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Falta homem?

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27.09.2011 - 12:47:03

 


É praticamente uma unanimidade. Sente-se à mesa com um grupo de mulheres solteiras e as duas frases que você mais ouvirá são “falta homem nessa cidade” ou “aqui só tem gay”. Não são desabafos. Essas duas expressões ganharam ares de certeza absoluta. Viraram um mantra. Uma verdade universal e incontestável.

Na minha opinião, sinceramente, elas são um grande clichê. Um ótimo pretexto para justificar a infelicidade na vida amorosa. Uma excelente desculpa para se eximir de toda e qualquer responsabilidade sobre a própria frustração afetiva e culpar os homens. Os “terríveis” e “cruéis” homens.

Ao ouvir as mulheres falarem do sexo masculino, acabo duvidando de que eles sejam seres humanos, gente como a gente. Pelas descrições cheias de rótulos, parece que os homens são extraterrestres, incapazes de amar e se de envolver. Parece que eles nunca quebram a cara, nunca sofrem.

Quem acredita nisso provavelmente não tem irmão, primo ou um melhor amigo com quem conviva muito. Porque se tivesse, veria que eles não apenas se apaixonam e se envolvem, como muitas vezes sofrem mais do que nós. A eles não é dado o direito de chorar, de expor a perda, de se lamentar pelo fora durante dias ou meses.

É óbvio que há os canalhas e aqueles que não se comprometem de jeito nenhum. É claro que existem os garanhões, os caras-de-pau, os mentirosos sem pudor. Assim como também há mulheres galinhas, que traem, mentem, são interesseiras e egoístas. Defeitos e qualidades não fazem escolha de gênero.

Experimente ir aos consultórios de terapia e você verá que eles estão abarrotados. De mulheres e também de homens. Faça inscrição num site de relacionamento. Você verá milhares cadastros femininos e também masculinos. O desencontro é geral. A coisa está difícil para todo lado.

Não acho que falte homem. Na verdade, acho que sobra. Sobram expectativas irreais. Esse cara educado, culto, bem-sucedido, bonito, malhado, inteligente, agradável, bom de cama, resolvido e louco para casar e ter filhos que muitas mulheres querem não existe. O primeiro precedente para ser real e humano é ter falhas.

Também sobra passividade. “Não saio porque falta homem”. “Não me arrumo porque falta homem”. “Não vou me esforçar para ser uma pessoa legal porque falta homem”. Já que acha que a oferta no mercado está ruim, então você continua levando a vida que sempre teve, não muda um milímetro e fica paradinha, à espera de um milagre.

Sobra apego. Em vez de liberar o passado e parar de fuçar 24 horas por dia no Facebook do seu ex, de procurar saber se a atual dele é mais feia ou bonita que você, ir aos lugares que ele frequenta e chorar porque ele não te quis, você bem que poderia prestar atenção aos outros homens que estão ao seu redor.

Sobra medo. Em vez de ousar explorar lugares novos, fazer cursos inusitados, viajar para cidades ou países desconhecidos, se permitir um café com aquele cara que você só conhece de vista mas que te acha interessante, você todo dia faz tudo igual. E andando com a turma de sempre, não se permite conhecer gente diferente.

Falta leveza, aquela habilidade necessária para entender que o fora de um homem que você estava paquerando não é uma ofensa pessoal. É apenas o indicativo de que, naquele momento, ele não está disponível. E que mesmo o fora mais trágico pode acabar se tornando cômico e rendendo boas risadas no final.

Falta disposição. A disposição de não deixar de buscar o amor porque a experiências passadas não deram certo. De não desistir da procura de um parceiro porque muita gente ainda não conseguiu e com você não seria diferente. É claro que com você será diferente. Você é única, não é igual a ninguém.

Num mundo com 7 bilhões de pessoas, duvido que ao menos uma não perceba o quanto você é especial e adorável. Tenho certeza que você merece um cara legal. A questão é que não basta querer o amor, é preciso lutar por ele. Então, mãos à obra, garota. Eu não creio em clichês, mas em você eu acredito.

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por Fabrícia Hamu

*Jornalista formada pela UFG e mestre em Relações Internacionais pela Université de Liège (Bélgica)

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