A Redação
Goiânia – Futuro secretário de Saúde de Goiás, o médico Ismael Alexandrino se reuniu com o atual titular da pasta, Leonardo Vilela, e com todos os superintendentes e gerentes da pasta para receber balanços do trabalho desenvolvido nos últimos anos. O encontro foi realizado na sexta-feira (21/12).
“Foi um encontro muito produtivo. Deu para ter uma visão geral da secretaria do ponto de vista da gestão atual, das dificuldades que enfrentaram, das possibilidades de avanço, e também para conhecer os servidores. Deu para perceber um pouco mais a realidade do cenário inicial que vamos encontrar”, explicou o próximo secretário.
Desde que foi indicado pelo governador eleito Ronaldo Caiado (Democratas), Ismael Alexandrino tem se aprofundado na estrutura administrativa da secretaria e na situação financeira que enfrentará a partir do ano que vem.
Atualmente, segundo o futuro secretário, há uma dívida na ordem de R$ 260 milhões com as organizações sociais, além de passivo com fornecedores e prestadores de serviço. A expectativa é que a quitação de tais débitos ocorra ainda neste ano, como parte de compromisso firmado pela gestão José Eliton (PSDB).
“Foi possível ter uma percepção que teremos um desafio muito grande para equalizar as contas. Além de um financiamento que nem completa o duodécimo, apesar de que há a promessa de completá-lo, mas, para além disso, devem nos ser repassadas dívidas e precisaremos investir nas unidades que estão em conclusão, que precisarão ser custeadas”, destacou.
Justiça e Saúde
Durante a reunião, a procuradora Marcella Parpinelli Moliterno levantou uma questão que será central para a próxima gestão da SES-GO: a chamada judicialização da Saúde. Segundo dados da própria secretaria, foram gastos, somente em 2018, cerca de R$ 100 milhões com fornecimento de medicamentos por determinações judiciais.
“Além de entendermos que precisamos ampliar o diálogo com os órgãos de controle, sobretudo com o Ministério Público, pudemos perceber claramente como isso impacta no orçamento da secretaria”, reconheceu o próximo secretário.
Alexandrino alertou que tais determinações da Justiça podem, em alguns casos, afrontar os princípios da economicidade (artigo 71 da Constituição Federal) da impessoalidade (artigo 37) e um dos princípios do Sistema Único de Saúde, que é o da equidade.
UTIs
Outro ponto debatido pelo futuro titular da SES-GO foi a questão da regulação das vagas de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Estado. Motivo de desavença entre o atual governo e a Prefeitura de Goiânia, o tema será tratado de forma “profícua e colaborativa” pela nova gestão estadual.
“Quando há disputa de forças, certamente quem sai perdendo e quem mais sofre é a população. Então nossa intenção é manter diálogo com todas as secretarias municipais. No que depender de mim, a secretária Fátima [Mrué, de Goiânia] terá um grande parceiro e espero encontrar nela guarita para fazer uma grande gestão”, disse.