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Festival de cinema de Brasília terá 9 longas e 12 curtas em competição

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15.09.2017 - 10:09:12

São Paulo – Com a exibição fora de concurso de Não Devore Meu Coração, de Felipe Bragança, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro dá início a uma programação especial para comemorar sua 50.ª edição. Na mesma noite de abertura, no Cine Brasília, será entregue a medalha Paulo Emílio Salles Gomes ao consagrado cineasta Nelson Pereira dos Santos, precursor do Cinema Novo e um dos diretores mais importantes do movimento.

Conheça a programação completa do evento aqui. 

Criado em 1965 por vários intelectuais, entre os quais Paulo Emílio, então ligado à Universidade de Brasília, o festival recebeu o nome de Semana do Cinema Brasileiro e foi interrompido durante três anos – 1972, 1973 e 1974 – pela censura da ditadura militar. Não fosse o regime autoritário, estaria fazendo este ano sua 53.ª edição.

Essa história de resistência a um regime de exceção tornou-se seu DNA e fez de Brasília o mais politizado do circuito de festivais brasileiros. Essa, a sua melhor tradição, a de apresentar filmes de impacto tanto estético como social, ser plugado no momento político do País, ter sessões muito quentes no Cine Brasília e abrigar debates igualmente intensos sobre os filmes apresentados. O tempo passou, o festival mudou, tem testado formatos diferentes ao longo dos anos.

Manter viva essa chama e adaptá-la aos novos tempos será a tarefa nada simples da nova curadoria, que assumiu ano passado e agora será posta à prova em evento gigantesco e festivo pelo número redondo da edição de 2017. Este ano serão nove longas-metragens e 12 curtas em competição, num evento que se estende ao longo de dez dias – desta sexta-feira, dia 15, a 24 de setembro. O filme de abertura não compete, assim como o de encerramento, Abaixo a Gravidade, de Edgard Navarro.

Neste ano comemorativo, Brasília faz como os outros festivais brasileiros e transforma-se em maratona cinematográfica. Os filmes em competição representam o filé mignon de todo festival, mas ocupam apenas o período da noite. O resto do dia estará reservado a outras atividades, que se pretendem tão atraentes como a apresentação dos candidatos aos Troféus Candango. Para começar, como é de hábito, os filmes vistos a cada noite serão debatidos com público e jornalistas na manhã seguinte.

É uma atividade comum a muitos festivais, mas que sempre recebeu destaque especial no Festival de Brasília. Debates longos e às vezes polêmicos fazem parte de sua melhor história. Falar dos filmes, discuti-los, amá-los ou odiá-los, defendê-los ou atacá-los é também fazer cinema e Brasília compreendeu isso antes dos outros festivais. As tardes serão ocupadas por mesas de debates e seminários com temáticas diversas, porém com foco no cinema.

Além disso, haverá três master classes comandadas por mulheres de destaque no atual cinema brasileiro – as diretoras Anna Muylaert e Laís Bodanzky, e a produtora Vânia Catani. Livros serão lançados, alguns sobre a própria história do evento: Entre Olhares e Afetos, de Sérgio Bazi e Sérgio Moriconi, e Candango – Memórias de um Festival, de Lino Meireles. Haverá a também habitual Mostra Brasília (com a produção local) e outras, como 50 anos em 5 – Os Melhores Filmes da História do Festival, com títulos selecionados pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine).

O gigantismo da edição deste ano não se deve apenas à data comemorativa, mas ao aumento exponencial da produção, que cresce ano a ano. A organização do festival divulgou que nada menos de 778 filmes se inscreveram no evento, 25% a mais que no ano passado. Essa overdose cria problemas e soluções para os organizadores de festivais. Problemas, porque sobrecarrega as comissões de seleção; é ingênuo supor que tal quantidade venha necessariamente acompanhada de qualidade. Soluções, porque permite, como é o caso este ano, que se faça uma seleção diversificada do ponto de vista regional com títulos inéditos no Brasil. Parece um bom ponto de partida. Mas é apenas isso. O resto se verá ao longo da maratona.

Na competição
Arábia, de Affonso Uchoa e João Dumans, MG
Café com Canela, de Ary Rosa e Glenda Nicácio, BA
Construindo Pontes, de Heloisa Passos, PR
Era Uma Vez Brasília, de Adirley Queirós, DF
Música para Quando as Luzes se Apagam, de Ismael Cannepele, RS
O Nó do Diabo, de Ramon Porto Mota, Gabriel Martins, Ian Abé, Jhesus Tribuzi, PB
Pendular, de Julia Murat, RJ
Por Trás da Linha de Escudos, de Marcelo Pedroso, PE
Vazante, de Daniela Thomas, SP . (Agência Estado)

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por Yuri Lopes

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