Logo

Goiânia quer um abraço

WhatsAppFacebookLinkedInX
19.08.2020 - 17:56:52

Ainda enfrentando dados alarmantes da covid-19, o país tenta retomar seus trilhos dentro da chamada nova normalidade. Um desses trilhos é o do processo eleitoral, que definirá novos prefeitos e vereadores, com o primeiro turno adiado para 15 de novembro. E mesmo com a pandemia, é preocupante ver que o discurso de algumas forças políticas continua o mesmo, usando velhos jargões de eleições passadas.
 
Recentemente, um dos pré-candidatos afirmou que Goiânia precisa de um “choque de gestão”. Tomara que seja apenas uma escolha errada de palavras. Estamos no meio da maior crise sanitária da história da nossa cidade. Um processo traumático para toda a sociedade. Em vez de "choques" ou outros arroubos de discurso, Goiânia e seus moradores precisam é de um abraço e de cuidados do poder público.
 
A cidade tem até agora quase 28 mil casos confirmados de covid-19 e cerca de 700 famílias perderam entes queridos para a doença. Nos hospitais, foram milhares de internações, com UTIs lotadas de pacientes em situação gravíssima. Esses são os dados oficiais e os especialistas sempre alertam que a subnotificação pode ser elevada, já que o número de assintomáticos nesta doença é relativamente alto.
 
Na economia, os indicadores, que já foram piores nos meses iniciais da pandemia (março, abril e maio), trazem um relativo alento. Em junho, pela primeira vez desde que o novo coronavírus nos impactou, os dados do Caged revelam que houve um pequeno, mas positivo, saldo nas contratações com carteira assinada em Goiás. Mas esse foi o primeiro passo para sair do buraco, pois o saldo acumulado no ano ainda é negativo.
 
Além disso, como o Caged é um retrato do conjunto de pessoas que procuraram emprego em determinado mês, é preciso que essa variação positiva se confirme nos próximos períodos da amostra. Segundo alguns economistas, há uma possibilidade razoável de que esteja ocorrendo o fenômeno descrito como “desalento” – quando menos pessoas deixam de procurar emprego pois já tentaram várias vezes ou já sabem que não há vagas – uma vez que os demais sinais da economia não são tão alentadores.
 
Então, diante desse quadro alarmante da crise, o que o goianiense quer não é um choque. O que todos aguardam, mesmo que tardia, é uma sinalização clara da prefeitura de que consegue enfrentar a crise e, ao mesmo tempo, ajudar a produzir um ambiente propício à recuperação de tudo o que perdemos com essa pandemia. Infelizmente, não vemos essa sinalização.
 
Não se viu qualquer movimentação para estruturar adequadamente as unidades municipais de saúde. Ao contrário, o que se viu foi atraso nos repasses de verbas federais, falta de equipamentos de segurança, escassez de medicamentos e até o fechamento de um CAIS para reforma em plena pandemia. Também não há notícia de qualquer movimento para garantir que Goiânia se candidate a ser uma das primeiras cidades a receber as vacinas contra o vírus.
 
Na educação, um desastre humanitário. Logo no início da pandemia, a cidade viu, estarrecida, a demissão de milhares professores temporários e o fechamento dos Cmeis, sem qualquer medida de atenção social às famílias que dependem deles para a própria sobrevivência. É preciso  lembrar que, além de oferecer ensino e merenda, essas unidades são a única opção de milhares de pais que precisaram continuar trabalhando sem ter com quem deixar suas crianças.
 
Na área econômica, a capital ainda espera um efetivo plano de recuperação, que leve em conta o chamado "novo normal". Cidades inteligentes em todo o planeta já estão absorvendo lições para encontrar e aproveitar oportunidades que são inerentes a momentos agudos de crise. Mas em Goiânia, a prefeitura não tem a menor noção do ambiente que precisa ser criado para favorecer as novas formas de empreendedorismo.
 
Estruturar a saúde, humanizar a educação e modernizar o ambiente de negócios em Goiânia são exemplos de medidas de cuidado com o ser humano. Não se trata, como foi dito, de dar choques, mas de abraçar as necessidades da capital e apontar o caminho para um futuro de mais esperança, inclusão social e prosperidade.
 
*Virmondes Cruvinel é deputado estadual e pré-candidato a prefeito de Goiânia pelo Cidadania
compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Virmondes Cruvinel

*

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Edemundo Dias de Oliveira Filho
17.10.2026
Voto nulo

O voto nulo não é fuga. É declaração. Em um sistema que transforma a urna em ritual obrigatório de adesão, recusar-se a escolher entre as opções apresentadas constitui um exercício lúcido de soberania individual. Não se trata de indiferença, mas de recusa consciente a legitimar o que se considera ilegítimo ou impróprio. A democracia moderna, […]

Marcelo Traldi
16.10.2026
Inovar hoje para nutrir o amanhã

Neste 16 de outubro, data em que se celebra o Dia Mundial da Alimentação (World Food Day), a comunidade internacional é convocada a refletir sobre o tema central de 2026: “Inovar hoje. Nutrir o amanhã”. Esta máxima não é apenas um lema comemorativo, mas um chamado urgente à ação para líderes, indústrias, governos e consumidores. […]

Tânia Queiroz
15.10.2026
Quando a ansiedade decide o que comemos e o que tomamos

No Dia Mundial da Alimentação, celebrado em 16 de outubro, o debate costuma girar em torno do acesso e da qualidade dos alimentos. Há, porém, uma pergunta menos discutida, e que ouço todos os dias no consultório e na sala de aula: por que comemos e o que buscamos além do prato? Para muitos brasileiros, […]

Frederico Moraes Xavier
15.10.2026
Educação exige continuidade, não soluções milagrosas

Neste 15 de outubro, celebramos o Dia dos Professores. Data importante para reconhecer o trabalho de profissionais que exercem uma das funções mais importantes da sociedade, mas também discutir as condições trabalho e os caminhos necessários para melhorar a educação brasileira. Na medicina, assim como em tantas outras profissões, sabemos que a formação de um […]

Domingos Quirino
14.10.2026
A saúde não pode envelhecer

A sociedade civil está envelhecendo em ritmo acelerado. Segundo o Censo Demográfico do IBGE, o país chegou a 22,2 milhões de pessoas com 65 anos ou mais em 2022, crescimento de 57,4% em comparação com 2010. Esse cenário impõe uma reflexão urgente: se o perfil do paciente mudou, a forma de cuidar também precisa mudar. […]

Chrissia Bandim
13.10.2026
Antes da ferramenta, a gestão do escritório

Na advocacia, o assunto mais recorrente entre os integrantes dos escritórios é saber qual ferramenta de inteligência artificial contratar para elaborar as melhores petições e fazer as melhores intervenções processuais. A discussão é salutar. Mas, qualquer que seja a ferramenta, eficiência e resultado só se conquistam com organização. Quem faz o quê, em quanto tempo, […]

Leonardo Chucrute
13.10.2026
O impacto de um líder vai além dos resultados

Todo líder deixa um rastro. A questão central não está apenas nos resultados entregues, mas no impacto gerado nas pessoas que caminham ao seu lado. Em um ambiente empresarial cada vez mais voltado para performance e crescimento acelerado, é comum associar liderança exclusivamente ao cumprimento de metas, indicadores e resultados de curto prazo. No entanto, […]

Maria Clorinda Soares Fioravanti
09.10.2026
Educação superior, ciência e tecnologia no Brasil: de onde viemos, onde estamos e que futuro queremos?

A Medicina Veterinária, a docência e a pesquisa são dimensões indissociáveis da minha trajetória. Ao longo desses anos, acompanhei períodos de expansão, fortalecimento institucional, restrições orçamentárias e ameaças à autonomia universitária. Essa experiência consolidou minha convicção de que a educação pública de qualidade é um dever do Estado e investir em ciência e tecnologia é […]