Jales Naves
Especial para o AR
Goiânia – Com uma programação intensa e já com 200 adultos confirmados, será realizado nesta sexta-feira (15/11), no Clube da Affego, na divisa de Goiânia com Trindade, o 3º Encontro da Família Borges Naves.
Constam da extensa programação: café da manhã, de recepção aos participantes, às 8h; partida futebol entre grupos de familiares, às 9h; abertura oficial, às 10h, com ato ecumênico e homenagens; palestra sobre “Origem da família Naves e descendência”, a cargo do historiador e jornalista Jales Naves, às 11h30; show da dupla Fernando e Renan, às 13h, com três apresentações, em intervalos, de músicos da família; almoço, às 15h; sobremesa, às 16h; café com bolo (chá das 5), às 17h; e enceramento, às 18h.
Os preparativos estão sendo conduzidos em ritmo acelerado, para bem receber a todos, a maioria do eixo Goiânia-Firminópolis, mas com familiares chegando de várias regiões, como Araguaína, TO, de onde vem uma grande caravana; e Uberlândia, MG, onde residem muitos integrantes da família.
A Comissão Organizadora divulgou as primeiras doações para a festa: um leitão (Gabriel); uma vaca (Pretinho e Vitinho); 100 litros de chope (família de Joãozinho e Zarinha); 100 litros de chope (Pretinho); e 20kg de linguiça caipira (Vivico).
Origem mineira
Os Borges Naves formam um dos núcleos familiares mais antigos em Goiás, vindos do sudoeste de Minas Gerais. Esse núcleo chegou no início do Século XX, fixou-se na região Sul, mais precisamente em Buriti Alegre, Morrinhos e Caldas Novas, e tem uma característica: o casamento entre parentes próximos, muito comum entre eles. É citado como exemplo o casal pioneiro nessa busca por novos espaços, Antônio Romão Naves e Maria Vitória Naves, que eram primos primeiros.
Natural de Monte Santo de Minas, município cujas raízes históricas remontam à época da mineração do ouro em Jacuí no século XVIII, Antônio Romão Naves seguiu a trajetória de seus ascendentes que, com a exaustão das jazidas na região e o seu consequente empobrecimento, passaram a procurar terras férteis nas proximidades para a prática da agricultura. Filho de Constância de Souza Naves e Antônio Ferreira Maia, foi batizado em 12 de março de 1878, com 13 dias, tendo como padrinhos os tios João Naves de Souza e Lucinda Cândida de Souza.
O espírito empreendedor logo o fez buscar novos espaços e o destino seguinte foi mais longe, o Sul de Goiás, mais precisamente o município de Buriti Alegre, uma região promissora, com grande potencial e que começava a despertar o interesse de desbravadores. Foi o primeiro da família a se aventurar em busca de novas terras, nas quais pudessem tocar lavouras e criar gado; teve a companhia do primo e cunhado Guilherme Naves de Souza.
Mais tarde, com o aumento da família em Goiás, visitou nos anos 1940 a região do Mato Grosso Goiano, com terras até então localizadas no município da antiga Capital, devolutas, pertencentes ao Estado, antes de decidir onde adquiri-las para instalar a todos. A opção foi pela área entre São Luiz de Montes Belos e Firminópolis, denominada ‘Córrego da Costa’, região de matas e boa fertilidade, de cultura, ligeiramente ondulada e cheia de guarirobas e bacuris, onde se fixaram filhos e genros.
Para ficar mais próximo dos filhos e sobrinhos, resolveu em 1947 mudar de Anicuns para Firminópolis, então um povoado com uma praça e uma Igreja. A mudança foi transportada em carro de bois, em duas longas viagens, que demoraram uns dois dias, numa distância de 100 km. Quando as crianças cansavam da lenta caminhada desciam do carro de boi e iam a pé ouvindo o cantar das grandes rodas do carro.
As famílias tinham na agropecuária o seu meio de subsistência. A produção agrícola era transportada em carro de bois para Pires do Rio, última estação da Estrada de Ferro em Goiás, e ali comercializada, quando adquiriam querosene e sal. Nesta empreitada sempre foram requisitados José Naves de Sousa e João Borges Naves como carreiros.
Residindo em Firminópolis e cercado por prole numerosa, Antônio Romão Naves faleceu aos 93 anos de idade.