Augusto Diniz
Goiânia – A médica goiana Laís Caldas, de 30 anos, que participa da 22ª edição do reality show Big Brother Brasil (BBB), transmitido pela TV Globo, foi acusada nas redes sociais de ter supostamente cometido crime de transfobia contra a cantora e atriz paulistana Linn da Quebrada, 31, que se identifica como travesti.
Na manhã de sábado (22/1), Laís, que é de Crixás, foi ao confessionário do programa para fazer o raio-X diário, obrigação de todos os participantes. Ao mandar um torpedo anônimo, mensagem de texto que aparece para todos os BBBs verem no telão da sala, Laís escreveu :"Você está solteiro? Tem alguém perguntando aqui KKKK".
A "brincadeira", como definiu a edição do BBB que foi ao ar na noite de sábado (22/1) na TV Globo, teria sido em referência à apresentação da travesti Linn da Quebrada ao outros brothers. No dia anterior, a paulistana perguntou aos participantes quem estava solteiro.
Ao ver o torpedo no telão, Linn perguntou quem era o autor da mensagem. Laís, que ficou rindo na cozinha da situação, não se manifestou. Nas redes sociais, parte da audiência do reality show acusou a goiana de crime de transfobia porque a paulistana já havia falado sobre sua identificação de gênero como "ela". Inclusive, a participante tem tatuada acima da sobrancelha esquerda a palavra "ELA" em letras maiúsculas.
Sou determinada
Sou corajosa
Mas sou muito medrosa
Sou complexa e
E contraditória ??#TeamLinn ??????? pic.twitter.com/5pOIb9xrhs— Linn da Quebrada ??????? (@linndaquebrada) January 22, 2022
Crime de transfobia
O crime de transfobia é imprescritível. Após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em 2019, a homofobia e a transfobia foram equiparadas ao texto da Lei Federal número 7.716, de 5 de janeiro de 1989, que "define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor".
Até que o Legislativo avalie projetos que preveem a tipificação no Brasil da homofobia como crime, vale o que ficou estabelecido pelo julgamento do STF na ação direta de inconstitucionalidade por omissão (ADO), de que a discriminação de gênero e sexualidade equipara-se ao racismo.
Nas redes sociais, parte da audiência do programa acusou a goiana Laís de ter cometido transfobia contra a paulistana. "Na brincadeira, a Linn perguntou se os meninos estavam solteiros. Para as meninas, perguntou se elas estavam solteiras. A equação é simples: se alguém deseja perguntar se a Linn está solteira, deve usar SOLTEIRA. Não tem segredo, gente", escreveu na noite de ontem a equipe que cuida do Twitter da cantora.
Todas as travestis devem ser tratadas no feminino.
— Linn da Quebrada ??????? (@linndaquebrada) January 23, 2022
Depois da repercussão na noite de sábado, quando o programa da TV Globo revelou quem tinha mandado o torpedo para Linn da Quebrada, os responsáveis por atualizar as contas da goiana nas redes sociais se manifestaram com um pedido de desculpas. "Queremos pedir desculpas, em nome da Laís, pela colocação errada da mesma ao se dirigir a Linn da Quebrada. Sabemos que o certo seria perguntar 'Você está solteira?'. Esse é um assunto sério, e em nome de todos que apoiam e torcem pela Laís Caldas, reiteramos nossas desculpas a Linn e a todos que também se sentiram ofendidos pelo erro cometido."