Yuri Lopes
Goiânia – Quem viu o filme Steve Jobs, a cinebiografia sobre o fundador da Apple, pôde ver a crise de relacionamento entre Steve e Lisa Brennan-Jobs, sua filha com a colega de colégio, Chrisann Brennan, ainda no início da fabricante do iPhone.

Mais detalhes sobre essa relação de pai e filha serão citados no livro de memórias Small Fry, escrito por Lisa e com previsão de lançamento nos Estados Unidos para o dia 4 de setembro deste ano. Ainda não há informação sobre publicação do livro no Brasil.
A obra revela várias passagens marcantes na vida de Lisa e vários detalhes da relação entre ela e o pai.
Confira a seguir trechos do livro:
Durante o tempo que minha mãe estava grávida, meu pai começou a trabalhar num computador que mais tarde seria chamado de Lisa. Foi o precursor do Macintosh, o primeiro computador do mercado com um mouse externo — o mouse era tão grande quanto um bloco de queijo. Mas ele era caro demais, foi um fracasso comercial. Meu pai trabalhou nele no início, mas depois passou a trabalhar contra ele, competir com ele na equipe do Mac. O Lisa foi descontinuado, os 3.000 computadores não vendidos mais tarde foram enterrados em um aterro em Logan, Utah.
“Eu tenho um segredo “, disse aos meus novos amigos na escola. Eu sussurrei para que eles vissem que eu estava relutante em mencionar isso. “Meu pai é Steve Jobs”.
— “Quem é ele?”, um perguntou.
— “Ele é famoso”, eu disse. “Ele inventou o computador pessoal. Ele vive em uma mansão e dirige um Porsche conversível. Ele compra um novo toda vez que encontra algum risco na lataria”. A história tinha um ar de ficção para eles, e até para meus próprios ouvidos. Não tinha saído com ele tanto, só alguns passeios de patins e visitas. Eu não tinha roupas ou bicicletas de alguém com um pai destes teria.
— “Ele até nomeou um computador com o meu nome”, eu disse.
— “Qual computador”, uma menina perguntou.
— “O Lisa”, eu disse.
— “Um computador chamado Lisa? Nunca ouvi falar”, ela respondeu.
Eu estava tremendo com a necessidade de definir o mal entendido de uma vez.
— “Ei, sabe aquele computador, o Lisa? O nome dele é por minha causa?”, eu perguntei depois de muitos anos, quando eu estava no colégio e passava meu tempo entre as casas de meus pais. Eu tentei passar um ar de uma simples curiosidade, nada mais.
— “Não”. Sua voz foi curta e seca, como se eu estivesse implorando um elogio. “Desculpe, garota”.
Almoçamos em uma varanda enorme, de frente para o mar. Bono fez perguntas ao meu pai sobre o início de Apple. A equipe se sentia viva? Sentiam que era algo grande e que iriam mudar o mundo? Meu pai disse que eles sentiram isso quando estavam fazendo o Macintosh, e Bono disse que era assim para ele e a banda também. “Não é incrível que pessoas em campos tão distantes podem ter a mesma experiência?”.
Foi então que Bono perguntou, “E o computador Lisa, levou esse nome por causa dela?” Houve uma pausa. Eu me encolhi, preparada para a resposta.
Meu pai hesitou, olhou para o seu prato por um longo tempo e então voltou a olhar para o Bono. “Sim, foi”, ele disse. Eu caí sentada na minha cadeira.
“Eu achava que sim”, disse Bono.
“É”, meu pai disse. Estudei o rosto do meu pai. O que havia mudado? Por que ele admitiu agora, depois de todos esses anos? Claro que o nome era por minha causa, eu pensei. Sua mentira parecia absurda agora. Senti um novo poder que levantou meu peito.
— “É a primeira vez que ele disse sim”, eu disse ao Bono. “Obrigado por perguntar”. Como se as pessoas famosas precisassem de outros famosos por perto para liberar seus segredos.