Jales Naves
Goiânia –
Vencedor de importantes concursos literários, como o Prêmio Nacional de Poesia da Academia Brasileira de Letras, de 2014, com o livro “A biografia da Cinza”, o poeta goiano Gabriel Nascente vai disputar a Cadeira nº 5 da ABL, vaga com o falecimento, no dia 13 deste mês, do acadêmico, cientista político e professor José Murilo de Carvalho. Membro da Academia Goiana de Letras, ocupando a Cadeira nº 40, encaminhou sua carta de candidatura à Academia e deve começar agora a garimpar os votos, já sabendo da natural dificuldade que terá pela frente, por residir e publicar num Estado distante das movimentações na área literária. Com mais de 60 livros publicados, incursionando pelos gêneros do ensaio, da ficção, reportagens, narrativas, crônicas e poesia, ele quer ser o segundo goiano a integrar a Casa de Machado de Assis; e já anuncia mais três novos livros de poesia, dentre os quais “Cálice de Orfeu”.Em toda a história da Literatura brasileira, desde a Carta de Pero Vaz de Caminha, nenhum autor no gênero poesia publicou numa só edição, num baú de madeira, uma produção poética de 57 anos de criação ininterrupta. São quatro volumes, encadernados, capa dura, cada um com mais de 1.000 páginas, que maciçamente somam 4.491 páginas de poesia. Esse trabalho foi publicado pela Editora Kelps, com muito carinho, edição cara, elaborada artesanalmente pelo empresário Antônio Almeida, com o título “Galáxia dos dias”, patrocinado pela Cooperativa de Crédito dos Advogados de Goiás (Sicoob Credijur). Esse bauzinho, assim chamado carinhosamente por um acadêmico, foi lançado durante um chá das 5 da Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro, com excelente receptividade. O primeiro volume já está rodando pelo Brasil e vem a segunda edição, com texto do jornalista Euler Belém na capa.
Apoio das instituições
Na semana passada o poeta Gabriel Nascente foi estimulado por 19 instituições culturais de Goiás a pleitear essa vaga, em nota que assinaram, colocando-se solidárias e incentivadoras dessa pretensão, citando-o como “profícuo e talentoso poeta, cronista e contista”. Nascido há 73 anos em Goiânia, é um dos autores que mais publicou em Goiás, em seus mais de 50 anos de trajetória literária. Conforme defenderam, o poeta goiano é digno de tomar assento na Academia Brasileira de Letras, “seguindo os passos de Bernardo Élis, único escritor goiano a ocupar cadeira no centenário sodalício”; e que essa eleição vai honrar a sociedade goiana. Justificaram ter tido a aquiescência de apenas 19 instituições devido ao curto prazo para coletar as assinaturas, e que poderiam ter sido muito mais.
Assinaram o documento dois reitores – professores doutores Angelita Pereira, da Universidade Federal de Goiás, e Antônio Cruvinel Borges Neto, da Universidade Estadual de Goiás –, e os presidentes da Academia Goiana de Letras, Ubirajara Galli; da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás, Elizabeth Abreu Caldeira Brito; da Academia Goianiense de Letras, Aidenor Aires; do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, Jales Mendonça; do Instituto Cultural Bernardo Élis, Nilson Jaime; da Seção de Goiás da União Brasileira de Escritores, Ademir Luiz; do Instituto Altair Sales, pesquisador Altair Sales; do Instituto Cultural Bariani Ortêncio, Beto Selva; do Instituto Bertran-Fleury, Maria das Graças Fleury Curado, e da Associação Goiana de Imprensa, Valterli Guedes.
Firmaram o documento, também, os presidentes do Conselho Estadual de Cultura, Carlos Willian Leite; da Comissão Goiana de Folclore, Isabel Signorelli; da Comissão de Memória e Cultura do Tribunal de Justiça do Estado, desembargadores Itaney Francisco Campos, do Tribunal Regional Eleitoral de Goiás, e Luiz Cláudio da Veiga Braga; do Museu Casa de Cora Coralina, Marlene Vellasco; da Sociedade Goiana de História da Agricultura, Ricardo Júnior Assis Gonçalves; e da Associação de Egressos da UFG, Eliomar Pires.
Trajetória
Ex-presidente do Conselho Municipal de Cultura de Goiânia, em setembro de 1978 a Academia Paraibana de Poesia lhe outorgou o título de “Embaixador da Poesia Brasileira”. Conquistou, em 1996, um dos prêmios mais cobiçados do país, o “Cruz e Sousa de Literatura”, da Fundação Catarinense de Cultura, SC, com o livro de poemas “A lira da lida”; e também outros de âmbito nacional – foi finalista do Prêmio Jabuti e venceu o Prêmio Centenário de Henriqueta Lisboa, de Minas Gerais. Em Goiás ganhou duas vezes o Prêmio da Bolsa de Publicações Hugo de Carvalho Ramos, em 1997 e 2003, e o Prêmio de Publicações Wilson Cavalcanti Nogueira, de Pires do Rio, em 2000. Seu nome figura hoje em diversas antologias da poesia brasileira, inclusive em edição bilíngue.
Inventário poético
Seu “Inventário poético”, de 500 páginas, publicado pela Editora Alternativa, em 2006, revela uma obra copiosa e vibrante, que começa com “Os Gatos”, em 1967, e culmina com “A Dança dos Relâmpagos” (2003), mas que segue na plenitude e na maturidade de sua inquieta criatividade. “… os poemas de Gabriel Nascente, imprevistos e lucinantes, explodem como brados de protesto e irreverência. Uma espécie de Fernando Pessoa da quadra atômica, não raro pedestrenante demagogo, mas original, ingênuo, espontâneo e sempre artista”, afirmou Menotti del Picchia (1973). O poeta e acadêmico Carlos Nejar, da Academia Brasileira de Letras, dedicou-lhe um elogioso texto no livro “História da Literatura Brasileira”.
“Sua poesia continua viva e atuante, e testemunho disto é Pastoral, que recebi há pouco, e onde encontro muitas confirmações do seu engenho criador, sempre alerta diante da vida”, escreveu Carlos Drummond de Andrade (1980). “Não se trata de um poeta de iniciação tribal. Neste sentido, aliás, é o poeta mais solitário de Goiás (“Eu sou/uma solidão/que anda”). Daí também a sua força produtiva: escreve para si, para a Poesia e para esse além de si que é o povo, na sua mais alta concepção antropológica da poesia”, ressaltou Gilberto Mendonça Teles.
Livros publicados
Três livros sobre o autor: “A escalada poética de Gabriel Nascente”, do professor Manoel de Jesus Oliveira, Editora Oriente, 1972; “Um poeta em ação” (biografia), de Antônio Moreira, 2005; e “A poesia de Gabriel Nascente em Portugal”, de Joaquim de Montezuma de Carvalho, 2008.
Teve um poema publicado na contracapa de mais de meio milhão de talonários de cheques do Banco do Estado de Goiás (BEG), em 1995. A Seção de Goiás da UBE editou uma publicação para comemorar a sua conquista do prêmio da Academia Brasileira de Letras em 2014, como também o fez a Editora Nova Fronteira, do Rio de Janeiro, sobre o resultado do I Concurso Nacional de Poesias Vinícius de Moraes (antologia), inserindo-o nas páginas 62 e 64.