Catherine Moraes
A comerciante Raquel Vieira dos Santos, 30, suspeita de maus-tratos contra uma adolescente de 14 anos, negou em depoimento as acusações. Ela foi ouvida nesta quinta-feira (11/8) na Delegacia de de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), pela titular Ana Elisa Gomes Martins. A filha da vendedora, uma jovem de 15 anos assumiu a responsabilidade das agressões.
Segundo Ana Elisa, a jovem contou com detalhes o modo como as agressões ocorreram, em maneira muito semelhante ao denunciado pela vítima. “A menina disse ser culpada pelas lesões, afirmou que as brigas entre elas eram frequentes e ficou claro que os depoimentos são reais. Existe dúvida, entretanto, se Raquel também praticou as agressões.”, declara.
A delegada espera o laudo do Instituto Médico Legal (IML) para que a situação seja esclarecida. Com isso, a denúncia de maus-tratos pode ou não ser fundamentada. Caso as agressões sejam confirmadas, a comerciante pode ser condenada de 3 a 12 anos de prisão. Raquel pode ser indiciada ainda por crime de abandono intelectual já que a menina não estava matriculada em nenhuma escola. Ela argumenta que a mãe não havia fornecido documentação de transferência necessária para o procedimento da matrícula.
A vítima afirmou à delegada possuir um vídeo gravado com provas de que era agredida pela menina de 15 anos. Em depoimento, Raquel confirmou as informações da filha e disse que as marcas no corpo da vítima são resultado de brigas entre as duas. Ela conta que as agressões foram mútuas e que na primeira briga das meninas avisou a mãe da jovem, Alisângela Lima de Souza.
Guarda
A mãe da adolescente, Alisângela Lima de Souza também esteve na DPCA para conversar com a delegada sobre a possibilidade de levar a filha de volta para Itaberaí. Ana Elisa encaminhou Alisângela ao Juizado da Infância e da Juventude. A garota afirma não querer voltar a morar com a mãe, devido à pobreza, e também refuta voltar a viver com Raquel.
Estupro
Ana Elisa confirmou a hipótese de estupro sofrido pela vítima. A adolescente teria sido violentada por um tio antes de se mudar para Goiânia. Quando chegou à cidade, Raquel teria conduzido a jovem à delegacia e ao IML. Os exames, entretanto, não comprovaram lesões. Para a delegada, isso não significa que os abusos não tenham acontecido. “Em muitos casos de violência sexual, os criminosos não deixam lesões, que são provas de sua culpa. A hipótese, porém, não pode ser descartada nem a veracidade das denúncias, contestada.”
Caso
A garota fugiu de casa, na segunda-feira (8/8), afirmando não aguentar mais os maus tratos cometidos pela mulher. Antes de se mudar para Goiânia (há mais de um ano, segundo no depoimento da adolescente), a menina morava com a avó, entre a cidade de Itaberaí e Itauçú, distante cerca de 102 quilômetros da capital. Depois, passou a morar com a mãe, amiga de Raquel Vieira dos Santos.
Em depoimento à polícia a menina afirmou que, apesar de não permanecer trancada em casa, estava cansada de trabalhar para Raquel e apanhar com cinto e fios. Uma das três filhas de Raquel, com idade entre 15 e 16 anos, também foi denunciada pelas agressões. Com várias cicatrizes no corpo, a adolescente foi levada para o Centro de Valorização da Mulher (Cevam), onde está hospedada. Ela foi submetida a exames de corpo delito no Instituto Médico Legal e o relatório deve ficar pronto em 15 minutos.