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Gerson King Combo: ‘A nova geração me resgatou’

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02.12.2011 - 10:39:41

Raisa Ramos

A melhor palavra que define Gerson King Combo é: figura. O rei brasileiro da black music é, da cabeça aos pés, um figuraça. Mesmo dando entrevista por e-mail ao AR, pelo teor das respostas e gírias empregadas, é possível saber que o músico veterano está longe de ser igual aos outros. O dono da famosa música “Mandamentos Black”, e um dos criadores do estilo black no País, apresenta-se no próximo sábado (3/12), como a principal atração da noite, no Goiânia Noise Festival, que começa nesta sexta-feira (2), no Sol Music Hall. O público torce para que ele apareça no palco usando seu traje típico: chapéu com penas laterais, sobretudo, camisa e calça extravagantes, e claro, várias correntes e anéis escandalosos.
A trajetória profissional do músico já dá uma ideia da originalidade do black carioca. Nascido em Madureira, subúrbio do Rio de Janeiro, Gerson começou sua carreira como dançarino do famoso programa de televisão “Jovem Guarda”, apresentado por Roberto e Erasmo Carlos. Contaminado pela soul music, o jovem rapaz passou a cantar nas bandas de Wilson Simonal e Erlon Chaves. Não satisfeito, também ajudou a fundar o grupo Black Rio e lançou, junto com a Turma do Soul, o LP Brazilian Soul. O sucesso, contudo, veio mais tarde, quando resolveu fazer carreira solo e se rebatizou Gerson King Combo. A partir de então foi só alegria. Tornou-se o rei dos bailes blacks e foi coroado o maior representante do Movimento Black Rio, nos anos 70.
A década seguinte infelizmente não foi tão generosa com o cantor. A partir dos anos 80, a audiência da black music caiu e colocou o músico em um ostracismo temporário. Segundo Gerson, a culpa foi das rádios, que “começaram a tocar muito rock nacional”. “Nada contra!”, acrescentou. Só 20 anos depois, o carioca voltou a ser reconhecido, fazendo shows por todo o País ao lado de sua banda Supergroove e cativando novas gerações, que não conheciam o artista. Há três anos, a agenda do músico não para: em 2009, recebeu o prêmio da Ordem do Mérito Cultural, consagrando-se como o primeiro artista de black music brasileira a receber o título do Ministério da Cultura; em 2010, foi convidado para protagonizar um documentário sobre – adivinhem! – black music; e hoje planeja o lançamento de um DVD ao vivo, em comemoração aos seus 50 anos de carreira. O segredo disso tudo? Parece ser “dançar como dança um black”.
A Redação – A importância artística da black music é indiscutível. Mas e a importância social dela? Qual é?
Gerson – É grande também. É o divertimento da negrada, onde nos afirmamos como cidadãos. Andar como anda um black, dançar como dança um black…
Na década de 80, o gosto popular por esse estilo musical caiu um pouco. Por que você acha que isso aconteceu?
Acho que não teve continuidade, todo mundo do movimento Black Rio parou ou diminuiu muito o ritmo de trabalho. As rádios começaram a tocar muito o rock nacional. Nada contra, mas o espaço para a black diminuiu muito.
Acha que agora a black music está voltando a ter a audiência que merece?
Acho que melhorou muito, mas ainda falta rádios e casas especializadas. Mas a tendência é que melhore mais ainda.
Entre o lançamento de seu penúltimo e seu último disco, houve um hiato de quase 20 anos. Essa época foi difícil profissionalmente? O que mais atrasou o lançamento de Mensageiro da Paz?
Fiquei viúvo e parei. Gravei meu último compacto – Melô do Mão Branca – em 83. Mas a nova geração me resgatou, e hoje estou na ativa fazendo uns oito shows por mês e rodando o Brasil todo com minha banda Supergroove.
Há planos para o lançamento de um novo álbum?
Claro! Ano que vem vamos gravar primeiro um DVD ao vivo, com convidados especiais.
Ano passado você foi tema do documentário “Viva Black Music”. Como foi a sensação de ter sido convidado para ele e como foi o processo de gravação?
Ainda estamos gravando. Estamos no finalzinho, quase entrando na fase de finalização. Vai sair ano que vem.
Recentemente você participou do programa Grêmio Recreativo, da MTV, apresentado pelo Arnaldo Antunes. Como foi a experiência e tocar ao lado de tanta gente talentosa?
Muito bom! O Arnaldo recebe muito bem e faz todo mundo se sentir muito à vontade. Tinha também o meu amigo Marku e o meu pupilo Bnegão.
Nos seus shows atuais, quem é seu público? Pessoas que já te conhecem desde os anos 70 ou jovens, que te descobriram há pouco tempo?
Os dois. Tem muita garotada, o que é muito bom, mas tem a rapaziada da antiga prestigiando sempre.
Qual a diferença do Gerson atual para o Gerson dos anos 70?
O Gerson atual está 45 anos mais velho [risos]. Estou mais maduro e com muita experiência black.
Está ansioso para vir para Goiânia?
Bastante. Vai ser a primeira vez, mas tenho certeza que vai ser muito bom
Já adianto que você é uma das atrações mais esperadas de todo o Goiânia Noise. O que você preparou para a ocasião?
Eu e a minha banda, a Supergroove, preparamos um repertório especial para a ocasião, com todos os meus clássicos, como “Mandamentos Black” e “Funk Brother Soul”, e coisas novas, como “Deixe Sair o Suor”, além de homenagens a James Brown e Tim Maia.
Veja abaixo um vídeo de Gerson King Combo com a banda Supergroove, durante participação no Programa do Jô. Logo abaixo, o tease do documentário “Viva a Black Music”, que será lançado em 2012.
Serviço:
17º Goiânia Noise
Data: 2 e 3/12, sexta e sábado
Local: Sol Music Hall (Clube Jaó)
Horário: a partir das 18 horas
Ingressos: R$ 30 (meia-entrada por noite)
Pontos de venda: Monstro Discos, Ambiente Skate Shop, Harmonia Musical, Hocus Pocus e Trupe do Açaí
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