A Redação
Goiânia – A cidade de Goiás, reconhecida pela Unesco como Patrimônio Histórico da Humanidade, foi palco na noite desta terça-feira (16/06) da cerimônia de abertura da 27ª edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica). Realizada no Cine Teatro São Joaquim, a solenidade reuniu autoridades, representantes de instituições parceiras, artistas, realizadores, pesquisadores, estudantes e o público que acompanha um dos mais importantes festivais de cinema ambiental do mundo, que neste ano traz o tema “Água e Clima no Brasil das Nascentes”.
A programação deste ano, a maior edição da história do festival, se estende até domingo (dia 21) e reúne mostras competitivas, shows nacionais, debates, oficinas e atrações culturais gratuitas. Promovido desde 1999, o Fica é realizado pelo Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult Goiás), em correalização com a Universidade Federal de Goiás (UFG), levando ao público o diálogo entre arte, ciência e meio ambiente.
Solenidade
A solenidade da noite foi marcada pela exibição do curta-metragem A Curva do Rio, do diretor goiano Kassio Pires. Produzido com recursos da Lei Paulo Gustavo, mecanismo operacionalizado pela Secult Goiás, o filme acompanha dois protagonistas, Anair e o Rio Paranaíba, que conduz a história em busca de entender por que a mulher de 60 anos que vive às suas margens tem tanto medo de suas profundezas. Avó do diretor, Anair encarna o processo de retorno e de reencontro com as raízes que atravessam a narrativa, enquanto o rio funciona como metáfora desse pertencimento.
Sobre a obra, o diretor e roteirista resumiu a inquietação que move o trabalho. “O filme entra na questão dos jovens que saem do interior e de alguma forma se sentem desterrados.”
Exibido pela primeira vez no Brasil durante a abertura do Fica, o curta teve estreia internacional em março de 2026, em Madagascar, no 20º Madagascourt Film Festival. Ao apresentar o filme em casa, Kassio Pires destacou o significado do momento e o sentido pessoal da narrativa.
“Esta é a primeira exibição do filme no Brasil e é muito importante que ela aconteça aqui.”
“O filme busca estabelecer um diálogo sobre identidade e sobre esse lugar caipira que muitas vezes tentamos abandonar.”
Homenagem a Dalton Paula
O artista plástico Dalton Paula recebeu das mãos da secretária de Estado da Cultura, Yara Nunes, o troféu do Fica 2026, em reconhecimento às suas pesquisas ligadas à ancestralidade e à representatividade negra. Ao agradecer a homenagem, o Dalton afirmou estar honrado com o reconhecimento e ressaltou a importância de iniciativas culturais que abram caminho para novas gerações.
“Que trabalhos como esse possam deixar alguma coisa importante para as futuras gerações, alguma contribuição para a história da arte e caminhos abertos para essa história de luta preta.”
O troféu do Fica 2026, lançado em 2025, é inspirado no pequi e foi reinterpretado em um design contemporâneo assinado pelo artista visual Marckal e confeccionado por Luís Fernando de Sousa. Para a produção das peças foram utilizadas madeiras nobres brasileiras provenientes de reaproveitamento, como peroba-rosa, imbuia, jatobá, garapeira, itaúba, tatajuba e angelim-pedra, escolha que reforça o compromisso do festival com a sustentabilidade e valoriza a história de cada peça.
“Madeiras de diferentes cores, cheiros e características que carregam uma longa história e agora se tornaram troféu.”
Clima
Ao dar as boas-vindas ao público, o prefeito da cidade de Goiás, Aderson Gouvea, lembrou a importância histórica do município, que celebra 300 anos em 2027, e apontou o festival como espaço de reflexão sobre os desafios ambientais do presente. “É aqui que nasceu o Estado de Goiás. É aqui que nasceu o povo goiano.” O prefeito também chamou a atenção para a necessidade de equilibrar produção de alimentos e preservação ambiental. “Se não tivermos planeta, se não tivermos água, se não tivermos terra, não adiantará continuarmos produzindo cada vez mais.”
Representando o presidente da Saneago, Ricardo Soavinski, a superintendente de Meio Ambiente e Recursos Hídricos da companhia, Camila Roncato, ressaltou a urgência da preservação dos recursos hídricos diante das mudanças climáticas. Ela anunciou ações voltadas ao município, como a continuidade dos trabalhos na bacia do Rio Vermelho, a ampliação da estação de tratamento de esgoto e a meta de universalizar o saneamento até o fim de 2027, ano dos 300 anos da cidade de Goiás.
“A água é a principal matéria-prima da Saneago. Por isso, preservar nascentes, rios e mananciais é fundamental para garantir abastecimento, qualidade de vida e equilíbrio ambiental para as próximas gerações.”
A secretária de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), Andréa Vulcanis, relacionou a crise climática às escolhas da sociedade contemporânea e defendeu uma transformação assentada no diálogo, na sensibilidade e na arte. “Com armas nas mãos e guerras declaradas, nós não vamos mudar a condição desse mundo. Vamos transformá-lo a partir da sensibilidade, da arte, da compaixão e da reconexão entre pessoas e natureza.” A secretária ressaltou ainda o poder de mobilização do festival.
“Um festival como esse nos leva para um outro lugar de consciência. Tenho certeza de que as pessoas sairão daqui mais sensíveis e mais preparadas para transformar o mundo que queremos deixar para as próximas gerações.”
O reitor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Antônio Cruvinel, referenciou o festival como espaço de encontro e construção coletiva. “Pensando no que o Fica pode contribuir para o nosso dia a dia, percebo o quanto é importante estarmos um ao lado do outro, e a cidade de Goiás é o lugar mais apropriado para acolher esse encontro.”
Já a reitora da UFG, Sandra Mara Matias Chaves, lembrou que esta é a quarta edição realizada no âmbito da parceria entre a universidade, o Governo de Goiás e a Fundação RTVE, e enfatizou a atualidade do tema escolhido para 2026. “Mais do que um espaço de exibição cinematográfica, o Fica tornou-se um ambiente de encontro entre arte, conhecimento, educação e compromisso social.”
“Discutir água tornou-se fundamental no momento que vivemos. Discutir água é discutir as condições que sustentam a vida.”
Representando o governador do Estado, Daniel Vilela, a secretária de Estado da Cultura, Yara Nunes, declarou o Fica oficialmente aberto. A titular da Cultura celebrou a continuidade do convênio que sustenta o evento e comemorou uma conquista desta edição, a equiparação dos valores das premiações. “Nós equiparamos todos os prêmios, todos os valores, mudança que contempla categorias técnicas como direção de fotografia, roteiro, montagem, som e direção de arte”. Ao reforçar o caráter coletivo do festival, Yara Nunes lembrou que “o Fica é feito por vocês e para vocês”.
A programação do festival segue até este domingo, com mostras competitivas, shows, debates e atividades formativas. O encerramento está marcado para as 10 horas, no Cine Teatro São Joaquim, com a cerimônia de premiação das produções vencedoras.
Serviço
Evento 27ª edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica)
Período 16 a 21 de junho de 2026, com encerramento no domingo (21/06), às 10h
Local Cidade de Goiás, Patrimônio Histórico da Humanidade pela Unesco
Ingresso Programação gratuita
Programação fica.go.gov.br
