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Exposição sobre Brasília tem que percorrer o Brasil, diz historiadora Lenora Barbo

Mostra foi inaugurada em Goiânia

08.12.2025 - 07:37:48
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Jales Naves
Especial para o jornal A Redação

Goiânia – A exposição “Brasília – O alicerce goiano de um sonho brasileiro”, que o Instituto Histórico e Geográfico de Goiás inaugurou na sexta-feira, dia 5, em sua sede, em Goiânia, e que permanecerá aberta em 2026, é um convite para “revisitarmos a origem de um dos capítulos mais inspiradores da nossa história nacional: a construção de Brasília, erguida no coração do Planalto goiano em 1960, e o papel essencial que Goiás desempenhou na realização desse ideal coletivo”, afirmou a arquiteta e historiadora Lenora Barbo, ao falar nesse ato inaugural. “Mais que uma celebração, esta exposição propõe uma imersão na longa jornada da transferência da capital – do litoral ao interior, da borda ao centro, da margem ao coração do país. É um movimento que atravessa o século XIX, inspirado por vozes como de Hipólito da Costa e José Bonifácio e que encontra sua materialidade na ousadia modernizadora de Juscelino Kubitschek”, afirmou.

O presidente Jales Mendonça, ao idealizar esta exposição e documentário, “cumpre uma missão institucional e dá a esta Casa a grandeza que ela merece, como guardiã da nossa memória”, frisou. “Fico emocionada quando me lembro que coube a mim a honra de ser convidada por ele para conduzir, juntamente com a museóloga Vanessa Resende, o desafio de contar essa história grandiosa de nosso Estado. Agradeço, Presidente, a confiança, a liberdade de trabalho e a possibilidade de mergulhar tão fundo na nossa história e me aproximar dos nossos personagens, para conhecer e me inspirar no caminho que eles escreveram. E, após esse percurso, afirmo com convicção, presidente Jales: esta exposição precisa percorrer o país. Precisa, inclusive, alcançar palcos internacionais – como Brasília alcançou o mundo durante sua construção, encantando-o por sua beleza e por sua ousadia. Porque esta é uma história que merece ser contada. É uma história que vale a pena ser conhecida”.

 


Mesa diretora dos trabalhos no IHGG (Foto: Narcisa de Abreu)

Ao concluir sua extensa e elogiada agenda de eventos do ano, o IHGG teve repetido, como na maioria das exposições e palestras, o sucesso de presença, com os goianos ocupando todos os lugares disponíveis. Foram cinco memoráveis momentos: a abertura, no espaço ao lado da Casa Rosada de Goiânia, da exposição das artistas Neusa Del Monte e Heliana de Almeida; a bela Cantata de Natal com o Coro Sinfônico e a Orquestra Sinfônica de Goiânia, sob a regência do maestro Eliel Ferreira; a apresentação do aplaudido documentário criado pelo cineasta Antônio Eustáquio Taquinho; os discursos no auditório do IHGG, e a convidativa exposição, no primeiro andar, que permite uma viagem no tempo aos que se aventuram a conhecê-la. Todos ressaltaram a presença das famílias, que foram celebrar a memória “de homens e mulheres que lutaram por Goiás e deixaram um legado perene – um legado que nos cabe conhecer, honrar e manter vivo, como uma chama que atravessa o tempo”, destacou Lenora Barbo.

Projeto monumental

A mostra reúne objetos de protagonistas, documentos oficiais, matérias da imprensa, mapas, registros audiovisuais e acervos fotográficos que revelam a dimensão humana, política e geográfica desse projeto monumental. “Cada peça exposta ecoa a convicção de que o centro geográfico do país poderia ser também o centro da identidade do Brasil”, afirmou. “Cada registro ressignifica a presença goiana, evidenciando sua liderança, sua coragem e sua capacidade de decisão. Ao final do percurso, impõe-se uma certeza: Goiás não foi cenário. Goiás foi fundamento”.

Por mais de um século e meio, entre debates, embates e esperanças, o Estado se ergueu como voz e força na construção desse sonho brasileiro. “Este Planalto, que hoje acolhe a capital, já despontava como baluarte inexpugnável: o mesmo chão visto in loco por Varnhagem, o mesmo chão demarcado pela Comissão Cruls, o mesmo chão onde Glaziou identificou, no silêncio das águas, o pressentimento de Brasília”.

Mas – como disse – não é assim que o papel desempenhado pelos representantes de Goiás está gravado na história que hoje é repetida nas escolas, nos parlamentos, nas casas de cultura, “nem no nosso próprio Estado”. Perguntem ao vizinho quem construiu Brasília. Quantos goianos ele será capaz de citar? Perguntem por que Brasília está aqui, tão próxima, irradiando progresso até os confins da Amazônia? Perguntem aos professores de Geografia quantas expedições vieram depois da Comissão Cruls. Perguntem quantas comissões Cruls foram a campo. Será que sabem que foram duas?

Lugar certo

“Sabem que essas comissões buscavam o melhor sítio, o ponto geográfico ideal, o encontro das águas, o espigão mestre, o ponto geopolítico único de todo o território brasileiro? E sabem eles por que, mais de cento e cinquenta anos depois, esse lugar ainda prevaleceu? Porque, senhoras e senhores, desde o início da República, sempre houve alguém por Goiás – na hora certa e no lugar certo”, frisou.

A Constituinte de 1890 travou um debate decisivo, e ali estavam parlamentares goianos, presentes e firmes, subscrevendo a emenda que gravou na Constituição de 1891 a determinação da mudança da capital e a criação de uma comissão exploradora. Em 1892 foi nomeada a Comissão que, sob o comando do astrônomo Luiz Cruls, reuniu cientistas altamente qualificados. E, mais uma vez, lá estava um goiano: Henrique Silva, de Bonfim – hoje Silvânia. Em 1893, o relatório foi concluído, demarcando o famoso Quadrilátero Cruls. E imediatamente, no dia 19 de agosto, foi protocolado o Projeto de Lei 245/1893, que autorizava a instalação de uma administração provisória na zona destinada à futura capital da União.

A segunda Comissão Cruls nem havia sido formada e já tinha um projeto de lei colocando a transferência em movimento. Um projeto de lei que em 12 artigos estabeleceu um sistema de medidas para que se realizasse a mudança da Capital Federal no mais breve prazo de tempo possível. “O primeiro ato concreto, simbólico e efetivo – o primeiro gesto que deu partida à mudança – foi apresentado por um goiano. Em parceria com Belarmino de Mendonça, deputado pelo Paraná, o constituinte Sebastião Fleury Curado fez história. Procurador da República por duas décadas, pai de Augusto da Paixão Fleury Curado – cuja presença reverenciamos neste auditório que leva seu nome – ele deu o passo inaugural rumo à capital que viria”, relatou Lenora.

Seis datas

A exposição do IHGG mostra que Goiás esteve presente desde o primeiro instante da República até o dia de inauguração de Brasília, em 21 de abril de 1960. “Sempre houve um goiano – nos estudos técnicos, nas disputas geopolíticas, nas expedições científicas, nos parlamentos e nas decisões cruciais”, explicou. “Não nos furtamos aos embates. Nem aos debates. Nem às negociações. Cada arena era uma oportunidade. Cada oportunidade, um avanço”.

Juscelino gravou em mármore, no Museu da Cidade, na Praça dos Três Poderes, em Brasília, as seis datas essenciais da transferência da capital: 1789, Inconfidência Mineira, antevisão da liberdade; 1891, Constituição republicana determina a mudança; 1955, O comício de Jataí; 1956, projeto do presidente JK cria a Novacap; 1956, em 2 de outubro, JK visita pela primeira vez o sítio da futura capital e determina o início das obras; 1960, inauguração de Brasília.

“Dessas seis datas, em cinco delas estivemos presentes”, recordou. “Mas, após a inauguração, começou o silenciamento sobre o protagonismo de Goiás nessa história, que é uma das mais ousadas e inspiradoras do Brasil moderno”.

Em 1991, Jerônimo Coimbra Bueno esteve em Goiânia a convite da confreira Narcisa Abreu e, mais uma vez, provando sua extraordinária visão e capacidade de articulação, fez um chamamento aos goianos – é de nossa responsabilidade a preservação do papel de Goiás nessa belíssima história e devemos cuidar desse legado!”.

É o que o IHGG faz.

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por Adriana Marinelli

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