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Funcionários criticam novo horário do TJ

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31.07.2011 - 11:53:08

 

Lis Lemos
 
A partir dessa segunda-feira (1º/8), o Tribunal de Justiça de Goiás (TJ) começa a atender os cidadãos em apenas um horário, das 12h às 19h. No entanto, a padronização do horário de funcionamento ainda não é bem aceita pelos funcionários, principalmente entre os concursados. As queixas são várias, entre elas a falta de estacionamento, o horário de 12h às 19h que não agrada, e a certeza de que essa mudança não é para todos. Nenhuma das pessoas entrevistadas quis se identificar por medo de represálias dentro do local de trabalho.
 
"Estamos revoltadíssimos". Essa é a primeira resposta de uma funcionária quando perguntada sobre o que pensa a respeito da mudança de horário. Ela conta que sua rotina será alterada. Entre os principais problemas, aponta a falta de contato com o filho de 11 anos. A servidora justifica que busca a criança na escola e a ajuda nas tarefas escolares, e que a partir de 1º de agosto terá que contratar alguém para cuidar do filho durante a tarde, até as 19h.
 
A funcionária faz uma crítica à alteração. Segundo ela, somente aqueles que trabalham dentro dos gabinetes vão se beneficiar. Ela explica que esses servidores não têm que bater ponto e que, portanto, podem combinar o horário de trabalho com seus chefes. Essa queixa também foi feita por outros funcionários ouvidos pela reportagem.
 
Outra pessoa que trabalha no TJ, mas que está lotada em um gabinete, tem a mesma opinião da colega. Embora não seja afetada pelo novo horário, ela vê que muitos funcionários serão prejudicados. Ela conta a realidade dos trabalhadores da limpeza, que são terceirizados, e que para complementar a renda possuem outros empregos. 
 
Ela vê que na decisão tomada pelos desembargadores do Tribunal, os funcionários ficaram em segundo plano. "Essa é uma perpetuação da tradição do judiciário, de que cada desembargador é um pequeno reino. É um coronelismo moderno", argumenta. Ela lembra que essas decisões não afetam os desembargadores e defende ainda que existem "castas" dentro do judiciário, já que apenas alguns são afetados pela medida.
 
Outro ponto levantado pela funcionária, e que considera o mais importante, é o fato do atendimento ao público ser afetado. A justificativa do TJ é que a padronização do horário vai facilitar para os cidadãos que procuram os serviços. No entanto, ela contesta essa afirmação.
 
"Se o judiciário quer realmente atender a população, tem que criar o horário noturno. Não é o fato de padronizar que melhora o atendimento", afirma. 
 
Um servidor concursado do TJ também está descontente com a mudança e pensa em pedir licença do trabalho. Isso porque ele tem outro emprego e com a mudança não poderá se dedicar aos dois como vinha fazendo. Além disso, ele afirma que não poderá mais buscar as filhas na escola, já que o fim das aulas se dá por volta das 17h. 
 
"Preciso complementar minha renda, é isso que nos força a ter outro trabalho", justifica. Ele afirma que não possui gratificação e que sua função não permite acúmulo no salário. Assim como as demais colegas, ele acredita que a padronizaçãofoi feita em benefício "dos desembargadores e funcionários comissionados".
 
Trânsito
Porém, há quem considere que a medida pode ser positiva do ponto de vista da produtividade. Um funcionário, que trabalha em gabinete e não terá o horário modificado, acredita que o horário é mais vantajoso, do que o de 8h às 18h. "As pessoas vão ter um horário a mais para resolver suas coisas pessoais", argumenta. Ele lembra ainda que o trânsito na região pode piorar, já que o TJ não possui vagas no estacionamento para todos os funcionários e a maioria estará no trabalho ao mesmo tempo. 
 
O sindicato dos servidores da Justiça do estado de Goiás (Sindijustiça) avalia positivamente a mudança. "O Sindicato sempre defendeu um turno único, essa é uma luta de décadas", explica o diretor de comunicação da entidade Norval Barbosa. Embora defenda uma carga horária de 6h, ele acredita que a redução para 7h, "já é um ganho". Além disso, ele aponta que o turno único vai promover uma melhor distribuição de pessoal. Segundo ele, existem áreas no judiciário com pouca demanda e muitos funcionários e outras com muita demanda de pessoa e poucos trabalhadores.
 
A Ordem dos Advogados do Brasil, seção Goiás, já se manifestou contrária à mudança de horário e entrou com um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para contestar a decisão do TJ goiano, mas o caso ainda não foi julgado.
 
 
 
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por Redacao Jornal

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