A Redação
Goiânia –
Espetáculos de teatro e dança, contação performática de histórias, encontro de narradores natos, debates e oficina compõem a programação do Encontro & Conto – Festival de Narratividades, entre os dias 15 e 30 de agosto, em Goiânia. Com apoio do Fundo de Arte e Cultura, o projeto busca fortalecer a cultura oral por meio das artes cênicas, literatura e música. Todas as atividades são gratuitas, confira aqui a
programação completa aqui.
Com curadoria da atriz e pesquisadora Juliana Mado, o Encontro e Conto reúne manifestações artísticas, que se valem da narrativa como elemento de estruturação e de discussão estética. “Uma história só será de fato uma história quando é contada”, afirma. Segundo ela, a “atitude narrativa” está presente na performatividade do ser humano e a narração acorda nas pessoas o desejo de compartilhar experiências e vivências.
A Cia Teatro Balagan (SP) abre os trabalhos do festival com 10 atores em cena, no espetáculo teatral Cabras – cabeças que voam, cabeças que rolam, no dia 15 de agosto (quarta), às 20 horas, no Centro Cultural UFG. O texto encenado com muita música e dança é do dramaturgo Luis Alberto de Abreu, autor da minissérie Hoje é dia de Maria e coautor da telenovela Velho Chico, ambas produzidas e exibidas pela Rede Globo.
Nas vinte crônicas independentes que compõem Cabras – cabeças que voam, cabeças que rolam, o tema central é a Guerra. A vingança, o ethos guerreiro, o inimigo, os conflitos parentais, o nomadismo são narrados e cantados por diferentes vozes, que revelam suas perspectivas e delimitam um território e a aventura de estar fora dele.
Negro de estimação é um solo de teatro-dança do ator e bailarino Kleber Lourenço (PE), com realização do Visível Núcleo de Criação, que será apresentado em 21 de agosto, às 20 horas, no Teatro Goiânia Ouro. A dramaturgia do trabalho tem como base a adaptação de oito contos do livroContos Negreiros, do também pernambucano Marcelino Freire, ganhador do prêmio Jabuti de Literatura 2006 como melhor livro de contos. A Co-direção é de Marcondes Lima.
Identidade racial, religiosidade, exploração sexual, violência e racismo, permeados com humor, acidez e poesia. Durante cinquenta e cinco minutos de espetáculo, apresentam-se quadros que mostram a evolução do corpo negro, desde informações históricas aos questionamentos atuais. O corpo se desdobra em personagens que contam suas estórias e em movimentos fragmentados do universo das manifestações populares.
Contação de histórias
No segundo dia do Festival de Narratividades (16/8), a Cia. Ju cata-histórias (SP-GO) abre o programa de narração de histórias, às 15 horas, na Gibiteca Estadual Jorge Braga, na Praça Cívica. Ação de formação de leitores e de estímulo à leitura, esta atividade performática dirigida ao público infantil tem foco na literatura e dialoga com a música. Na mesma linha de trabalho, o festival também prevê a participação de Teatro Destinatário (GO) e Vou te contar! (DF).
Ao longo do evento, estes três grupos levam ainda suas histórias performadas para os alunos da Escola Municipal Professora Cleonice Monteiro Wolney, Escola Municipal do Jardim Nova Esperança, Escola Municipal Presidente Vargas e Escola Municipal Nossa Senhora Aparecida. As atividades de contação de histórias do Festival de Narratividades também alcançam mulheres surdas atendidas pela ONG AMDASGO, no Setor Vila Nova, nos dias 19 e 26 de agosto, que também estarão abertas ao público em geral. (veja programação detalhada abaixo)
Discussões
Os debates se iniciam na quinta-feira (16/8), às 20h, no CCUFG, com “O Teatro narrativo e a narrativa na dança", bate-papo mediado por Juliana Mado, com participação de Luis Alberto de Abreu (Cia Teatro Balagan), Renata Lima (Núcleo Coletivo 22) e Luciana Hartmann (UnB). A mesa tem como proposição a reflexão acerca da narração em cena e da narração e/ou narrativas como matéria-prima para a criação cênica.
A pauta de discussões também vai tratar do tema “O narrador no teatro, na contação de histórias e na educação”, em 22 de agosto, às 20h, no CCUFG. Nesta ocasião, com mediação da arte-educadora Melissa Pomi (Pomar Livraria), a mesa conta com a participação de Ângela Barcellos (Vou te contar! – DF), Luciana Lyra (Unaluna Pesquisa e Criação em Arte – SP) e Letícia Leonardi (Coletivo Cênico Joanas Incendeiam – SP). Este bate-papo busca provocar reflexões sobre processos de coletividade gerados a partir do compartilhamento de experiências, desafios do narrador no diálogo com diferentes faixas etárias, entre outros assuntos próprios da arte-educação.