A Redação
Goiânia – Com o objetivo de orientar as empresas goianas a se anteciparem aos efeitos do fenômeno climático El Niño, que já está em curso, a Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) publica segunda-feira (5/10) o Guia de Preparação da Indústria Goiana para o El Niño 2026-2027. O material reúne informações técnicas e recomendações para empresas de todos os portes e segmentos.
Para o vice-presidente da Fieg e presidente do Conselho de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Cmas), Flávio Rassi, a informação é o primeiro passo para a proteção das empresas. “A indústria precisa estar bem-informada sobre o que o El Niño representa para nosso Estado. Conhecer os riscos com antecedência permite planejar, investir no que é prioritário e evitar que o clima se transforme em prejuízo para a produção”, afirma.
Três frentes de atenção
O guia foi elaborado pelo Conselho de Sustentabilidade e Meio Ambiente (Cmas) e organiza os riscos em três eixos: água, energia e saúde e segurança ocupacional.
O material também mostra que o setor sucroenergético (usinas de açúcar/etanol/bioenergia), embora responda por apenas 1,8% das outorgas, concentra 22,7% da vazão outorgada à indústria goiana. Entre as recomendações, estão o monitoramento dos corpos hídricos, o registro do volume utilizado e o respeito aos limites de vazão outorgados.
No eixo de energia, o guia destaca que a projeção do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) indica carga de 85.118 MW médios em setembro, alta de 5,93% em relação ao mesmo mês de 2025. O documento ainda alerta para o risco de desligamentos causados por queimadas, já que a Equatorial Goiás registrou 384 incêndios que afetaram a rede elétrica no Estado em 2025. Entre as orientações, estão o controle da demanda contratada, o teste de geradores de emergência e a inspeção de subestações.
Em relação à saúde e segurança ocupacional, o material trata dos efeitos do calor extremo e da fumaça sobre os trabalhadores e recomenda ações como monitoramento de material particulado, pontos de hidratação, uso adequado de máscaras e orientação das equipes. O guia traz ainda medidas de prevenção a incêndios e uma lista de telefones e canais de emergência.
Sobre o El Niño
Segundo nota técnica conjunta do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), o El Niño já está estabelecido desde junho de 2026, com alta probabilidade de persistência até, pelo menos, o início de 2027.
O fenômeno já é caracterizado como um evento potencialmente forte e, para Goiás, o cenário indica temperaturas acima da média, com possível agravamento do período seco, maior risco de incêndios, pressão sobre os recursos hídricos e sobre o fornecimento de energia elétrica.
De acordo com outra pesquisa, realizada pela empresa de pesquisa e inteligência de dados Nexus, o Centro-Oeste vivencia de maneira agressiva os efeitos da estiagem e do calor no País. O levantamento aponta que 39% dos moradores da região citam a seca prolongada e a falta de água como um dos principais impactos climáticos durante o último ano.
A mesma pesquisa indica que 40% dos entrevistados não ouviram falar e não sabem do que se trata o fenômeno El Niño, e apenas 10% afirmam acompanhar o tema de perto. É nesse contexto em que o guia surge como fonte de informações, apresentando recomendações práticas para que a indústria possa se preparar para seus efeitos na região.
