A Redação
Goiânia – O Festival Goiânia Mostra Curtas confirmou para o ano que vem o adiamento da 20ª edição do evento, que começaria nesta terça-feira (6/10). “O festival aconteceria não fosse a falta de políticas públicas e fomento à cultura por parte dos governos municipal, estadual e federal, e que se acentuou ainda mais com a pandemia de covid-19”, informaram os organizadores.
Para a diretora da Goiânia Mostra Curtas (GMC), Maria Abdalla, a chegada da pandemia escancarou a paralisação e o desmonte que já vinha acontecendo, como a falta de editais no Estado de Goiás desde 2018 e a extinção do Ministério da Cultura, no âmbito federal, e de outras linhas de editais como do Fundo Nacional Setorial do Audiovisual (FSA).
“Tudo isso afetou diretamente a cadeia produtiva e o mercado do setor cultural. Alguns festivais estão acontecendo online porque já tinham fomentos garantidos, mas a perspectiva para 2021 não é das melhores. Para voltar às atividades de forma gradual, os governos já deveriam estar criando formas de retomar as produções para o próximo ano, o que não está ocorrendo”, salienta.
Adiamento
O anúncio do adiamento da Goiânia Mostra Curtas foi feito em maio deste ano, em uma carta aberta, divulgada pela organização do festival. Desde então, o Icumam também havia tentado captar recursos, via Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), para executar o festival de forma online ou uma Mostra Especial Comemorativa, o que também geraria custo de produção.
No entanto, Abdalla ressalta que, até o momento, não houve apoio das esferas pública, privada e terceiro setor. “Não só a sociedade perde com o desmonte da cultura, mas os estados, já que as produções deixam de gerar emprego e renda, impactando na economia. É preciso que o poder público abra editais para garantir a sobrevivência do setor e de seus profissionais”. O caso da Goiânia Mostra Curtas não está isolado. Inúmeros festivais brasileiros e atividades do setor cultural em geral deixaram ou ainda deixarão de acontecer por falta de incentivos.