A Redação
Goiânia – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), deixou o Brasil com a esposa e as duas filhas e seguiu para os Estados Unidos nesta terça-feira (27/10). A informação foi divulgada pela Agência Reuters e pelo Estadão após confirmação de amigos da família do senador. Aliados teriam organizado a viagem de última hora e informado que o parlamentar pretende solicitar asilo político ao governo do presidente norte-americano Donald Trump assim que chegar ao país. Autoridades ainda não confirmaram oficialmente a saída do senador do país.
Um grupo restrito de aliados no Brasil e nos Estados Unidos estariam envolvidos na operação. Os contatos no território brasileiro teriam organizado a saída do senador, enquanto os que vivem nos Estados Unidos ajudaram a viabilizar sua entrada no país. O governo Trump teria sido avisado sobre a chegada, e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), irmão do senador, deveria encontrá-lo na quarta-feira (28).
A informação foi divulgada após horas de incerteza sobre o paradeiro de Flávio. Na madrugada desta terça-feira, o site argentino Infobae noticiou que o senador teria cruzado a fronteira com a Argentina na noite anterior para embarcar em um avião particular com destino aos Estados Unidos. A reportagem apontava Puerto Iguazú, na província argentina de Misiones, como o local de partida do voo.
Aliados tentavam contato com Flávio, sem sucesso, durante a manhã desta terça-feira. Até o início da tarde, não havia confirmação oficial de sua saída do Brasil. O governo argentino informou que não encontrou registro de entrada do senador no país. A Polícia Federal (PF) iniciou verificações para apurar o relato sobre a suposta viagem.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio, negou inicialmente que o parlamentar tivesse deixado o Brasil. Em declaração ao Metrópoles, afirmou: “Não saiu”. Eduardo Bolsonaro também contestou a notícia em contato com a colunista do UOL Mariana Sanches, classificando a informação como falsa.
Entrega de passaportes
A saída do país ocorreu após uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a entrega dos passaportes comum e diplomático de Flávio à Polícia Federal, no prazo de 24 horas. A medida também proibiu o senador de deixar o Brasil e de manter contato com o advogado Willer Tomaz.
A determinação foi tomada no âmbito de uma investigação que envolve Flávio e Tomaz por suspeitas de lavagem de dinheiro. Segundo informações publicadas pelo UOL, a apuração inclui movimentações financeiras e uma conta bancária no Santander que, conforme apontamentos da investigação, seria compartilhada pelos dois. Ambos negam irregularidades relacionadas ao caso.
Em vídeo publicado nas redes sociais na segunda-feira (26), Flávio afirmou que nunca havia pensado em deixar o Brasil e que entregaria os passaportes. O senador também classificou a decisão judicial como uma tentativa de intimidação. A declaração foi divulgada antes das notícias sobre sua suposta saída do país.
Até a publicação da reportagem do Metrópoles, a intenção de solicitar asilo político nos Estados Unidos era atribuída a aliados do senador. Não havia, nas informações consultadas, confirmação independente do protocolo do pedido ou manifestação oficial do governo norte-americano sobre sua concessão.
