A Redação
Goiânia – Ocorre entre os dias 9 e 11 de abril em Goiânia o BAPS Summit Turismo de Saúde 2026, evento com especialistas nacionais e internacionais para debater o turismo médico brasileiro. O Brasil rivaliza com os Estados Unidos quando o assunto é número de cirurgias estéticas realizadas anualmente e disponibilidade de cirurgiões qualificados para executar esses tratamentos. Contudo, diante da disparidade entre a cotação das duas moedas, os procedimentos feitos com profissionais brasileiros podem ter custo até 60% menor.
Diante disso, o Brasil tem se tornado referência no turismo de saúde global, mas esse tipo de atendimento ainda responde por menos de 10% da carteira de pacientes das clínicas nacionais, segundo um levantamento inédito feito pela Associação Brasileira de Cirurgia Plástica Estética (BAPS) com cirurgiões, gestores de clínicas e equipes assistenciais de todo o país.
“Temos uma capacidade técnica muito grande entre cirurgiões, instituições e corpo clínico para receber esses pacientes, mas ainda esbarramos em dificuldades estratégicas e estruturais de outros setores relacionados”, pontua o cirurgião e diretor-presidente da BAPS, Eduardo Ferro.
Como destaca o cirurgião Marcio Wallace, coordenador de gestão da BAPS, reunir tantos profissionais brasileiros para debater o cenário do turismo médico se tornou uma necessidade. “Um encontro como este é o primeiro passo para transformar a excelência individual dos médicos cirurgiões brasileiros em estratégia coletiva, com protocolos, certificações e uma narrativa internacional que faça jus ao que já entregamos dentro do centro cirúrgico”, ressalta.
Os dados apurados pela BAPS mostram que cada paciente estrangeiro gera um impacto econômico total que gira entre R$ 80 mil e R$ 170 mil quando somados cirurgia, hospedagem, transporte e cuidados pós-operatórios. Em média, esses pacientes permanecem entre 15 e 30 dias no Brasil, vindos principalmente de Estados Unidos, Portugal e Europa. Em sua maioria, são brasileiros que passaram a residir em países estrangeiros e aproveitam a familiaridade com a língua e o poder de compra de moedas estrangeiras para voltarem ao país e realizarem procedimentos e tratamentos, caracterizando um fenômeno chamado de “migração reversa”.
“Outros países vistos como destino do turismo de saúde já enxergaram essa posição estratégica e se estruturaram há alguns anos. Mas o Brasil continua operando sem uma jornada de paciente definida e que inspire confiança a quem está do outro lado do mundo. Esse debate é fundamental para que o Brasil ocupe a posição que merece”, pontua o cirurgião Armando Teixeira, especialista em tecnologias de retração de pele que é associado da BAPS e está atuando como embaixador do Summit para receber os profissionais vindos de outros Estados.
O cenário ainda esbarra em alguns obstáculos, especialmente no que diz respeito à procura por pacientes nativos de outros países. Como aponta a pesquisa, a fragmentação da jornada do paciente, necessidade de investimento do poder público local e qualificação da rede hoteleira ainda impedem o país de competir de igual para igual com outros destinos como Turquia, Tailândia e México no mercado global de turismo médico.
Esses e outros aspectos fundamentais para a evolução do turismo de saúde brasileiro serão debatidos por especialistas e profissionais renomados de todo o Brasil ao longo de três dias no Transamerica Collection Goiânia, com programação diária das 8h às 18h. A Capital no Centro-Oeste se junta a grandes centros como São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Curitiba e Porto Alegre como referências no turismo de saúde para cirurgias plásticas estéticas, com dados do Observatório do Turismo do Estado de Goiás mostrando que 57% dos visitantes vindo a Goiânia em busca de tratamentos de saúde.
BAPS Summit Turismo de Saúde 2026
O quê: encontro estratégico com especialistas nacionais e internacionais para debater o turismo médico brasileiro
Quando: 9 a 11 de abril, 8h às 18h
Onde: Transamerica Collection Goiânia (Rua T-51, n. 3, setor Marista)
https://baps.global/summit-turismo-saude-2026
