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Filme Hugo, de Lázaro Ribeiro, lota sessão na cidade de Goiás

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23.06.2017 - 22:06:41
 
Mônica Parreira
 
Cidade de Goiás – A plateia do Cineteatro São Joaquim estava cheia. Até nos corredores não havia espaço. Os olhares atentos, ansiosos pelo filme mais comentado nas ruas da cidade de Goiás. “Hugo”, do diretor Lázaro Ramos, foi lançado na noite desta sexta-feira (23/6), quarto dia de Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica). Emocionado e com tom de gratidão, o cineasta resumiu sua felicidade em uma única frase: “Devo minha carreira ao Fica”.
 
Horas antes da estreia, Lázaro conversou com a reportagem do jornal A Redação para contar um pouco sobre o 25º filme de sua carreira. O personagem Hugo de Carvalho Ramos foi um poeta vilaboense cuja história de vida e morte inspirou a ficção. Assista ao trailer:
 
 

Conforme explicou o cineasta, muitas pessoas o paravam nas ruas da antiga Vila Boa para perguntar quando faria algum filme sobre Hugo. “Foi quando comecei a pesquisa, em 2011”, disse ao lembrar como iniciou a produção e explicar por que o filme é tão aguardado pelo público local.

O cineasta também falou sobre o seu envolvimento com o Fica, que começou desde a primeira edição, em 1999. Participar da primeira oficina de cinema, no auge da juventude, levou Lázaro a descobrir o seu dom para a sétima arte. 

 
Confira a íntegra da entrevista com Lázaro Ribeiro:
 
Como você foi parar na cidade de Goiás e qual foi seu primeiro contato com o cinema? 
Desde criança eu tinha o sonho de entrar em uma escola de desenho. E eu vim de Goiânia para cá com esse intuito. Deixei mãe, pai, me instalei na cidade de Goiás e comecei a estudar desenho na Escola de Artes Plásticas Veiga Valle. Nessa mesma época foi lançado o Fica.  Não passava pela minha cabeça fazer cinema. Na verdade, tinha a ideia de fazer arte. De repente vi aquela movimentação na entrada do Cineteatro São Joaquim, eu entro e está acontecendo justamente a apresentação de um filme. Foi nesse dia que eu me apaixonei. A partir daí comprei uma câmera e comecei a fazer registros da cidade. Me encantei e quis realmente fazer cinema.
 
O que o Fica representa para você?
O Fica para mim é tudo. Minha primeira oficina de cinema foi na 2ª edição do festival, e depois disso não parei mais. Na terceira edição, já fui convidado a fazer parte do making off. Então o Fica me deu toda a oportunidade, definiu o meu futuro. Foi um divisor de águas, abriu portas e hoje me sinto realizado. E devo isso ao festival. A minha carreira eu devo ao Fica. 
 
Depois de assinar 25 filmes, o que mudou pra você como cineasta?
A gente amadurece completamente, desde a pesquisa ao roteiro, os pequenos detalhes. Até mesmo a escolha da equipe, porque na verdade o filme não é só meu. Somos uma equipe, então eu não tenho o olhar diferenciado do fotógrafo que está comigo, ou do pesquisador, é um conjunto. E saber escolher essas pessoas é essencial.  
 
Sobre o seu novo filme, como surgiu a ideia de falar sobre Hugo de Carvalho Ramos?
Desde as pesquisas sobre Cora Coralina eu já tive um contato inicial com o livro Tropas e Boiadas, assinado por ele. Hugo foi colega da Cora na escola. E isso ficou na minha cabeça. Depois, ao longo dos anos, várias pessoas começaram a me perguntar quando eu faria filme sobre Tropas e Boiadas. Como meu perfil é biográfico, comecei a buscar um pouco da história de Hugo e o resultado foi essa ficção.
 
Como foi o trabalho de pesquisa?
Confesso que fiquei instigado, porque tive dificuldades em encontrar detalhes sobre a história de Hugo. Muito pouco se publicou sobre a vida dele. A pesquisa foi feita por mim e por Jadson Borges. E nós nos debruçamos na pesquisa desde 2011, é um trabalho extenso. Compramos todas as edições do Tropas e Boiadas, porque cada edição quem fazia a apresentação era o irmão, o Vitor, que cuidou dessas edições. Em cada uma ele colocava um dado diferente. Então fomos montando esse quebra-cabeça e buscando outras fontes. Jornais, enfim. Fomos conversando até chegar à família. E foi um impasse, porque um lado não queria que falasse, outro queria que falasse sobre o Hugo. 
 
Qual momento mais delicado do filme?
A morte. O curta é um drama onde a gente vai tratar justamente o último momento de Hugo. É um momento do desespero dele, essa coisa do não lugar dele, essa luta entre o viver e o morrer. Ele começa a ter depressão a partir do momento em que o pai morre. Antigamente não sabiam o que era depressão, então aquilo tudo foi tratado como loucura. E a família o tinha como louco. Então Hugo vai se deprimindo até chegar o momento em que não suporta mais e comete o suicídio. Então, para mim, a cena mais difícil de fazer foi o suicídio e a dureza da mãe em relação a isso. Ela pega as coisas dele, coloca em um baú, tranca tudo e fala: “A partir de hoje não se fala mais em Hugo nessa casa. Ele morreu”. Foi difícil retratar.
 
Está trabalhando em um novo projeto? Qual?
Devo voltar à história de Cora Coralina. Quero fazer um longa. Já tenho alguns contatos com atores, estou pensando em trabalhar com música em todos os poemas principais, aonde a gente vai narrar à história a partir dos versos musicalizados de Cora. Talvez o filme já apareça nos próximos Ficas. 
 
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por Mônica Parreira

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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