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Ex-assessor lança livro sobre bastidores do governo Trump

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22.06.2020 - 09:38:27

Yuri Lopes
 
Goiânia – A Justiça dos Estados Unidos autorizou a publicação do livro A sala onde aconteceu: Memórias da Casa Branca, do ex-assessor presidencial de Donald Trump, John Bolton. 
 
A obra foi autorizada depois que o governo federal tentou bloquear, na última quarta-feira (17/6), o lançamento do livro alegando questões de segurança nacional. 
 
No livro, Bolton descreve Trump como desinformado e incapacitado para o cargo, oferecendo um relato detalhado de como o presidente "implorou" para que a China o ajudasse a reeleger-se.
 
Previsto para chegar às lojas no início desta semana, o livro traz as memórias do republicano que auxiliou Trump sobre assuntos de segurança nacional e política externa. Foi por discordar de vários conselhos sobre esta área que Trump o demitiu em setembro de 2019. 
 
Bolton esteve no Brasil em novembro de 2018, quando se reuniu com o então presidente eleito Jair Bolsonaro. 
 
Após a derrota do governo na tentativa de barrar a publicação do livro, Trump ameaçou o ex-conselheiro pelo Twitter. "Bolton violou a lei, e foi denunciado e repreendido por isso, vai ter que pagar um preço realmente alto.”, escreveu o protagonista do livro. 
 
A BBC Brasil fez uma lista com quatro revelações feitas pelo livro de Bolton. Confira:
 
1. Trump buscou apoio da China para garantir sua reeleição
De acordo com o livro de Bolton, o presidente americano pediu ajuda ao seu colega chinês, Xi Jinping, para conseguir se reeleger neste ano.
 
A mensagem havia sido transmitida em diversas oportunidades.
 
Em uma cúpula de 2019, Trump teria dito a Xi que o aumento de compras agrícolas e de grãos americanos por parte dos chineses melhoraria suas perspectivas eleitorais.
 
Também em junho de 2019, durante um encontro bilateral na Cúpula do G20 no Japão, Trump teria falado com Xi sobre os comícios presidenciais nos Estados Unidos "referindo-se à capacidade econômica da China para influenciar a campanha em curso, pedindo a Xi que assegurasse que ele ganharia".
 
"(Trump) Destacou a importância dos agricultores e de um aumento das compras chinesas de soja e trigo no resultado eleitoral. Eu publicaria as palavras exatas de Trump, mas o processo de revisão prévia do governo me impediu", diz Bolton no livro, segundo o The Washington Post.
 
Quando Xi concordou em dar prioridade aos produtos agrícolas durante as negociações comerciais, Trump se referiu a ele como "o maior líder da história da China".
 
Na quarta-feira pela tarde, o representante comercial dos Estados Unidos, Robert Lighthizer, refutou a versão de Bolton e disse que o pedido de ajuda para a reeleição "nunca ocorreu”.
 
2. Invadir Venezuela seria 'legal'
De acordo com o relato de Bolton, que era um dos críticos mais ferrenhos ao presidente venezuelano Nicolás Maduro nos EUA, muitos dos governantes ajudados por Trump em troca de apoio tiravam proveito do presidente, na tentativa de manipulá-lo.
 
Um exemplo citado no livro foi uma ligação telefônica em maio de 2019 na qual o presidente da Rússia, Vladimir Putin, comparou o líder da oposição venezuelana Juan Guaidó a Hillary Clinton, candidata democrata rival de Trump nas eleições de 2016.
 
Bolton classifica essa jogada como "uma brilhante amostra da propaganda no estilo soviético", que teria como objetivo assegurar apoio a Maduro, que é aliado do Kremlin.
 
E o resultado disso? Segundo Bolton, os argumentos de Putin "persuadiram Trump em grande parte".
O governo Trump, no entanto, mantém seu apoio firme a Guiadó como presidente interino e até aumentou as sanções contra o governo de Maduro.
 
Ao mesmo tempo, Bolton atribui a Trump uma série de afirmações escandalosas, como por exemplo, de que seria "cool" ("legal") invadir a Venezuela e que o país sul-americano é "na verdade parte dos Estados Unidos".
 
3. Ajuda a ditadores
No livro, Bolton faz referência a várias ocasiões em que – segundo sua versão – Trump manifestou disposição em impedir investigações penais "para, na verdade, fazer favores pessoais a ditadores que lhe agradam".
 
O ex-assessor de Segurança Nacional diz que, em maio de 2018, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, entregou a Trump um documento no qual defendia a inocência de uma empresa turca que estava sendo investigada por promotores do Distrito Sul de Nova York por supostas violações a sanções contra o Irã.
 
"Trump então disse a Erdogan que tomaria as rédeas das coisas, explicando a ele que as pessoas da promotoria do Distrito Sul não eram pessoas suas, mas sim de Obama [ex-presidente Barack Obama, antecessor de Trump na Casa Branca], um problema que estaria solucionado quando fossem substituídos por pessoas suas", escreve Bolton, que diz que a obstrução de Justiça parecia ser padrão no governo, o que informou o procurador geral William Barr sobre isso.
 
4. Obsessão pela reeleição
Bolton assegura que Trump tinha um único objetivo acima de todos: garantir sua permanência na Casa Branca por mais quatro anos.
"É difícil achar alguma decisão significativa de Trump durante meu período com ele que não estivesse motivada por cálculos sobre sua reeleição", escreve.
 
Um exemplo disso foi a decisão de Trump de falar publicamente sobre seu desejo de tirar Maduro do poder durante 2018, o que – segundo o livro – estava motivado por seu desejo de agradar eleitores republicanos na Flórida.
 
No entanto, Bolton descreve Trump como hesitante na hora de apoiar Juan Guaidó, que se declarou presidente interino da Venezuela com apoio americano em janeiro de 2019.
 
Mesmo tendo apoiado a proposta de Bolton para reconhecer Guaidó como presidente legítimo da Venezuela, em apenas 30 horas, Trump já estava considerando voltar atrás, pois considerava Guaidó frágil como um "menino" em comparação com o "robusto" Maduro.
 
Com a mesma motivação eleitoral, Bolton diz que, em 2018, Trump gritou em uma reunião com um dos seus principais assessores, indicando que o muro da fronteira do México precisava ser construído e que a imigração ilegal precisava cair.
"Fui eleito por causa deste tema e agora não vou ser reeleito por causa disso", teria dito Trump, segundo Bolton.
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por Yuri Lopes

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