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Filmes para aprender História do Brasil

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22.04.2021 - 07:35:00

José Abrão

Goiânia – No dia 22 de abril é celebrado o Descobrimento do Brasil: a chegada de Pedro Álvares Cabral à Bahia. Mas a História do Brasil vai muito além desta chegada. Selecionamos aqui alguns filmes que ajudam a recontar estes 521 anos com muito entretenimento, humor e drama, além, é claro, de aprendizado.
 
Brasil Colônia
 
Hans Staden (1999)
 
Pouco assistido no Brasil, este filme causou um burburinho considerável em festivais estrangeiros principalmente por ser uma das poucas produções filmadas quase inteiramente em tupi. Além de servir como um documento de preservação de um dos idiomas nativos, o filme conta a história real de um soldado alemão que acaba capturado por uma tribo tupinambá, então em um período de guerra perpétua com os portugueses.

 
Como Era Gostoso o Meu Francês (1971)
 
Também baseado na vida de Staden, este filme tem valor histórico por ser um dos principais longas brasileiros lançado durante os Anos de Chumbo da Ditadura Militar, saindo com censura 18 anos por ter indígenas nus em cena. O longa, com uma pegada mais escrachada, acompanha inclusive o ritual tupinambá de comer os seus inimigos – no caso, um desafortunado francês, chamado no filme, literalmente, de O Francês. O filme também tem valor político: na época, o governo militar incentivava apenas películas com um valor ufanista. O diretor Nelson Pereira dos Santos usou esse argumento para conseguir o financiamento e então adotou esta abordagem mais crítica e questionadora que lhe rendeu uma indicação ao Urso de Ouro no Festival de Berlim.
 

 
Desmundo (2003)
 
Dirigido pelo francês Alain Fresnot e estrelado por Simone Spoladore, a trama se passa em 1570 e acompanha uma prática corrente no início da colonização: o envio de jovens portuguesas para se casarem com os colonos para evitar a miscigenação com as indígenas. O filme mostra como, inclusive na vida real, essa prática não dava lá muito certo.

 
A Missão (1986)
 
Um dos raros casos de filmes gringos que acompanham acontecimentos no Brasil, o longa se passa na região das missões, no sul do país, e acompanha a formação dessas comunidades pelos jesuítas e a sua expulsão pelo Marquês de Pombal. O filme é estrelado por Jeremy Irons como o jesuíta Gabriel e Robert De Niro dá vida ao ex-mercador de escravos Rodrigo, que se junta à missão para cumprir penitência por causa de um assassinato. O longa é uma das reproduções mais fiéis já feitas das missões na tela grande. O longa também venceu a Palma de Ouro do Festival de Cannes.

 
Carlota Joaquina, Princesa do Brazil (1995)
 
Junto com Central do Brasil, é um dos filmes que marcou a Retomada do cinema brasileiro nos anos 1980. De tom cômico e satírico, o filme traz Marieta Severo no papel de Joaquina, que odiava o Brasil, assim como Marco Nanini como o inepto Dom João VI e Marcos Palmeiras como Dom Pedro I. A trama acompanha a Rainha Louca desde o início do seu casamento arranjado até a sua partida do Brasil com a cena icônica em que ela limpa os tamancos para desta terra não levar nem o pó.

 
Xica da Silva (1976)
 
Outro clássico, o filme traz Zezé Mota no papel título e é dirigido por Cacá Diegues. O longa também foi um dos maiores sucessos de bilheteira no Brasil, levando mais de três milhões de brasileiros aos cinemas. É dele também a icônica música título criada por Jorge Bem Jor. A trama reconta a história real da escrava que se torna senhora da sociedade de Diamantina (MG) após conquistar o amor de João Fernandes.

 
Brasil Império
 
Mauá – O Imperador e o Rei (1999)
 
Estrelado por Paulo Betti, o filme acompanha o conflito crescente entre o homem mais rico do Brasil, Irineu Evangelista de Sousa, conhecido como o Visconde de Mauá, e o imperador Dom Pedro II, o homem mais poderoso do Brasil. O longa se foca nas questões políticas e econômicas desse enfrentamento e nas suas implicações para a indústria e o capitalismo nascente no Império e como um homem só pode incomodar muita gente.

Netto Perde sua Alma (2001)
 
Um clássico do cinema experimental brasileiro além de ser um épico de primeira linha, a trama acompanha Netto, um general ferido na Guerra do Paraguai que se recupera em um hospital na Argentina quando coisas estranhas começam a acontecer, misturando a narrativa histórica com o terror. O longa é dirigido por Tabajara Ruas e é baseado no livro de mesmo nome, escrito por ele. Ao mesmo tempo que o filme pende predominantemente para o épico, Netto não é confiável conforme delira no hospital. Vale pela arte e pelas batalhas com até 800 figurantes filmadas no Uruguai.
 

 
Ditadura do Estado Novo
 
Baile Perfumado (1997)
 
O longa conta a história real do mascate árabe Benjamin Abrahão que ficou conhecido por ser o único que conseguiu filmar e fotografar o bando do cangaceiro Lampião enquanto ainda estavam vivos e em atividade. Porém, as coisas não correm como planejado, não apenas pela vida criminosa do bando, mas pela ditadura do Estado Novo, que confiscou os registros do pobre mascate. O filme também uma trilha sonora manguebeat direto do Recife.

Olga (2004)
 
Dirigido por Jayme Monjardim, o filme tem uma certa tendência ao melodrama e a usar planos de novela, mas isso não altera o seu impacto dramático e histórico. O longa reconta a história real de Olga Benário, agente comunista alemã enviada pela URSS como guarda-costas do comunista Luís Carlos Prestes e acaba se apaixonando por ele muito antes daquele filme do Kevin Costner. Os dois fazem parte da Intentona Comunista, uma tentativa pífia de golpe que é imediatamente esmagada pelo Estado Novo e que termina com a morte de Olga em um campo de concentração nazista, antes do Brasil entrar na guerra e quando Getúlio Vargas ainda era próximo das potências do Eixo.

 
Ditadura Militar Brasileira
 
 
O que é isso, companheiro? (1997)
 
O filme acompanha a história real do sequestro do embaixador americano, Charles Burke, por células do MR-8 e da Ação Libertadora Nacional, grupos da luta armada brasileira contra a Ditadura Militar. O longa traz Pedro Cardoso no papel de Fernando Gabeira e Alan Arkin como Burke. Dirigido por Bruno Barreto, o filme teve boa repercussão internacional e chegou a disputar o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1998.

 
Cabra Marcado para Morrer (1984)
 
Um dos maiores clássicos do cinema nacional e obra-prima do cineasta Eduardo Coutinho, o longa documental conta a história de João Pedro Teixeira, líder camponês assassinado a mando de latifundiários em 1962. Coutinho começou a rodar o filme em 1964, mas teve que parar por causa do golpe. Taxados de comunistas, os filmes e equipamentos acabaram confiscados pelo regime. Aqui, ele retoma a história em 1981 e tenta reconstruir essa narrativa marcada pelos regimes de poder que mudaram o país.

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por Mônica Parreira

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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