Gabriela Louredo
Goiânia
– A Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) tenta intermediar, junto à concessionária de
distribuição de energia Enel, a solução para um impasse que envolve os novos procedimentos adotados pela distribuidora de energia para instalação de transformadores.
Representantes da entidade e da Enel se reuniram com empresários das indústrias fabricantes de transformadores na manhã desta terça-feira (29) para discutir o assunto no auditório da Enel, no Jardim Goiás, em Goiânia.
No início de 2019, a Enel passou a adotar as novas regras para atender às exigências da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), e notificou os empresários sobre a mudança em dezembro de 2018. Eles reclamam que não tiveram tempo hábil para se adaptar aos novos padrões.
A situação se agravou depois que o Laboratório de Metrologia em Equipamentos de Conversão de Energia (Labmetro), da Universidade Federal de Goiás (UFG), único credenciado para a certificação de transformadores em Goiás, foi desabilitado a partir do dia 1º de janeiro de 2019.
Atualmente, os equipamentos devem ser levados até outro laboratório localizado no sul do País – reconhecido pela Enel – para que sejam submetidos ao processo de certificação, o que, segundo os empresários goianos, gera prejuízo e afeta diretamente a demanda do setor produtivo. A medida inviabiliza a construção de transformadores, uma vez que aumenta significativamente o custo operacional desse setor.
O presidente do Conselho Temático de Infraestrutura da Fieg, Célio Eustáquio, avalia as consequências para esse segmento. "Haverá uma perda de competitividade, na medida em que essas empresas terão uma questão de logística extremamente agravada porque terão que enviar esses equipamentos a um laboratório creditado em outro estado", diz.
Ele defende a ampliação do prazo para implementação dos novos procedimentos e também o recredenciamento do Labmetro. Célio Eustáquio sugere que a Enel faça o aporte de recursos para investimentos tecnológicos no laboratório, a fim de que ele possa se adaptar totalmente às normas requeridas.
"E nós também acreditamos que tem que haver uma solução. O Estado não pode ser prejudicado dessa forma. Nós temos que fazer com que haja essas possibilidade do laboratório voltar a ser credenciado e que seja uma fonte de ajuda a esses industriais que produzem equipamentos de alta qualidade e que possam ser credenciados, laudados para fazer parte da rede Enel", afirma. "A Enel tem verba para inovação e ela pode investir no laboratório", arremata.
O representante da Enel no encontro, engenheiro eletricista Lúcio Pinheiro, disse que as demandas dos empresários serão analisadas. "A gente conseguiu reunir boa parte dos interessados, nós recebemos essas informações e internamente a Enel vai avaliar os pontos que foram apresentados", comentou.
As empresas também poderiam assumir a certificação por conta própria, realizando o procedimento no interior das indústrias, mas o cumprimento da exigência demandaria uma série de processos e morosidade.
Veja abaixo a nota da Enel:
A Enel Distribuição Goiás esclarece que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estabelece os requisitos para a compra de equipamentos e materiais para a rede das distribuidoras de energia no país e que as exigências são fundamentais para assegurar a qualidade do fornecimento e a segurança dos clientes. A distribuidora ressalta que os fornecedores devem cumprir pré-requisitos, como certificações de qualidade e ambientais. A Enel acrescenta que disponibiliza as especificações técnicas de materiais e os critérios de homologação no site da empresa.