José Abrão
Goiânia – O vídeo chamado “Como o Brasil me mudou” tem quase 14 mil curtidas e 448 comentários. Nele, a finlandesa Iiris Somervuori Vinhal conta sobre como não faz planos mais com tanta antecedência ou como gostou da picanha e como passou a tomar vários banhos por dia por causa do calor. Em outro, com quase 5 mil curtidas, ela experimenta o pequi e em outro, com fala um pouco mais sobre Goiás e Goiânia. Em um terceiro, ainda, com mais de 3 mil curtidas, ela leva membros da sua família europeia para comer pastel, experimentar o churrasco brasileiro e fazer compras em Campinas.
É com essa mistura de experiência, turismo, curiosidades e diferenças culturais que Iiris conquistou aos poucos mais de 12 mil seguidores no Instagram, atraindo tanto brasileiros quanto estrangeiros que querem conhecer mais sobre o país e, em particular, sobre Goiânia, uma cidade às vezes pouco conhecida e explorada até por quem é brasileiro.
Mas fica a curiosidade: como alguém da Finlândia vem morar em Goiânia? Foi por amor, como costuma ser na maioria desses casos: Iiris conheceu seu marido, Renan Vinhal, em um evento ambiental na França. Ela é bióloga e escoteira; ele é escoteiro e professor de inglês. Os dois começaram a trocar as primeiras mensagens ainda no grupo de WhatsApp da organização do evento que, ainda por cima, aconteceu em um castelo em uma vila super romântica nas proximidades de Paris, em 2024.
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O namoro a distância de mais de 19 mil quilômetros logo virou casamento e os dois se estabeleceram por aqui. Com tempo livre nas mãos, Iiris começou a fazer seus vídeos para compartilhar com os amigos e familiares que ficaram do outro lado do Atlântico, mas logo os registros começaram a chamar a atenção de outros europeus e também dos goianos, empolgados com a novidade de ver sua cidade e Estado por uma perspectiva de fora. Iirs afirma que possui muitos seguidores da Europa e da América do Norte, mas que desde que alguns vídeos, como o do pequi, circularam mais pelo algoritmo, boa parte dos seguidores agora é composta por brasileiros.
Ela relata que não sabia muita coisa sobre o Brasil além da nossa imagem popular lá fora: Carnaval, praias e Amazônia, mas que veio com a mente muita aberta e muita curiosidade. “Meus amigos não tinham uma imagem muito boa sobre o Brasil, porque o que chega na Finlândia são [histórias sobre] crimes. As pessoas não conhecem o Brasil. Então eles me pediram para fazer alguns vídeos para eles aprenderem mais”, conta. “Acho que os estrangeiros gostam muito [dos vídeos] porque mostram mais sobre o dia-a-dia, coisas que eles não conhecem”, completa.
Experiências
Um dos conteúdos que mais geram engajamento são os vídeos em que ela experimenta comidas brasileiras e goianas. IIris conta que até agora gostou muito de praticamente tudo. “A Finlândia não é famosa pela culinária (risos). Eu gosto de pamonha, mas acho que meus favoritos são pequi, pit dog, frango caipira”, enumera, mas admite que não gostou tanto de feijoada nem de coxinha: “eu gosto, mas não gosto como os brasileiros gostam”, brinca.
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Vindo de um país com uma cultura mais eservada, Iiris conta que estranhou ser reconhecida e abordada por pessoas na cidade. “É muito diferente. As pessoas são muito curiosas. São muito simpáticas aqui pra ajudar, principalmente com o português”, explica.
Apaixonada pela natureza e pelo Cerrado, Iiris ainda conheceu pouco do Brasil e de Goiás. Esteve em Pirenópolis e ainda tem muita vontade de conhecer a Chapada dos Veadeiros e a cidade de Goiás. Por questões burocráticas, teve que ir para Brasília e para São Paulo: preferiu Goiânia. “Quando fomos pra São Paulo, eu não gostei muito, porque é muito grande, muitas pessoas. Aqui em Goiânia, eu faço mais parte da vida local, aqui, eu aprendo mais sobre Goiás”.
Conhecer mais lugares, turísticos ou não, é o principal plano, em especial se tiverem algum vínculo com a natureza. “Eu quero ver tudo! Estou interessada principalmente na natureza, em lugares menores. Agora eu preciso conhecer mais sobre Goiás, acho que tem muito potencial”, pontua.
