tem capacidade para 400 detentos e conta com sistemas de monitoramento, salas de aula, galpões de trabalho e estrutura automatizada de segurança e abastecimento hídrico.
Dois dias depois, em Planaltina de Goiás, foi inaugurada a nova sede da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam). A unidade passou por revitalização para ampliar as condições de atendimento às vítimas de violência.
A tecnologia também ganhou destaque nas ações da área. O programa IA Contra o Crime, lançado em janeiro, teve sua atuação ampliada. A plataforma utiliza inteligência artificial para cruzamento de dados, análise de imagens de câmeras de segurança, reconhecimento facial, leitura de placas e monitoramento em tempo real, auxiliando investigações e a recuperação de veículos.
Durante visita a Formosa, o governador acompanhou a implantação do novo Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), responsável pelo gerenciamento do programa na região. A estrutura monitora 160 câmeras em tempo real. Segundo o governo estadual, mais de 1,3 mil casos foram solucionados com auxílio da plataforma nos primeiros quatro meses de funcionamento.
Em maio, representantes das embaixadas do México, Haiti e Equador conheceram a tecnologia utilizada pelo programa e visitaram o Complexo Prisional Policial Penal Daniella Cruvinel, em Aparecida de Goiânia, onde acompanharam ações relacionadas à gestão penitenciária e ressocialização.
Operações Policiais
O mês também foi marcado pela intensificação de operações contra organizações criminosas, tráfico de drogas e crimes cibernéticos. Entre os dias 18 e 22 de maio, a Polícia Civil realizou 16 operações simultâneas em Goiás, algumas delas com desdobramentos em outros estados.
Entre as ações está a sétima fase da Operação Destroyer, voltada ao combate a uma organização criminosa investigada por distribuir drogas por meio de sistema de delivery, utilizando motocicletas e veículos para transporte de entorpecentes.
Outra operação de destaque foi a Agropix, que apura a atuação de uma organização especializada no golpe conhecido como “mão fantasma”, modalidade de fraude eletrônica praticada por meio do acesso remoto a dispositivos bancários de produtores rurais e empresários. A ação ocorreu simultaneamente em Goiás, São Paulo, Santa Catarina e Distrito Federal, resultando em prisões, bloqueio de bens e medidas de descapitalização dos investigados.
A Polícia Científica também realizou a Operação In Loco, força-tarefa conduzida em 15 unidades prisionais do estado para coleta de material genético de detentos. A expectativa é incorporar mais de 1,4 mil novos perfis ao Banco Estadual de DNA, utilizado em investigações de homicídios, estupros e outros crimes violentos.
