Mesmo após o perfil criado pelo jornal denunciar o material – como um vídeo em que uma criança parece ser violentamente abusada e discussões em fóruns com títulos como “Estupre-me” com fotos de crianças – moderadores da rede não removeram o conteúdo.
Também foram flagradas e denunciadas mensagens de apologia ao terrorismo, como um vídeo em que um soldado mascarado segura uma faca e pisa em uma cabeça decapitada, além de cartazes de apoio a ataques terroristas recentes em Londres e no Egito.
Em um mês na rede com perfil falso, o repórter do Times conectou-se com mais de cem apoiadores do Estado Islâmico e entrou em grupos que compartilhavam imagens de exploração sexual de crianças. Algumas foram removidas após denúncia, mas muitas permaneceram.
Brasil
O escritório do Facebook no Brasil reforçou o mesmo posicionamento. A Associação Nacional de Jornais (ANJ), que reúne as principais empresas de mídia impressa do País, manifesta preocupação. “Mostra graves problemas nas redes sociais. Já tínhamos visto que é território livre para notícias falsas e que há uso de robôs para inflar audiência para publicidade. Agora, se constata que o controle de conteúdo é falho. Do ponto de vista das empresas de comunicação, que estão na rede para divulgar seu conteúdo de qualidade, falhas como essa causam apreensão”, disse o diretor executivo da ANJ, Ricardo Pedreiras. Para ele, o usuário deve estar atento para saber que, no controle de qualidade do conteúdo, as empresas de comunicação têm diferencial “extraordinário” em relação às redes.
A Polícia Federal (PF) constatou isso na Operação Acervo Proibido, que prendeu seis envolvidos com pedofilia anteontem. “Uma das imagens trocadas entre pedófilos foi retirada do Facebook. Era uma foto de uma menina de 8 anos com saia curta, que não parece ter problema, mas aos olhos do pedófilo ganha outra conotação”, disse o coordenador da operação, delegado Valdemar Latance Neto, da PF de Sorocaba. “Os pais têm de saber que uma foto do filho, para eles inocente, pode ser usada como moeda de troca nesse submundo.”
Para combater problemas como esse, o Facebook ressalta a importância de os usuários conhecerem as centrais de Segurança e de Privacidade, com dicas de uso da rede. (Agência Estado)