Mônica Parreira
Goiânia – Uma semana depois de vencer as eleições presidenciais nos Estados Unidos, Donald Trump continua nas rodas de conversa, em manchetes de jornal, na boca de quem vai às ruas protestar e movimenta até as bolsas de valores. Para três goianos que moram nos EUA, a opinião é uma só: a vitória do republicano surpreendeu e é uma incógnita. Sobre a manutenção de suas promessas eleitorais, preferem “esperar para ver”, mas já acreditam que a imigração será uma das áreas mais afetadas pelo novo governo.
“Na noite da apuração, achava que a muralha azul ia mudar os números. Caí no sono. Acordei com o âncora da CNN falando que esperava o presidente eleito, Donald Trump, para o seu discurso”. Esse é o relato do goianiense Adriano Berocan, 46 anos. Especialista em TI, mora há mais de 15 anos na Geórgia, estado de maioria republicana. “Minha queixa é que ele não é a pessoa que diz. Para mim, ele é um charlatão”, criticou.

Adriano (foto ao lado) disse encarar com espanto o fato de ver tantos americanos ao seu redor comemorarem a vitória do magnata. “Vejo pessoas de defendê-lo como se fosse perfeito. O Trump ouviu a retórica republicana nos últimos sete anos e percebeu que era só repetir tudo para tentar ganhar”, opinou.
O goiano Rodrigo Sahium vive há quase quatro anos em Austin, no Texas, e compartilha da mesma opinião que o conterrâneo Adriano.
“As pessoas aqui ficaram muito surpresas com a eleição de Trump. Já foram identificados alguns protestos na cidade, principalmente no fim de semana, mas tudo pacífico. Moro no que costumo chamar de pontinho azul num Estado vermelho”, relatou.
Rodrigo classificou os eleitores do magnata como os chamados rednecks. Para ele, o que também contou muito a favor de Trump foi o posicionamento dos americanos que votaram em candidatos menos expressivos como protesto.
“Acharam que isso não elegeria o Trump, mas elegeu. Ele ganhou pelos colégios eleitorais. Foi uma injustiça com a Hillary. Esse cara chegou de pára-quedas, não acredito que será bom presidente”.
Imigração

Natural de Inhumas (GO), Rodrigo (foto ao lado) trabalha como funcionário público e conta os dias para se tornar cidadão americano, direito que vai conquistar no ano que vem.
Como está nos EUA legalmente, não teme sua estabilidade, mas sofre por imaginar a situação que outros estrangeiros terão de passar caso Trump cumpra suas promessas, que incluem leis mais rigorosas para imigrantes ilegais.
“Trump já tem muitos parlamentares favoráveis. Uma das medidas muito comentadas é a proibição de envio de dinheiro. Hoje, mesmo os imigrantes ilegais, conseguem enviar dinheiro para suas famílias por meio dos bancos. Com a lei que pretendem aprovar, essa prática será proibida, e isso é fácil de ser controlado aqui”, comentou.
Incógnita
Desde 1998 o arquiteto Erico Rosa vive a experiência de morar ora no Brasil, ora nos EUA. Quando está em solo americano, fica em Cambidge, no Massachusetts, que é predominantemente democrata. Os protestos ocorridos na região em virtude das eleições, de acordo com ele, envolvem grupos minoritários. Mas, após uma semana, o clima está melhorando. “Ninguém sabe ainda o que vem pela frente. Os protestos representam mais um inconformismo com o resultado”, disse.

Para Erico (foto ao lado), o maior alvo das críticas a Trump diz respeito ao seu caráter “berlusconiano”, ou seja, racista, arrogante.
“É lógico que há quem defenda, pois ele foi eleito com metade dos votos do país, muitos vindos da classe média baixa, que depende de empregos ligados à indústria de manufatura – que vem perdendo vagas para outros países, com mão de obra mais barata. Esse pessoal estava abandonado pelos dois partidos e ele prometeu trazer empregos de volta”.
Sobre a aceitação do presidente eleito dos EUA, o arquiteto goiano acha que será um processo complicado. Citou como exemplo a influência que a imprensa sofre por parte de alguns grupos minoritários. “O que vem pela frente é uma incógnita, pois ele nunca exerceu um mandato eletivo”, completou Erico ao sinalizar que só será possível fazer uma análise real da eleição de Trump depois que começar as atividades. O republicano assume o poder no dia 20 de janeiro de 2017.