Jales Naves
Especial para o jornal A Redação
Goiânia – Em sua 10ª edição, o Diálogo anual da Fundação Lemann será realizado nestas quinta e sexta-feiras, dias 2 e 3, na Universidade Harvard, em Cambridge, Massachusetts, nos Estados Unidos, intitulado “Seis Biomas, Múltiplas Realidades, Um Só País” (“2026 Lemann Dialogue: Six Biomes, Multiple Realities, One Country”). O evento sediará uma série de painéis dedicados a explorar os complexos desafios e oportunidades socioambientais que envolvem os seis biomas do Brasil: Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pantanal e Pampa. O objetivo é aprofundar o delicado equilíbrio entre conservação, regeneração e o desenvolvimento humano e econômico específico de cada bioma, com discussões interdisciplinares conduzidas por diversos especialistas.
O bioma Cerrado terá como moderador o professor doutor Sandro Dutra e Silva, da Universidade Estadual de Goiás, Pró-Reitor da UniEvangélica, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás e que esteve como Professor Visitante em Harvard entre os anos de 2024 e 2025. Ele também é um dos pesquisadores que participaram da fundação do Instituto Nacional do Cerrado, criado no ano passado e que contou com a participação de universidades brasileiras localizadas no bioma Cerrado.
Cerrado
O painel sobre o Cerrado contará com a participação de três debatedores que desenvolvem pesquisas e publicações a respeito: Ludmila Rattis, ecóloga vinculada ao Woodwell Climate Research Center (EUA) e ao IPAM Amazônia, onde coordena o Projeto GALO (Global Assessment from Local Observations) e a Rede de Inteligência para Clima e Agricultura; Ryan Nehring, pesquisador no International Food Policy Research Institute, atuando em investigações sobre economia política dos recursos naturais em instituições de pesquisa agrícola e nos sistemas alimentares, incluindo a Embrapa no Brasil. Ele atuou como pesquisador em desenvolvimento sustentável junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e foi consultor em projetos relacionados a sistemas alimentares e pobreza rural para diversas agências da ONU; e Mercedes Bustamante, pesquisadora da Universidade de Brasília, com ampla experiência em Ecologia de Ecossistemas e no bioma Cerrado. Bustamante foi Diretora de Políticas e Programas Temáticos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e presidente da CAPES. Ela ainda é membro da Academia Brasileira de Ciências, da The World Academy of Sciences (TWAS) e da US National Academy of Sciences. Assim como o professor Dutra e Silva, Mercedes também é fundadora do Instituto Nacional do Cerrado, sendo sua atual presidente.
O evento contará com painéis moderados e palestrantes de todos os demais biomas brasileiros, além de uma mesa redonda sobre as questões ambientais no Brasil e as políticas públicas. Segundo o professor Dutra e Silva, “a participação do Cerrado em debates internacionais é fundamental, sobretudo porque esses eventos geralmente procuram enfocar temas relacionados às mudanças climáticas e à perda da biodiversidade, mas com ênfase sempre no papel da Amazônia nesse contexto. Muitas vezes, o equilíbrio entre os demais biomas é ignorado nas agendas ambientais. Por isso, esse evento, organizado pela Fundação Lemann e pelo David Rockefeller Center for Latin American Studies em Harvard será um passo significativo e inovador para o debate ambiental brasileiro. Como o tema sugere, são seis biomas, mas um único país. Isso torna os debates ambientais mais amplos e complexos do que quando circunscritos a um único bioma”.
O papel do Cerrado – como explicou – é fundamental para a segurança alimentar e principalmente para o equilíbrio ambiental entre os demais biomas brasileiros. Frequentemente descrito como o “berço das águas”, o Cerrado é a nascente de oito das 12 principais bacias hidrográficas do Brasil, incluindo as cabeceiras que alimentam a Amazônia e o Pantanal. É também uma das savanas de maior biodiversidade do mundo e uma das mais ameaçadas: cerca de metade de sua vegetação original já desapareceu. Contudo, ao contrário da Mata Atlântica, o bioma original não foi perdido devido a um processo de destruição longo e desorganizado, mas sim em decorrência de uma transformação tecnológica nas práticas agrícolas, que tornou a produção de diversos produtos — incluindo carne bovina e soja — lucrativa e escalável no Cerrado. A conversão do Cerrado está diretamente vinculada à ascensão do Brasil como superpotência agrícola.
Para saber mais sobre o evento ‘Lemann Dialogue, Seis Biomas, Múltiplas Realidades, Um Só País’ acesse o link: https://www.drclas.harvard.edu/event/2026-lemann-dialogue-six-biomes-multiple-realities-one-country-day-2
