São Paulo – O Facebook suspendeu de sua plataforma, nesta sexta-feira, 20, a empresa de análise de mídias sociais Crimson Hexagon, por uso suspeito de grande número de dados coletado de usuários da rede social. Segundo reportagem do jornal Wall Street Journal, a empresa analisava dados públicos coletados não só do Facebook, mas também de Instagram e Twitter para fornecer informações e tendências para clientes como o governo dos Estados Unidos e uma organização russa sem fins lucrativos vinculada ao Kremlin.
A Crimson Hexagon se autoconsidera a maior detentora de postagens públicas de mídia social. Ela diz ter mais de um trilhão de dados coletados de usuários das três redes sociais. A empresa é uma das maiores companhias da uma indústria de análise de marketing, sendo avaliada em mais de US $ 1 bilhão nos últimos anos. Segundo fontes ouvidas pelo jornal, a Crimson Hexagon opera longe da supervisão do Facebook, uma vez que extrai dados públicos da plataforma de mídia social.
Ao jornal, Chris Bingham, diretor de tecnologia da Crimson Hexagon, disse em um comunicado que segue as políticas de seus parceiros de mídia social e que a empresa não coleta dados privados. Hoje, Bingham disse que está cooperando totalmente com o Facebook e "trabalhando junto para resolver o problema o mais rápido possível".
O Wall Street Journal encontrou indícios, no entanto, de que a empresa recebeu, por acaso, dados privados do Instagram em 2016. Segundo as fontes ouvidas para a reportagem, à época, funcionários da empresa disseram que a coleta aconteceu devido a uma falha de software do Facebook e que não sabia a quem avisar, já que não tinha contato com funcionários da empresa de Mark Zuckerberg.
Um porta-voz do Facebook disse que a empresa havia solicitado mais provas da Crimson Hexagon, mas que não tinha encontrado, até o momento indícios de que a empresa coletou alguma informação de forma inapropriada no Facebook ou no Instagram.
As políticas do Facebook obrigam empresas de análise de mídia social a se registrarem como desenvolvedores e concordarem com os termos de serviço antes de extrair grande número de dados. Os termos de serviço da plataforma incluem a regra de “não confundir, enganar, defraudar, enganar ou surpreender alguém”.
Fontes ouvidas pela reportagem disseram que, por conta das recentes barreiras criadas pelo Facebook, a Crimson Hexagon coletou mais dados de usuários do Twitter. A rede social disse que investe “pesadamente em nosso programa de conformidade de dados nos últimos anos e reforçamos rigorosamente nossas regras contra a violação de desenvolvedores – incluindo a suspensão permanente do acesso a dados do Twitter de qualquer forma".
Polêmica
Entre os fundadores da Crimson Hexagon está o cientista social e professor de Harvard Gary King. Junto com funcionários do Facebook ele é um dos idealizadores do projeto Social Sciencia One, que dará a uma equipe de pesquisadores externos acesso aos dados do Facebook. As informações serão usadas para estudar como a plataforma influencia as eleições e a democracia no mundo. O projeto foi criado após o escândalo da Cambridge Analytica, consultoria política que usou indevidamente dados de 87 milhões de pessoas a partir de um aplicativo desenvolvido pelo pesquisador Aleksandr Kogan.
King disse, em um comunicado, que nunca esteve envolvido nas operações diárias da empresa. E que a Crimson Hexagon não está entre as empresas participantes do programa.
Segundo o jornal, a empresa vendeu sua plataforma de análise para uma organização russa ligada ao governo local em 2014. Os dados foram usados para estudar a opinião dos habitantes do país sobre o regime do presidente Vladimir Putin.
Os Estados Unidos já desembolsou mais de US$ 800 mil por 22 contratados separados desde 2014, disse o jornal. Um porta-voz do departamento de Estado dos EUA disse que uma de suas divisões usa o Crimson Hexagon "para identificar e analisar tendências de dados de mídia social e digital disponíveis publicamente".
Fontes disseram ao jornal que o Departamento de Defesa dos EUA usava os serviços da empresa para rastrear o Estado Islâmico. O Departamento de Defesa não quis comentar.
O Facebook disse que vai investigar os contratos firmados entre a empresa de mídia e o governo americano e a entidade russa. A rede social nega saber o teor dos contratos firmados. (Agência Estado)