Samuel Straioto
Goiânia – Goiás registrou duas prisões em flagrante e 26 Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCOs), inclusive por crimes eleitorais, durante a votação deste domingo (4), sem ocorrências de grande vulto, segundo balanço divulgado em Goiânia pela Justiça Eleitoral e pela Segurança Pública do Estado. Os dados foram apresentados após o encerramento do período regular de votação, quando teve início a transmissão e a totalização dos votos.
O balanço também apontou 53 substituições de urnas eletrônicas, sem problemas sistêmicos, e a formação de filas em seções eleitorais ao longo do dia. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-GO) afirma que o processo transcorreu com normalidade.
O secretário de Segurança Pública de Goiás, Renato Brum, informou que a Polícia Militar atuou em todos os colégios eleitorais, em 246 municípios, com apoio da Polícia Federal. Os bombeiros ficaram de prontidão por causa da previsão de intercorrências climáticas, que não se confirmou. “Tivemos 26 TCOs e dois flagrantes, nenhum tipo de ocorrência de vulto”, afirmou.
Segundo o secretário, os colégios ficaram cheios, mas o clima foi tranquilo. “Os colégios eleitorais estiveram cheios, mas de forma muito pacífica, ou seja, foi um sucesso dentro da segurança pública”, disse.
Eleitorado e estrutura
A presidente do TRE-GO, desembargadora Elizabeth Maria da Silva, informou que mais de 5 milhões de eleitores estavam aptos a votar em Goiás, distribuídos em 15.676 seções eleitorais. “Encerramos o período regular de votação e iniciamos agora a etapa de transmissão e totalização dos votos. Em todo o estado de Goiás, mais de 5 milhões de eleitores e eleitoras estavam aptos a votar, distribuídos em 15.676 sessões eleitorais”, declarou.
Urnas: 53 ocorrências, sem problema sistêmico
De acordo com o tribunal, foram 53 intercorrências em que foi necessário substituir a urna eletrônica. O secretário de Tecnologia da Informação do TRE-GO, Frank Ribeiro, afirmou que os casos foram simples, como problemas de impressão e de bateria, além de dificuldades pontuais de alimentação elétrica em alguns municípios, resolvidas com o apoio da Equatorial. Segundo ele, as urnas mais novas têm autonomia de até oito horas, o que ajudou a suportar as ocorrências.
Frank disse que a taxa de problemas ficou em 0,4%, abaixo da média de 1,4% das eleições anteriores. “A nossa média é de problemas com urnas aí, gira em torno de 1,4%, e até agora, com os dados que eu recebi, a gente está em 0,4% de problema”, afirmou.
A taxa foi um pouco maior em Trindade, onde foram usadas urnas mais antigas, de 2013. Segundo o secretário, 11 urnas foram substituídas no município, o que representa 2,5%. “Tivemos substituições de 11 urnas lá, que dá um índice de 2,5%, mas algo muito dentro do esperado, e a equipe estava muito pronta para resolver tudo”, disse.
Filas e tempo de votação
O tribunal reconheceu a formação de filas em seções eleitorais ao longo do dia. Frank Ribeiro explicou que o limite foi de 400 eleitores por urna, abaixo dos 450 que costumam ser permitidos, e atribuiu parte da demora ao perfil da votação e ao comportamento do eleitor. “Se já tivemos seções fechadas agora, um motivo dos atrasos vai muito da forma como cada mesário trabalha, do comportamento das pessoas em votar. Alguns demoram mais que outros, algumas regiões têm mais dificuldade, e os horários não são tão bem distribuídos durante o dia, e tudo isso ajuda a gerar filas”, afirmou.
Segundo ele, a eleição teve seis cargos em disputa, o que aumenta o tempo na cabine. “A gente teve uma eleição com seis vagas, então é demorado. Todo mundo foi aconselhado a levar uma colinha, e quem não levou teve dificuldade”, disse. O tribunal prevê que algumas seções devem fechar mais tarde, mas afirma que o processo segue com normalidade.
Totalização e conferência dos boletins
O secretário de TI explicou como o eleitor pode conferir o resultado. O boletim de urna é impresso em várias vias ao fim da votação, e os dois últimos eleitores da seção podem acompanhar o processo e pedir uma cópia. “É só quem tiver interesse e achar que houve alguma alteração, vai lá, pega o resultado da sua seção, que foi publicado, e compara com o que for divulgado na internet”, afirmou.
Para ele, não deve haver divergência na totalização. “Sobre a totalização, os boletins vão chegar e o tribunal vai proceder a essa totalização. Se alguém tiver criado algum sistema de totalização paralela, poderia comparar, e vai ver que não vai ter nenhuma divergência”, disse.
Participação feminina
Ao avaliar o processo, Elizabeth Maria da Silva afirmou que o tribunal obteve êxito total. “De maneira geral, nós podemos afirmar que obtivemos 100% de êxito nesse processo eleitoral de 2026”, declarou.
Ela destacou ainda o significado institucional do momento. A desembargadora é a primeira mulher da carreira da magistratura a presidir o TRE-GO. “Tenho a honra de presidir o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás, sendo a primeira mulher da carreira da magistratura a ocupar a presidência desta corte”, afirmou. Segundo ela, as mulheres são hoje a maioria do eleitorado. “Mais de 52% das pessoas aptas a votar são mulheres. Estar à frente do tribunal neste momento é também testemunhar uma transformação histórica”, declarou.
