Durante muitos anos, os empresários foram incentivados a investir em estrutura, tecnologia, marketing, processos e produtividade. Tudo isso continua sendo importante. Mas, em um cenário marcado pela transformação digital, pelo avanço da inteligência artificial e pelo aumento da concorrência, um ativo que nunca deixou de ser valioso voltou a ganhar protagonismo: os relacionamentos.
Recentemente, um artigo publicado pela Forbes chamou atenção ao afirmar que um dos erros mais comuns dos líderes é tratar o networking como uma transação, quando, na verdade, ele deveria ser encarado como um investimento. A reflexão é extremamente pertinente para o momento que vivemos.
O networking moderno deixou de ser uma simples troca de cartões de visita. O verdadeiro valor está em cultivar relações profundas, consistentes e genuínas ao longo do tempo. As empresas que compreendem essa lógica constroem culturas baseadas em colaboração, confiança e reciprocidade.
Essa realidade fica ainda mais evidente em períodos de instabilidade econômica. Quando há incerteza, clientes e parceiros tendem a buscar pessoas e empresas nas quais já confiam. É nesses momentos que o capital relacional mostra sua força.
Produtos podem ser copiados, mas relacionamentos são cultivados
Em um mercado onde produtos podem ser copiados, preços podem ser igualados e tecnologias se tornam rapidamente acessíveis, a confiança passou a ser um dos maiores diferenciais competitivos de uma empresa. E confiança é construída por meio de relacionamentos. São eles que abrem portas, aproximam oportunidades, fortalecem parcerias e criam ambientes mais favoráveis para o crescimento sustentável.
Isso explica porque estamos observando o crescimento de comunidades empresariais em todo o mundo. Cada vez mais líderes estão investindo tempo e recursos para participar de ambientes que favorecem a troca de experiências, o aprendizado e a construção de conexões relevantes.
No BNI, acreditamos que os melhores resultados surgem quando existe uma cultura genuína de colaboração. Nossa metodologia é baseada na filosofia Givers Gain® (quem doa, ganha, em tradução livre), criada por Ivan Misner, fundador da organização que, em Goiás, já ajudou a gerar mais de R$ 215 milhões em negócios entre empresários membros da organização.
Mais do que números, esses resultados refletem a força de uma rede construída sobre relacionamentos de longo prazo. Não se trata de altruísmo ingênuo. Trata-se de entender que relacionamentos saudáveis são construídos sobre reciprocidade, confiança e contribuição mútua e, quando ajudamos outras pessoas a crescer, criamos condições para crescer também.
Hábitos que fazem toda a diferença para cultivar uma boa rede de networking
· Ouvir com atenção: demonstrar interesse genuíno e compreender as necessidades das outras pessoas;
· Estar presente: relacionamentos esfriam quando o contato acontece apenas por interesse ou de forma esporádica. Conexões fortes exigem proximidade, frequência e consistência;
· Ter coerência: dizer o que pensa, fazer o que promete e agir de forma alinhada aos próprios valores fortalece a confiança e a credibilidade;
· Ser intencional na reciprocidade: compartilhar conhecimento, criar oportunidades e oferecer ajuda sem esperar retorno imediato são atitudes que geram valor duradouro.
*Jair Lima é diretor executivo do BNI Goiás e Tocantins, consultor e ex-docente em instituições como FAAP, FGV e BI International, com mais de 20 anos de experiência
