Brasília – Após registrar fome, guerra, êxodos, o fotógrafo Sebastião Salgado volta-se para a natureza e para as populações tradicionais no trabalho Genesis. Na jornada fotográfica, que começou com o envolvimento pessoal com a questão ambiental, ele mostra com a imagem, que o homem faz parte da natureza, por mais que se esqueça. E, para sobreviver, precisará se lembrar disso.
A exposição Genesis pode ser visitada no Centro Cultural Banco do Brasil em Brasília, entre 3 de setembro até 20 de outubro.
"Para construir cidades, aeroportos, tantas coisas, deixamos para trás danos enormes. Estamos vendo os efeitos disso, como na cidade de São Paulo, a queda nas reservas de água", diz. "Todas as nossas nascentes terão que ser recuperadas se as populações quiserem manter um equilíbrio de conforto por meio da manutenção da água".
A exposição reúne 245 fotografias de 32 viagens feitas entre 2004 e 2011. Em parceria com a esposa, Lélia Salgado, o trabalho mostra lugares de difícil acesso e onde a natureza e os costumes tradicionais permanecem praticamente intocados. Segundo Salgado, por mais inacreditável que possa ser, esses lugares representam 45% do planeta.
"Quase a metade ainda está ai. Não é de fácil acesso, porque é extremamente seco, ou úmido, impenetrável, extremamente frio ou quente, mas está ai e são terras importantíssimas para processos globais, terras que precisamos preservar se quisermos sobreviver como espécie", diz. Entre os locais visitadas estão a Antártica, as Ilhas Galápagos, o Congo, Uganda, os Estados Unidos e o Brasil.
Para Salgado, fotografar a natureza exigiu um novo aprendizado, apesar da semelhança com os seres humanos. "Até Genesis eu nunca tinha fotografado animais, nunca tinha fotografado árvores ou o mundo mineral. O que eu descobri é que não tem diferença nenhuma", diz o fotógrafo. "Com os seres humanos é preciso se aproximar, ser aceito, integrar uma comunidade. É mesma coisa quando vai se fotografar um elefante, uma tartaruga, tudo isso é vivo, tudo faz parte de uma coisa maior", explica.
Isso ficou provado com todas as experiências que teve durante o trabalho. Da Patagônia, por exemplo, leva a amizade de uma baleia. "Era como um cachorrinho, eu passava a mão na cabeça dela e via lá longe a cauda tremendo. Uma coisa incrível a sensibilidade de pele. Às vezes, ela fazia uma curva com o corpo e entre a cauda e cabeça coloca o barco. Emocionante".
Lélia é responsável pela curadoria e acompanhou o marido em muitas das viagens. De uma gama incontável, cujo número exato nem mesmo o casal sabe, foram pré-selecionadas 4 mil fotos, até chegar na seleção final. "O conjunto é um pensamento, a ilustração de um conceito. Fala do nosso planeta e da nossa obrigação de proteger as coisas maravilhosas que ele tem", diz a curadora.
Juntos, os Salgado mantém o Instituto Terra, criado a partir da propriedade rural dos pais de Salgado, que promove a recuperação da Mata Atlântica. Em parceria com o Banco do Brasil, recebem doações pelo Arredonde sua Conta. Os clientes podem arredondar os centavos da fatura mensal de seu cartão de crédito, no valor máximo de 99 centavos para o instituto. (Agência Brasil)