José Abrão
Goiânia – A partir da próxima segunda-feira, 9 de novembro, a Galeria Aberta Elysium abre suas portas oficialmente no Setor Sul, em Goiânia, propondo um espaço de encontro entre arte, arquitetura, design e cultura. A iniciativa nasce da parceria entre o escritório de arquitetura Safadi & Bach, Elysium Sociedade Cultural e o jornal A Redação, reunindo diferentes áreas de atuação em torno de um propósito comum: aproximar a produção artística do público, ampliar sua visibilidade e criar novas oportunidades de circulação e comercialização das obras.
Um evento fechado sobre precificação com professores e artistas convidados do Laboratório de Política, Gestão e Produção das Artes e Culturas da Universidade Federal de Goiás (LabCult/UFG) marcou o início dos trabalhos nesta sexta-feira (6/11). Ana Bach, sócia da galeria, explica que o tema foi escolhido por ser muito pertinente para os artistas: “estamos recebendo profissionais da área para ter essa conversa que é fundamental, principalmente para artistas emergentes que ainda estão entendendo como vão abordar a própria carreira”.

O endereço abrigará a sede profissional do escritório de arquitetura Safadi & Bach e funcionará, simultaneamente, como uma galeria de arte permanente, com exposições abertas à visitação mediante agendamento prévio. A proposta é integrar a rotina de um escritório de arquitetura à dinâmica de um espaço cultural, estabelecendo uma convivência entre diferentes formas de criação.
O arquiteto Marcelo Safadi salienta que este é o resultado de um esforço de muito tempo. “Mais do que uma galeria, é um hub de conexão do design, da moda, das artes plásticas, da arquitetura. Nossa ideia é ter aqui um ponto de encontro onde as pessoas possam se reunir e apresentar seus projetos”, assegura.

O professor da UFG e diretor da Elysium Sociedade Cultural, Wolney Unes, explica que já era passada a hora de realizar uma iniciativa voltada para a arte na capital. Ele define a galeria como “um ponto de contato para reunir produtores, artistas locais e mostrar um pouco do nosso trabalho”. Ele também destacou a participação da UFG neste primeiro momento: “a gente se recente um pouco dessa separação entre o mundo acadêmico e o mundo externo. A gente só tem a ganhar reunindo esses dois ambientes, que são sinérgicos”, afirma.

O professor Paulo Feitosa da Faculdade de Artes Visuais da UFG e membro da Secretaria de Arte e Cultura da universidade comenta sobre como o tema abordado nesta abertura é relevante para a universidade. “Viemos nos aproximar e pensar um pouco nas discussões que tangem a prefificação dos eventos culturais. É muito importante estarmos próximos porque é a universidade que está formando a maioria desses profissionais”, pontua.

“Nós enquanto faculdade trabalhamos na formação, no diálogo com os movimentos sociais e culturais. Mas sobretudo trabalhar esse processo da arte desde a criação até o mundo do trabalho”, conta Flávia Cruvinel, diretora do LabCult e secretária de Arte e Cultura da UFG. Para ela, é importante pensar no papel estratégico da arte e da cultura na sociedade. “Enquanto artistas, formadores e gestores de cultura, queremos dar um passo além e mostrar que a arte e cultura são primordiais para a vida”.

A parceria entre as três instituições reúne a experiência do escritório na criação de espaços e no desenvolvimento de projetos de arquitetura e design, a atuação da Elysium Sociedade Cultural na preservação e difusão cultural e o alcance do jornal A Redação na comunicação e divulgação da produção artística.
Valorização da produção artística e dos coletivos independentes
A iniciativa busca oferecer novas possibilidades de exposição e comercialização para esses grupos, que frequentemente enfrentam a falta de espaços físicos dedicados à apresentação e à difusão de seus trabalhos. A proposta também prevê uma programação dinâmica, com exposições periódicas e diferentes propostas curatoriais ao longo do ano.
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A professora de Artes Visuais da Universidade de Brasília (UnB), Luisa Günther, explica como a precificação não pode ser dissociada da discussão sobre a arte. Ela afirma que há um fetiche nisso: “nada justifica uma obra chegar a R$ 1 milhão”. Para ela, é importante perder um pouco a ingenuidade sobre esse processo e também entender a obra de arte como um objeto que é alvo de especulação no mercado cultural: “deixar de acreditar que são questões apenas subjetivas. Acho bonito que esse processo se apresente de forma aberta para compor o pensamento sobre o valor de si mesmo”.

O presidente da Bienal do Sertão de Artes Visuais, Denilson Santana, relata que a precificação é importante inclusive para entender o trabalho dos artistas. “É como a gente valoriza a obra de arte. Discute relações desde mercado interno até a forma como o comprador pode ter essa ideia de valor embutida na obra tanto no aspecto da sua produção como em valor intelectual”, pondera.
O artista Marcelo Marostica está com três obras em exposição na galeria e comentou sobre a relevância da galeria e do laboratório de precificação. “Uma iniciativa de novas galerias na cidade é sempre bem-vinda. O mercado da arte está se aquecendo cada vez mais e isso abre as portas para os artistas emergentes e para os que já estão no mercado. É um espaço de apresentar o trabalho e se aproximar do público de artes visuais”, afirma.

A parceria com o jornal A Redação contribuirá para a divulgação das atividades, ampliando o alcance das exposições e fortalecendo a conexão entre artistas, instituições culturais e público.
Além das artes visuais, o design de mobiliário integra a identidade da Galeria Aberta Elysium. O espaço contará com peças autorais, objetos e elementos de design que dialogam com as exposições e com a própria arquitetura do ambiente.
A proposta é apresentar a arte e o design não como manifestações isoladas, mas como linguagens que se complementam e participam da construção dos espaços e da vida cotidiana. A convivência entre obras de arte, mobiliário e arquitetura permitirá ao visitante experimentar diferentes expressões criativas em um mesmo ambiente.
Serviço
Espaço: Galeria Aberta Elysium
Realização: Escritório de Arquitetura Safadi & Bach, Sociedade Cultural Elysium e jornal A Redação.
Abertura: Segunda-feira, 9 de novembro de 2026.
Horário de funcionamento: Diariamente, das 14h às 19h.
Visitação: Exclusivamente mediante agendamento prévio, em razão do funcionamento compartilhado com o escritório de arquitetura.
Programação: Exposições de artes visuais, apresentação de mobiliário autoral, comercialização de publicações e realização de eventos culturais.
Eventos e locações: Espaço disponível para eventos de pequeno porte, com capacidade estimada para 20 a 30 pessoas, incluindo ações pop-up de um a dois dias, mediante consulta e reserva prévia.
Agendamentos de visitas e reservas para eventos: 62 99216-4771
Endereço: R. 94, 1149 – St. Sul, Goiânia, Goiás
Redes sociais: @galeriaabertaelysium
