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Fevereiro Laranja amplia debate sobre diagnóstico e tratamento da leucemia

Brasil registra 11 mil novos casos da doença por ano

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02.02.2026 - 22:43:49

A Redação

Goiânia – O mês de fevereiro é marcado pela campanha Fevereiro Laranja, dedicada à conscientização sobre a leucemia, um conjunto de doenças malignas que afetam as células do sangue e da medula óssea. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil registra cerca de 11 mil novos casos de leucemia por ano, somando homens e mulheres, e aproximadamente 6 mil óbitos anuais relacionados à doença, o que reforça a relevância do tema como questão de saúde pública.

O objetivo da mobilização é ampliar o acesso à informação, estimular o diagnóstico precoce e combater mitos que ainda cercam a doença. “As leucemias são doenças complexas, que podem se manifestar de formas muito diferentes. Informar a população sobre sintomas, fatores de risco e possibilidades de tratamento é fundamental para que o diagnóstico aconteça mais cedo e com melhores chances de sucesso”, destaca a hematologista Francielle Barreto Machado.

Principais manifestações clínicas da doença

Existem quatro grandes grupos de leucemia, classificados de acordo com o tipo de célula acometida — linfoide ou mieloide — e com a velocidade de evolução da doença, que pode ser aguda ou crônica. São elas: leucemia mieloide aguda (LMA), leucemia mieloide crônica (LMC), leucemia linfoide aguda (LLA) e leucemia linfoide crônica (LLC). As leucemias agudas costumam apresentar sintomas mais intensos e de instalação rápida, enquanto as formas crônicas geralmente evoluem de maneira mais lenta e silenciosa, podendo ser diagnosticadas em exames de rotina.

“A leucemia linfoide aguda é muito mais frequente em crianças. Já as leucemias linfoides crônicas aparecem com mais frequência em adultos acima dos 60 anos. As demais podem acometer praticamente qualquer faixa etária”, explica Francielle. Segundo dados do INCA, a leucemia é o tipo de câncer mais comum na infância, enquanto em adultos sua incidência cresce progressivamente com o envelhecimento da população. Essa diversidade de perfis reforça a importância da atenção aos sinais clínicos em todas as idades.

Sintomas, diagnóstico e evolução clínica

Os sintomas da leucemia variam conforme o tipo da doença, mas nas formas agudas costumam ser mais evidentes. Entre os sinais mais comuns estão anemia, cansaço intenso, fraqueza, palidez da pele e mucosas, falta de ar aos esforços, sangramentos espontâneos pelo nariz ou gengiva, hematomas pelo corpo, infecções de repetição e febre.

“Nas leucemias crônicas, o paciente pode não sentir absolutamente nada. Muitas vezes, o diagnóstico acontece em um hemograma solicitado em consulta de rotina”, explica a hematologista. Em relação aos fatores de risco, a médica alerta para a influência do ambiente de trabalho. “A exposição a produtos mielotóxicos, como solventes, tintas, benzeno, gasolina, agrotóxicos e pesticidas, pode aumentar a incidência de leucemias. Trabalhadores que lidam com essas substâncias, especialmente sem o uso adequado de equipamentos de proteção, apresentam maior risco”, ressalta.

A doação de medula óssea como tratamento

Segundo a especialista, o tratamento da leucemia depende diretamente do tipo da doença, da idade do paciente e de características genéticas das células afetadas. As principais abordagens incluem quimioterapia, imunoterapia, drogas-alvo dirigidas e, em alguns casos, o transplante de medula óssea. “Existem leucemias que nem sempre precisam de tratamento imediato, como alguns casos de leucemia linfoide crônica, que podem ser apenas acompanhados”.

O transplante de medula óssea, especialmente o alogênico, realizado com medula de um doador, é uma estratégia terapêutica fundamental em diversos casos. “Ter bancos de medula com doadores cadastrados aumenta significativamente a chance de encontrar um doador compatível. Além disso, pacientes em tratamento costumam necessitar de transfusões frequentes de sangue e plaquetas, o que torna a doação de sangue um apoio essencial ao tratamento e à sobrevida desses pacientes”, afirma a médica.

Histórias que inspiram esperança

O Fevereiro Laranja também ganha força ao dar visibilidade a histórias reais de enfrentamento da doença. Um exemplo recente é o da empresária e influenciadora Fabiana Justus, que tornou público seu diagnóstico de leucemia, compartilhou o processo de tratamento e hoje está curada. O relato contribuiu para ampliar o debate público sobre a doença e incentivar outras pessoas a buscarem diagnóstico e tratamento precoces.

Para a hematologista, esse tipo de exposição tem papel fundamental na conscientização. “Essas histórias mostram que a leucemia tem tratamento, que a ciência avançou muito e que o diagnóstico não é uma sentença definitiva. Informação salva vidas”, conclui.

 

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por Michelle Rabello

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