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Goiás: Confiança do empresário reage em julho, mas percepção da indústria segue abaixo do nível de equilíbrio. (Foto: Divulgação Fieg)

Goiás: Confiança do empresário reage em julho, mas percepção da indústria segue abaixo do nível de equilíbrio

Indicador da Fieg sobe para 43,9 pontos após queda registrada no mês passado

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14.07.2026 - 20:15:08

A Redação

Goiânia – A confiança do empresário industrial goiano apresentou leve recuperação em julho, mas permaneceu em nível insuficiente para indicar otimismo. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei Goiás), divulgado terça-feira (14/7) pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), alcançou 43,9 pontos, alta de 0,6 ponto em relação a junho (43,3). Apesar do avanço, o indicador completou sete meses consecutivos abaixo da linha dos 50 pontos, patamar que separa confiança e desconfiança entre os empresários industriais.

A melhora foi sustentada pelo Indicador de Expectativas, que avançou para 46,2 pontos, enquanto o Indicador de Condições Atuais recuou para 39,2 pontos, segundo pior resultado do ano. A diferença entre os dois subíndices chegou a 7 pontos, a maior registrada em 2026, evidenciando que o empresário continua avaliando negativamente o cenário presente, embora mantenha perspectiva relativamente mais favorável para os próximos meses.

A trajetória do Icei em Goiás reforça esse comportamento. Depois de iniciar o ano em 43,2 pontos, o indicador avançou para 45,5 em fevereiro, recuou em março, voltou a crescer até atingir 46,8 pontos em maio, melhor resultado do ano, caiu para 43,3 em junho e reagiu discretamente em julho. Em nenhum momento, entretanto, ultrapassou a linha dos 50 pontos.

Para o assessor econômico da Fieg, Cláudio Henrique Oliveira, o resultado confirma que a indústria goiana segue em compasso de espera. “A alta registrada em julho é positiva, mas ainda insuficiente para caracterizar uma recuperação da confiança. O empresário continua enfrentando dificuldades nas condições atuais de mercado, influenciado pelo custo do crédito e por um ambiente econômico que ainda limita decisões de investimento e expansão da produção. As expectativas permanecem melhores do que a avaliação do presente, o que demonstra disposição para reagir quando o cenário oferecer condições mais favoráveis”, afirma.

Construção também reage, mas segue abaixo dos 50 pontos – A indústria da construção em Goiás também registrou melhora em julho, embora continue abaixo da linha de confiança. O Icei Construção alcançou 45,9 pontos, avanço de 1,8 ponto frente a junho (44,1). O movimento foi impulsionado pelo Indicador de Condições Atuais, que subiu para 45,2 pontos, maior variação mensal do ano, enquanto o Indicador de Expectativas avançou para 46,3 pontos.

Mesmo com a recuperação, o setor segue distante do desempenho registrado no início de 2026, quando o Icei atingiu 54,2 pontos e todos os indicadores estavam acima da linha de confiança. Em julho, o índice permanece 8,3 pontos abaixo daquele patamar, indicando que a melhora recente ainda não configura mudança consistente de tendência.

Cenário nacional

O comportamento observado em Goiás acompanha o quadro nacional. Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Icei brasileiro caiu para 44,4 pontos em julho, o menor nível desde junho de 2020, período marcado pelos impactos da pandemia de Covid-19. Com o resultado, a indústria brasileira chegou a 19 meses consecutivos abaixo da linha dos 50 pontos, configurando a segunda mais longa sequência de falta de confiança da série histórica.

De acordo com a CNI, a piora reflete tanto a avaliação mais negativa das condições atuais quanto a redução das expectativas para os próximos meses. A combinação de juros elevados e aumento das incertezas econômicas e externas continua influenciando as decisões de investimento, produção e contratação na indústria brasileira.

Sobre o ICEI

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) varia de 0 a 100 pontos. Resultados acima de 50 pontos indicam confiança dos empresários, enquanto números abaixo desse patamar revelam desconfiança.

O indicador é composto por dois subíndices: Condições Atuais, que mede a avaliação da economia e das empresas nos últimos seis meses; e Expectativas, que projeta a percepção para os seis meses seguintes. Juntos, eles permitem acompanhar o comportamento do setor industrial e antecipar tendências da atividade econômica.

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por Michelle Rabello

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