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Lula, Flávio e Caiado (Foto: reprodução)

Faria Lima torce por desembarque de Flávio Bolsonaro em favor de Caiado

Para mercado, candidato do PL não vai resistir ao teste das urnas, e Lula vence no 2º turno

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27.07.2026 - 15:13:59
São Paulo – Não é segredo que o mercado financeiro brasileiro, representado pela região paulistana da Faria Lima, não gosta da política econômica do PT e do presidente Lula. Apoiou Jair Bolsonaro (PL) por ser o candidato que assumiu uma linha mais liberal. A preferência, no entanto, não se aplica a Flávio Bolsonaro, pré-candidato pelo PL.

Flávio encontra enorme rejeição na Faria Lima, segundo detalharam à reportagem gestores, economistas e CEOs com a condição de não terem o nome citado. Uns poucos bolsonaristas convictos ainda prestam apoio irrestrito, mas a maioria torce pelo desembarque de Flávio. Muitos avaliam que, apesar de ser competitivo nas pesquisas, ele não vai resistir ao teste nas urnas. Hoje a expectativa é que Lula vença no segundo turno.

Para o grupo que define para onde vai boa parte do dinheiro do Brasil, a desistência de Flávio criaria ambiente para o avanço de candidatos considerados mais estáveis, como a dobradinha Ronaldo Caiado-Gilberto Kassab (ambos do PSD), cuja preferência cresce dia a dia nesse grupo. Afora o perfil mais liberal na economia, Caiado é bem avaliado por sua política de segurança pública.

Também são bem cotados os empresários Renan Santos (Missão), que tem atraído crescente simpatia por criar uma imagem de renovação, e Romeu Zema (Novo).

Um conjunto de razões erodiu a imagem de Flávio Bolsonaro no mercado financeiro.

Ter mentido sobre a proximidade em relação a Daniel Vorcaro, do Banco Master, a quem pediu dinheiro, pesa muito. No ranking de confiança do setor empresarial, Flávio despencou.

O que se conta, até com um tom de indignação, é que ele olhou no olho de muita gente e mentiu. As contradições na hora de explicar o financiamento de “Dark Horse”, filme sobre a vida do pai, aprofundaram as desconfianças.

Como existe um inquérito sobre o caso, os integrantes do mercado financeiro também afirmam que sentem desconforto em colocar as fichas em um candidato à Presidência que seja alvo de investigações.

A percepção agora é que paira sobre Flávio Bolsonaro um telhado de vidro que pode se espatifar a qualquer momento. O mercado convive com a perspectiva de que surja alguma nova troca de mensagem de WhatsApp ou vídeo desnudando algum novo segredo inconfessável.

Como Flávio é o principal rival de Lula nas pesquisas, que impede a ascensão de outros candidatos de direita, o maior temor é que alguma denúncia esteja sendo guardada para ser detonada no segundo turno, garantindo a reeleição de Lula.

O setor financeiro também entende que Flávio não tem demonstrado habilidade política para formar alianças. A avaliação é que ele prefere rivalizar a compor ou negociar. O embate público com a madrasta Michelle Bolsonaro (PL), vista como uma força política já estabelecida entre as mulheres, é descrito como um erro estratégico inexplicável.

Flávio demonstra ter dificuldade para mobilizar apoio de outros partidos e, segundo analistas que acompanham bastidores da política, sua candidatura está rachando até o PL.

Não fechou apoio do PP, não conseguiu sensibilizar a senadora Tereza Cristina (PP-MS) para ser sua vice e está afastado até de figuras políticas consideradas estratégicas que são próximas ao pai, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) —esse, sim, o candidato preferido do setor financeiro.

Para a Faria Lima, um erro fundamental que ainda hoje gera mágoa e ressentimento foi o fato de os Bolsonaro terem preterido Tarcísio em favor de Flávio.

O senador Rogério Marinho, coordenador da estratégia eleitoral de Flávio, e Daniella Marques, ex-presidente da Caixa, que disputa para ser a vice na chapa, têm circulado pela Faria Lima apresentando Flávio como o único candidato capaz de derrotar Lula, mas sem convencerem a audiência.

Pela fragilidade que Flávio demonstrou até agora, a análise do cenário político de bancos, gestoras e corretoras precifica a vitória de Lula —ou seja, os preços dos ativos locais já estariam refletindo a reeleição do presidente, com o Ibovespa abaixo da máxima, dólar acima de R$ 5 e juros futuros em alta.

Os títulos do Tesouro, por exemplo, estão nos maiores juros desde o governo de Dilma Rousseff (PT). As NTNBs (Tesouro IPCA+) oferecem uma rentabilidade atual de cerca de 8% mais inflação. Já os prefixados estão perto de 15% ao ano.

É um cenário de pressão, agravado pela situação da dívida. Quando Dilma deixou a Presidência, em agosto de 2016, a dívida pública bruta do país como proporção do PIB (Produto Interno Bruto) estava em 69,34%, segundo dados do Banco Central. Hoje está em 81,1%.

Tais taxas são diretamente influenciadas pelos juros futuros — aposta do mercado de qual será a Selic daqui a meses e anos. Sem perspectiva de um forte ajuste fiscal, se precifica uma taxa anual de 14,75% em quatro anos, acima dos atuais 14,25%.

Para a Faria Lima, esses números são um sinal de que o mercado precifica uma continuidade da política econômica vigente, sem ajuste fiscal que reduza a dívida pública.

Além do fiscal, há quem se preocupe ainda mais com as próximas indicações ao STF. Além da vaga de Luís Roberto Barroso, para a qual o Senado rejeitou Jorge Messias, Lula teria outras três indicações caso reeleito, lhe concedendo maioria no plenário. No atual mandato, o presidente indicou Cristiano Zanin e Flávio Dino.

Para outra parte da Faria Lima, a eleição ainda não tem movimentado o mercado, que se concentra na guerra do Irã e seu impacto no preço das commodities, especialmente o petróleo. (Texto publicado no jornal Folha de São Paulo e assinado por Alexa Salomão e Júlia Moura)

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por Ludymila Siqueira

*Repórter

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