Catherine Moraes
Funcionários terceirizados da Secretaria Estadual de Saúde paralisaram, desde o início da semana, o serviço de limpeza no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo). O lixo e a sujeira se acumulam na unidade e os próprios familiares de pacientes estão tendo de limpar quartos e banheiros.
Os terceirizados são funcionários da Coral Adminsitração e Serviços Ltda, empresa responsável pelo higienização no Hugo. Eles alegam atraso nos salários.
A SES admite problemas no repasse de recursos à Coral e informa que o contrato com a empresa venceu em 2010. Desde janeiro até outubro deste ano já foram repassados R$ 3 milhões e 200 mil reais à empresa, referentes a dívidas do governo passado. Segundo a assessoria de imprensa da pasta, entre os dias 28 de setembro e 6 de outubro, foram repassados R$ 807.709,33. O dinheiro se refere à prestação dos serviços de limpeza, vigilância e manutenção predial. De acordo com a SES, o pagamento de uma nova parcela estava previsto para esta sexta-feira (14/10).
Apesar do vencimento dos contratos, a secretaria informa que o processo de licitação está em andamento. Com a Coral, a SES informa que já foi realizado um acordo e os funcionários devem retornar às atividades em breve nos hospitais Hugo e também no Hospital de Urgências de Aparecida de Goiânia (Huapa).
Reclamações
Uma cozinheira que acompanha o filho há 35 dias no Hugo conta que desde a última segunda-feira (10/10) a situação está crítica no que se refere à limpeza da enfermaria do hospital. O filho está em um quarto com outro paciente no 5º andar da unidade de saúde que assim como o banheiro, não foi limpo pelos servidores.
“Meu marido pediu rodo, pano, balde e produtos e ele mesmo lavou o banheiro e limpou o quarto porque não tinha condições de permanecer em um local como aquele”, afirma a cozinheira. Ela conta que desde segunda ninguém da limpeza apareceu no quarto e o medo de infecções é grande.
Outra mãe, uma gerente de vendas que preferiu não se identificar, acompanha o filho de 12 anos desde a última quinta-feira (13/10). Ela afirma que desde que chegou ao hospital o quarto do filho não foi limpo e o lençol da cama não foi trocado. “Hoje (14/10) pela manhã, o corredor estava cheio de lixo quando alguém veio avisar que uma equipe de jornal da TV estava chegando. Rapidamente eles limparam tudo.” Ela afirma que os funcionários da empresa Coral estão na unidade, mas não estão trabalhando.
Reginaldo Mendes Amorim, de 41 anos, esperava pelo horário de visita para ver o irmão, que está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital, e também reclamou da higiene. “Meu irmão está desde ontem com a mesma fralda e a família tem que trazer porque nos disseram que está em falta. É um absurdo.”
Confirmação
O diretor-técnico do Hugo, Ricardo Furtado afirmou que a Coral havia paralisado os serviços desde segunda-feira (10/10) e que na última quinta-feira (13/10) os enfermeiros e familiares de pacientes se dispuseram a limpar quartos e banheiros que estavam em situação caótica. Ricardo contou que o lixo foi colocado no corredor da unidade, mas que nesta sexta-feira (14/10) os serviços começariam a ser normalizados.
A respeito da falta de fraldas ou lençois na unidade, o diretor-técnico não confirmou e disse que a informação, dada pelos familiares, não procede.