José Abrão
Goiânia – Dados divulgados nesta segunda-feira (22/6) da segunda etapa da Expedição Safra Goiás 2026/2026, iniciada em 16 de junho e realizada pelo Sistema Faeg/Senar/Ifag e parceiros, avaliaram as condições da safrinha em 19 municípios goianos e apontam que o atraso no plantio da soja e as chuvas durante a colheita impactaram a semeadura do milho, com cerca de 43% da área cultivada fora da janela ideal de plantio.
O levantamento também indica que o déficit hídrico registrado entre outubro de 2025 e abril deste ano, que chegou a 600 mm a menos de chuva em algumas regiões, afetou a produção do grão. Após um recorde no ano passado, quando a produtividade atingiu 116,5 sacas por hectare, o índice deve recuar para entre 84,7 e 88,1 sacas por hectare, uma redução de 26,1%. Em volume, a estimativa é de queda de 12,7 milhões de toneladas em 2025 para entre 8,8 e 9,2 milhões, recuo de 28,9%.

Amostras de milho (Foto: divulgação)A expedição passou por 47 municípios ao todo e fez coletas e análises da qualidade dos grãos, da produção e da produtividade das lavouras de milho, sorgo e girassol em 19 delas. Cada veículo da expedição percorreu, ao todo, mais de 2 mil quilômetros. Além disso, foram feitos encontros técnicos nos sindicatos rurais de Pires do Rio, Acreúna, Piracanjuba, Rio Verde e Jataí, com orientações aos produtores das regiões e apresentação de projeções de mercado.
Muitos produtores também optaram por culturas alternativas, mais adaptadas à falta de chuva, como girassol e sorgo, o que contribui para uma menor oferta de milho. A produção de sorgo cresceu 27% e Goiás continua o maior produtor do país, com um aumento de 60% na área plantada. Já o girassol também teve queda na produção, de 7,5%, mas aumento de 14% na área plantada. “O produtor tem feito uma gestão de risco da sua propriedade, adotando essas culturas alternativas devido a essas questões hídricas. Agora nós vamos discutir esses dados com os órgãos competentes para definir políticas públicas que atendam os produtores”, afirma o vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) e presidente do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag), Armando Rollemberg.

Os principais problemas para o produtor permanecem os menos: alta taxa de juros; mudanças climáticas; custos de produção e redução na margem de lucro. Além disso, com o El Niño confirmado, outros desafios estão no radar. Para o superintendente do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Goiás (Senar Goiás), Dirceu Borges, a pesquisa promovida pela Expedição Safra é fundamental para preparar os produtores e mobilizar o setor agro ao redor de demandas e políticas públicas. “É de uma importância muito grande termos esses dados. Temos todos os problemas mapeados, sejam climáticos, financeiros ou de produção, para que o produtor possa buscar os melhores insumos, as melhores estratégias de financiamento e a melhor forma de driblar todos os desafios que o produtor tem enfrentado”, afirma.
Até fatores externos, como o fechamento do estreito de Ormuz, impactaram negativamente a produção, já que ocasionou o aumento no preço do diesel e dos fertilizantes. “Estamos trabalhando diuturnamente para trazer essas informações para o produtor rural para que ele possa se preparar de forma estratégica”, finaliza Rollemberg.

